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Sobre “Novelário de Donga Novais” e os livros indispensáveis para o leitor de Autran Dourado

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Por Alfredo Monte ¹   Autran Dourado. Foto: Sophie Bassouls O tear das intrigas: o mundo... Duas Pontes Há alguns anos comentei o reaparecimento de Novelário de Donga Novais , de Autran Dourado, publicado originalmente em 1976 (e depois reeditado pela Guanabara). Porém, a Francisco Alves, a editora que na altura relançava as obras do grande autor mineiro, entrou em falência e sumiu do mercado, e algumas delas nem foram distribuídas às livrarias, ao que parece. Portanto, é agora que outra casa assumiu a reedição da obra inteira de Dourado que o leitor pode ter acesso a um dos textos mais surpreendentes, fascinantes e extraordinários (sei que esses adjetivos são muito usados, mas poucas vezes tão verdadeiramente como neste caso) da literatura brasileira contemporânea.²   Novelário de Donga Novais se passa em Duas Pontes, cidade-universo que é o palco da maior parte das narrativas de  Dourado. Seu Donga é o ancião janeleiro de Duas Pontes, de idade indefinida (“Ele não ...

Seis poemas de Li Bai (Li Po)

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Por Pedro Belo Clara (Seleção, versões e notas)*  TRÊS COM A LUA E A MINHA SOMBRA Com um jarro de vinho sento-me junto às árvores floridas. Bebo sozinho — onde estão os amigos? Ah, a lua do alto olha para mim; Chamo-a e levo a minha taça à sua luz. Observa: lá vai a minha sombra diante de mim. Hoo! Somos uma festa a três, digo eu; Embora a pobre lua não possa beber, E a sombra só dance em meu redor, Somos todos amigos esta noite, O bebedor, a lua e a minha sombra. Que a nossa festa seja digna da primavera! Eu canto, a lua selvagem vagueia pelo céu. Eu danço, a minha sombra segue aos tropeções. Enquanto despertos, entremos na pândega;  Apenas a doce embriaguez nos poderá separar. Juremos uma amizade que nenhum mortal conhece, E amiúde saudemo-nos ao entardecer, Muito além do vasto e vaporoso espaço!  OS CORVOS AO CAIR DA NOITE¹  Num crepúsculo de nuvens amarelas, Os corvos procuram seus ninhos na muralha da cidade. Os corvos voam para casa, crocitando Uns para os outr...

Boletim Letras 360º #675

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DO EDITOR Olá, leitores! Desde o dia 11 e até o dia 25 de janeiro estão abertas as inscrições de candidaturas para novos colunistas no  Letras . Se você escreve sobre livros, literatura e áreas afins e quer participar do nosso projeto,  saiba por aqui  todas as informações necessárias de como enviar a sua proposta.   E, para não perder o costume, relembro que na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você pode obter um bom desconto e ainda ajuda a manter este projeto. A sua ajuda continua essencial para que permaneçamos online. Ah, a nossa programação de encontros diários e as edições completas deste Boletim regressam a partir de 26 de janeiro. E eis outra novidade: o Letras conta agora com um grupo no WhatsApp. Se você quiser aderir para ser um dos primeiros a receber esta e outras publicações, a exemplo do que já acontece no Telegram, então o caminho é por aqui .  Lisa Ridzén. Foto: Gabriel Liljevall LANÇAMENTOS Um romanc...

Leitura fácil, de Cristina Morales

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Por Sérgio Linard Cristina Morales. Foto: Rino Bianchi O romance é este gênero discursivo que por tamanha plasticidade em sua constituição acaba sendo a forma preferida de quem se propõe a trabalhar com literatura. Isso parece ter motivo porque, diante de tantas possibilidades que a globalização diz proporcionar e, também, pela própria fragmentação da vida na contemporaneidade, ter em mãos uma forma de manifestação artística que muito permite e quase nada proíbe é algo muito bem-vindo. Por vezes, infelizmente, a não interdição de claros limites para o gênero resulta em textos que são mais um aglomerado de ideias do que um romance efetivamente.  Parece, portanto, que foi com base nessa flexibilidade do gênero discursivo que a autora de Leitura fácil se baseou para trazer à baila este romance ou este texto do gênero “leitura fácil”. O título que parece sinalizar mais um manual ou um guia para aqueles que intentam adentrar no mundo da leitura, na verdade, corresponde a uma das várias...

Boletim Letras 360º #674

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DO EDITOR Olá, leitores! Desde o dia 11 e até o dia 25 de janeiro estão abertas as inscrições de candidaturas para novos colunistas no Letras . Se você escreve sobre livros, literatura e áreas afins e quer participar do nosso projeto, saiba por aqui todas as informações necessárias de como enviar a sua proposta.   E, para não perder o costume, relembro que na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você pode obter um bom desconto e ainda ajuda a manter este projeto. A sua ajuda continua essencial para que permaneçamos online. LANÇAMENTOS Livro oferece ao leitor uma dúzia de contos inéditos de Ricardo Guilherme Dicke, grande nome da prosa brasileira . Música de mortos suaves  reúne catorze contos ― doze deles inéditos ― encontrados por Rodrigo Simon de Moraes ao vasculhar os alfarrábios deixados pelo autor após sua morte, em 2008. Natural de Chapada dos Guimarães e figura central da literatura mato-grossense, Dicke construiu ao longo da vi...

O verdadeiro Conde de Monte Cristo

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Por Ada del Moral Olivier Pichat, Thomas Alexandre Dumas . Em Django livre (2012), de Quentin Tarantino, o dentista e caçador de recompensas King Schultz (Christoph Waltz) comenta com o latifundiário sádico e racista Calvin Candie (Leonardo DiCaprio) que o autor de Os Três Mosqueteiros (1844) não teria aprovado que ele alimentasse seus cães com o escravo D'Artagnan. “Francezinho fraco”, zomba Candie. “Alexandre Dumas é negro!”, responde Schultz. A expressão impassível do escravagista é impagável. Ela também chama a atenção para a identidade de um gigante da literatura, apesar do empenho de “colaboradores” — como Auguste Maquet, que o ajudou a escrever O Conde de Monte Cristo (1846), a quem ele teria subornado de maneira exorbitante para figurar sozinho nesta homenagem a seu pai, o General Dumas. As origens do romancista, o segundo Alexandre dos três de uma linhagem tão ilustre, não são bem um mistério. Nós apenas o havíamos esquecido, pois apenas restar poucos ecos das desditas ...