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Vargas Llosa diante de um jovem romancista

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Por Rafael Narbona Mario Vargas Llosa. Foto: Samuel Sánchez.   Mario Vargas Llosa não é apenas um ficcionista. Ele também é um excelente crítico literário. Seus ensaios sobre Tirante, o branco , Gabriel García Márquez ou Gustave Flaubert são peças que por si só justificariam sua fama como escritor. O barulho gerado por suas visões políticas está provocando o esquecimento de alguns de seu status de clássico vivo. Algo semelhante acontece com Javier Marías ou Arturo Pérez-Reverte, dois autores com uma obra de extraordinário mérito, mas cuja falta de inibição na hora de opinar carreou muita antipatia.   Vargas Llosa é acusado de reacionário, mas acho o que é mais correto dizer que é um liberal. Ele não é nostálgico do passado, nem se opõe à eutanásia, ao aborto ou ao casamento igualitário. Não compartilho de muitas de suas opiniões — principalmente de sua fé cega na bondade do mercado, embora também não acredite na bondade cega do Estado, um ogro pouco filantrópico, para parodiar...

Martín Fierro: 150 anos de um clássico

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Por Cristian Vázquez Martín Fierro. Ilustração: Carlos Alonso.   1 A brochura — “miserável” e produzida “em papel ruim e tipografia pior”, nas palavras do pesquisador Carlos Alberto Leumann — foi publicada em Buenos Aires nos primeiros dias de dezembro de 1872. Editada na Gráfica La Pampa (localizada na rua Victoria, 79, atual Hipólito Yrigoyen) consistia em 78 páginas, 59 das quais ocupadas, em duas colunas, por um extenso poema narrativo de José Hernández. Seu título: O gaúcho Martín Fierro .   Apesar da humildade desta primeira edição, e da total indiferença com que foi recebida pela intelectualidade da época, o destino da obra se manifestou de imediato. Teve um enorme alcance popular, embora mais de 80% das quase 2 milhões de pessoas que viviam a Argentina na época fossem analfabetas. Conservam-se róis de donos de mercearias nas províncias que pediam aos armazéns de Buenos Aires coisas como “trinta saquinhos de erva-mate e cinco exemplares de Martín Fierro ”.   Por qu...

Refazer a vida, revisitar o Brasil

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Por Naiara Barrozo* Museu Nacional (Todas as vozes do fogo). Foto: Elisa Mendes   Escrito e dirigido por Vinícius Calderoni, o novo espetáculo Museu Nacional (Todas as vozes do fogo) , da Cia Barca dos Corações Partidos, se propõe a fazer, como diz em sua página do Instagram, “ uma revisão crítica da história oficial no ano em que se comemora o bicentenário da independência”, a trazer à cena aspectos da memória coletiva — afinal de contas, “o Museu Nacional também é a história do Brasil”.   A estreia do espetáculo se deu em 14 de outubro, em São Paulo. Mas interessa aqui falar do processo apresentado no mês de setembro, na Quinta da Boa Vista, no bojo das comemorações do fim da restauração da fachada principal do Paço de São Cristóvão, incendiada em 2018. Apesar de não ser ainda o trabalho finalizado, o recorte exposto na ocasião trouxe um material bastante significativo que permitiu a tessitura de alguns comentários críticos. A Cia já apresentava bastante do que tinha sid...

Boletim Letras 360º #512

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DO EDITOR   1. Caro leitor, alcançamos o último mês do ano. 2022 não foi menos fácil que os anos anteriores, mas sempre olhamos para horizonte enquanto trabalhamos.   2. Nossas atividades diárias neste blog continuam até o dia 16 de dezembro. A partir de então iniciamos nossa pausa anual costumeira. As redes permanecem ativas, por aqui cairá espaçadamente um e outra postagem, enquanto estes boletins deixam de apresentar as seções extras. É uma boa oportunidade ainda para revisitar nosso extenso arquivo, sempre aberto à leitura, à partilha e ao comentário.   3. Queremos entrar em modo marola chegando a quatros leitores no sorteio no dia 17. Se você ainda não se inscreveu para o clube de apoios ao Letras , eis a oportunidade. Quer saber como, quais os livros estão na vez e tirar outras dúvidas mais? Passa aqui .   4. Outra forma permanente de ajudar é na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste Boletim: e você ainda pode garantir bons descontos...

Mircea Cărtărescu: os sótãos de Bucareste

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Por Mercedes Monmany Mircea Cărtărescu. Foto: Mircea Struţeanu   Autor de uma extensa obra, o que o torna um credor a cada novo livro (seja no gênero narrativo, seja com sua deslumbrante produção poética) ao Prêmio Nobel de Literatura, hoje devemos acrescentar ao seu lado a presença de duas magníficas escritoras, de diferentes gerações: Tatiana Ţîbuleac (Chisinau, Moldávia, 1978), com dois excelentes e poderosos romances, e uma das mais populares e famosas escritoras, tanto no seu país como no estrangeiro, Gabriela Adameșteanu (Targu Ocna, 1942), magistral dissecadora dos anos do comunismo na Romênia.¹ Um tema, os anos cinzentos e sombrios do comunismo na Romênia até a libertação, que também se repete na nova obra agora publicada por Cărtărescu, o terceiro volume de seu prodigioso ciclo Orbitor (Cegador), que consiste em A ala esquerda , O corpo e o agora e deslumbrante A ala direita ², cujo pano de fundo, entre tantos outros fascinantes que sempre se sobrepõem na história deste ...