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Johnny vai à guerra, Dalton Trumbo

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Por Bruno Botto Dalton Trumbo. Foto: Bettmann. Dalton Trumbo lança Johnny vai à guerra no dia 3 de setembro de 1939, dois dias depois do começo da Segunda Guerra Mundial. Para um livro com a proposta de ser pacifista é uma baita ironia. Mas nem Trumbo na década de 30, poderia prever que tal livro deveria resistir às várias intervenções militares estadunidenses nas décadas seguintes. Afinal, a paz parecia uma fruta ainda meio verde para a maioria do mundo no começo do século XX.   Para quem possa achar que Trumbo era um desses escritores panfletários vazios, ele foi um dos célebres roteiristas da época de ouro de Hollywood dos anos 1930 e 1940; roteirizou filmes como Trinta segundos sobre Tóquio (1944), Roman Holiday (1953) e Spartacus (1960).   No final dos anos quarenta e começo dos anos cinquenta, Hollywood decretou caça às bruxas aos comunistas e Dalton Trumbo, que era filiado do Partido Comunista dos Estados Unidos, entrou para a lista negra; deliberadamente esquecid...

Quando ela era boa, de Philip Roth

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Por Pedro Fernandes Philip Roth. Foto: Inge Morath.   Antes de publicar When She Was Good , em 1967, Philip Roth já era autor de outros dois livros: Goodbye, Columbus and Five Short Stories (1959) e Letting Go (1962). É ainda um escritor interessado em explorar o folhetinesco ou à procura do grande romance. O leitor custa se integrar no universo dos acontecimentos porque, como criança aprendendo a andar, um narrador titubeia sem saber ao certo como caminhará. Enquanto nos adaptamos ao sobre o que irá contar , eis outro problema, ele nos oferece um complexo enredamento de núcleos familiares, cada um, com múltiplas personagens e múltiplos enredos. Somente quando encontra um dos fios e o elege como principal é que nos situamos e podemos melhor acompanhar os passos muito precisos da narração que não se descuida de alinhavar os aparentes fios desconexos do começo. Tudo isso serve para dizer como este romance constitui um sério exercício de aprendizagem que resultará o engenhoso Portno...

A revolução como imagem de paz: “Agitação”, de Cyril Schäublin

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Por Alonso Díaz de la Vega   O diretor multinacional Fritz Lang disse que todo grande filme está contido na primeira cena. Também me lembro que o autor estadunidense John Steinbeck disse que os melhores romances podem ser resumidos em uma frase. Se for esse o caso, Agitação ( Unrest , 2022), do cineasta suíço Cyril Schäublin, pode ser descrito como uma resposta insubordinada a um famoso lugar-comum: “Tempo é dinheiro”. A frase foi repetida tanto que pode ter perdido seu impacto. Para a maioria, é apenas uma forma de apressar as pessoas para entregar um pedido, terminar de montar um produto ou enviar um e-mail para convocar imediatamente uma reunião de trabalho, mas suas implicações são encontradas em cada um destes exemplos: pensar que tempo é dinheiro significa dar mais importância para as receitas do que para o trânsito de cada um por uma dimensão que causa marcas e memórias, significa submeter as maravilhas da natureza ao desejo de explorar os seus recursos e os trabalhadores ...

Sobrevivência da poesia

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Por Michael Hamburger Foto: Masao Yamamoto   Nas últimas décadas, houve menos controvérsias sobre “a morte da poesia” do que sobre “a morte do romance”. Uma explicação óbvia é que os romances recebem mais atenção de qualquer maneira porque podem se tornar best-sellers ou serem adaptados para o teatro, cinema, rádio ou televisão. Outra é que a poesia era considerada um anacronismo já no início do século XIX, no início da Revolução Industrial, quando Thomas Carlyle declarou que a poesia não poderia ter nenhuma função real no que ele chamou de “Era Mecânica”. Sua previsão, é claro, carecia da dialética necessária para acomodar o movimento romântico com seus ímpetos antimecânicos e antirrealistas, e seu retorno aos paradigmas não apenas pré-industriais, mas pré-literários: baladas, canções folclóricas e contos de fadas.   Agora, durante a Segunda Revolução Industrial — a eletrônica —, é a alfabetização e não o analfabetismo que ameaça a sobrevivência da poesia, embora não a da li...

Em liberdade, de Silviano Santiago

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Por Sérgio Linard Silviano Santiago. Foto: Louis Monier Movimento muito comum no meio literário, quando se tem a intenção de elogiar um livro tido como clássico ou como importante, é o de dizer que este mesmo livro “permanece atual”. Para o bem ou para o mal, esta alcunha de constante atualidade de uma obra já é há muito explorada por editoras, posto que os manuais escolares e de etiqueta das redes sociais fazem com que um livro seja mais vendido se trouxer uma discussão que ainda se faça corrente. Por vezes, os releases das editoras chegam a dizer que um determinado livro de literatura contemporânea já nasce como um clássico justamente por trazer um tema que, vejam só, é atual .   Informação parecida com essa é a que se encontra na quarta capa da edição mais recente de Em liberdade , de Silviano Santiago. Transcrevo: “Publicado pela primeira vez em 1981, este trabalho ímpar de ficção mostra toda a potência de Silviano Santiago e continua absurdamente atual em sua crítica a um Est...

Boletim Letras 360º #526

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DO EDITOR   1. Olá, leitores, tudo bem desse lado? Desde 2012, nossa página no Facebook divulga conteúdo próprio sobre o universo dos livros, como reedições, pré-vendas, e esses e outros assuntos são selecionados e organizados nesta publicação semanal.   2. No meio do caminho, este Boletim ganhou novas seções, sempre interessado em contribuir para a aproximação do leitor a conhecidos e desconhecidos autores, a circulação dos livros e o fomento da leitura.   3. Lembramos sobre as possibilidades de apoio ao Letras . Nosso projeto é feito e distribuído gratuitamente, mas precisamos pagar despesas mínimas para a manutenção do blog online, como domínio e hospedagem. Sua ajuda é importante. Para descobrir todas as formas de colaborar, basta ir aqui .   4. Entre essas formas de apoio, está a aquisição de qualquer um dos livros apresentados aqui pelos links ofertados neste Boletim ou mesmo qualquer produto adquirido online usando este link .     5. Tenham um ex...