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Boletim Letras 360º #537

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Sylvia Plath no topo da Torre dell'Orologio, Veneza, 1956. Arquivo Faber Books LANÇAMENTOS   A Biblioteca Azul publica uma edição especial ilustrada de A redoma de vidro.   Único romance escrito por Sylvia Plath, publicado em 1963, A redoma de vidro retorna em uma edição especial. Em capa dura, com nova tradução assinada por Ana Guadalupe e ilustrações em giz pastel da artista francesa Beya Rebaï, esta edição celebra uma das obras mais importantes do século XX e um grande marco da literatura feminista. O livro conta a história de Esther Greenwood, uma jovem estudante universitária e aspirante a escritora. Nascida no subúrbio, ela se muda para Nova York para estagiar em uma prestigiada revista de moda, onde a pressão pelo sucesso e a sensação de distanciamento em relação às demais pessoas a faz desenvolver um quadro sério de depressão e ansiedade. A obra reflete a batalha da própria autora contra a depressão e a bipolaridade, que acabou culminado no seu suicídio um mês depois...

Zila Mamede, toda poesia

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Por Pedro Fernandes Zila Mamede. Arquivo particular.   Zila Mamede está entre os principais nomes da poesia brasileira pós-45 e esta não é a primeira vez que se escreve esta constatação. A lista é generosa. Manuel Bandeira, Câmara Cascudo, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Nei Leandro de Castro, José Mindlin, cada um sublinhou à sua maneira o valor e a importância da obra da poeta nascida na Paraíba e fixada no Rio Grande do Norte desde os seis anos de idade. Os nomes e a atitude reiterativa nem são necessários porque a melhor prova encontra-se, evidentemente, nos seis livros de poesia que escreveu: Rosa de pedra (1953); Salinas (1958); O arado (1959); Exercício da palavra (1975); Corpo a corpo (1978) e A herança (1984).   Com “Corpo a corpo”, Zila Mamede fez o primeiro e único balanço de sua literatura — dada sua morte abrupta sete anos adiante. Chamou de Navegos . Uma pequena biblioteca construída com a unidade fruto do trabalho sério e o cioso esme...

Steiner no castelo: perplexidades da pós-cultura

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Por Ronaldo González Barba Azul Judith, Judith, não era tudo mais alegre no castelo do teu pai com rosas nas janelas, com a luz do sol pelos salões?   Judith Nunca, jamais, amadíssimo Barba Azul! Nunca voltarei a desejar a luz do dia. As rosas, a claridade do sol, nada, nada… O crepúsculo oculta tudo. Apenas consigo ver em teu castelo. Tudo é escuridão. Oh, triste Barba Azul, triste e infeliz.   — Fragmento da ópera O castelo do Barba Azul , de Béla Bartók, libreto de Béla Balázs George Steiner. Foto: Leonardo Cendamo.     A mulher apenas entrou onde mora o duque seu amado. Pergunta pela escuridão, resigna-se a ela e decide abandonar seu mundo de luz e claridade. Ao final da ópera de Béla Bartók, Judith pede ao Barba Azul a chave da sétima porta do castelo apenas para ficar cativa do manto de estrelas e do diadema da noite. Judith, arquétipo da mulher, não pode redimir Barba Azul, arquétipo do homem. No fim não resta nada mais que desolação, trevas, noite para os doi...

Assassinos da lua das flores, de Martin Scorsese

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Por Jorge Negrete Uma profecia sobre o esquecimento abre  Killers of the Flower Moon (no Brasil,  Assassinos da lua das flores ), a mais recente obra do cineasta ítalo-americano Martin Scorsese. Tal profecia anuncia que a nação osage , povo originário dos Estados Unidos, perderá gradativamente seus costumes e a pureza dos mesmos, bem como a de seu sangue, que será corrompido de geração em geração. “Nossa língua será lentamente esquecida”, diz parte da profecia, que é seguida pela descoberta de um campo de petróleo que traz uma riqueza inexorável para os osage , mas ao mesmo tempo uma onda avassaladora de morte, dor e, acima de tudo, esquecimento.   Scorsese tem um compromisso com a história que tem sido tangível não apenas em seu trabalho no cinema, mas também em seu envolvimento ativo apoiando outros cineastas, em sua docência fílmica ocasional — como em seu documentário A Personal Journey with Martin Scorsese through American Movies (1995) — e, claro, em seu trabalho n...