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Harriet Beecher Stowe, alguns caminhos

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Por Pedro Fernandes Harriet Beecher Stowe. Foto: Arquivo Life   Conta-se que quando Harriet Beecher Stowe conheceu Abraham Lincoln em 1862, durante a Guerra Civil estadunidense, o presidente a teria saudado da seguinte maneira: “So you’re the little woman who wrote the book that started this great war!”. De família tradicional e educada nos limites da cerrada tradição cristã, Stowe era nessa ocasião uma figura popular, desde quando publicou A cabana do pai Tomás , uma das primeiras obras de ficção a colocar negros escravos como protagonistas da narrativa. Isso somado aos debates antiescravocratas então dominantes foi uma combinação revolucionária, ou melhor, incendiária. O suficiente para inscrever sua presença no rol das grandes criadoras da literatura universal.   O convívio com a luta abolicionista nasce a partir de quando os alunos do pai de Beecher Stowe — o reverendo Lymar Beecher — lançam-se publicamente numa empreitada pela lei de libertação que resultou na perseguição...

Reimaginando Dom Quixote

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Dom Quixote em penitência. Ilustração de William T. Wiley. São raros os livros que alcançam o lugar de merecerem a atenção para projetos editoriais de valor inestimável. Dom Quixote , de Miguel de Cervantes, é um desses. Recentemente, a tradução em língua inglesa de Edith Grossman alcançou destaque no seleto catálogo da Arion Press — casa que publica três ou quatro livros por ano sempre em tiragem limitada e combinando textos clássicos com artistas contemporâneas.   A editora foi criada em 1974 e até agora publicou quase noventa livros, incluindo trabalhos de artistas como John Baldessari, Jasper Johns, Alex Katz, Robert Motherwell e Kiki Smith. A nova edição da obra mais importante da língua espanhola que levou mais de dois anos para sua composição é integralmente ilustrada por William T. Wiley. Como outros projetos do tipo, é de tirar o fôlego de qualquer um leitor apaixonado por livros. Edith Grossman é uma das mais reconhecidas tradutoras de obras da literatura de língua ...

Boletim Letras 360º #434

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DO EDITOR   Caro leitor, se você encontrou esta publicação pela primeira vez, sinta-se em casa. Esta é uma coluna fixa, editada a cada sábado e até quando for possível, com o interesse de reunir informações copiadas na página do Letras no Facebook — ou não. Isso começou há 431 semanas, é novinha em relação a um blog que se encaminha para o baile de quinze anos. À medida que passa o tempo se criou outras seções — com recomendações variadas, de livros a leituras aos arredores dos interesses do blog. Obrigado pela companhia! José Saramago.  LANÇAMENTOS Os percursos de Alberto Manguel por sua própria biblioteca .   Grande declaração de amor aos livros e à leitura, Encaixotando minha biblioteca fala sobre a importância dos livros em nossa vida e como são fundamentais para o desenvolvimento da sociedade. No verão de 2015, Alberto Manguel se preparou para mais uma mudança: ele sairia de sua casa medieval no Loire, na França, e passaria a morar em um apartamento em Nova York. S...

Os encontros como desertos férteis

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Por Marcelo Moraes Caetano Roberto Crema. Foto: Arquivo do escritor. Contam os sábios orientais que é possível sentir o gosto do mel no interior de uma garrafa, mesmo que ela esteja vedada com uma rolha ou algo semelhante. Para isto, basta vê-la, senti-la, tocá-la... eu ousaria dizer: escutá-la. A primeira característica notável de O poder do encontro: origem do cuidado  (São Paulo: Tumiak Produções, 2017), do psicólogo e antropólogo Roberto Crema, é exatamente a que os sábios orientais indicam. Ao percebermos o objeto livro que contém os sinceríssimos relatos de viagem do velho ao novo paradigma, já se instila em nosso interior um mel que, mais do que simplesmente doce, é também capaz de nos retirar do estado de estagnantes para o ponto de mutação de mutantes... e daí para além. A obra tem, por assim dizer, um poder semiótico que se doa generosamente, como o mestre que aparece quando o discípulo está pronto, e como o discípulo que aparece quando o mestre está pronto. Traz um pode...

Ninguém precisa acreditar em mim, de Juan Pablo Villalobos

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Por Pedro Fernandes Juan Pablo Villalobos. Foto: Metal Magazine .   Muito se repetiu sobre o romance enquanto enquanto um rico repositório das mais variadas expressões da linguagem. Uma parte dessa complexificação do romanesco se amplia com acentuado vigor a partir do século XX, muito embora, os resultados nem sempre sejam satisfatórios. Depois do sopro modernista, o que mais encontramos são tentativas fracassadas, pouco convincentes ou insatisfatórias dos usos da forma. É válido repetir que não é suficiente ao escritor o bom exercício da técnica; é tão ou mais importante certo talento para oferecer naturalidade ao andamento da narrativa, processo que inclui, o trato da verossimilhança e o manejo da linguagem. Essas qualidades sempre raras se encontram na literatura de Juan Pablo Villalobos.   Este Ninguém precisa acreditar em mim se organiza por dois fios narrativos principais — um deles com transição entre o registro despretensioso de eventos e circunstâncias ao seu tratam...