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O século das luzes, de Alejo Carpentier

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Por Pedro Fernandes Alejo Carpentier. Foto: Ulf Andersen   O Século das Luzes foi como ficou reconhecido o longo período de transformações intelectuais e filosóficas centradas no advento da razão como dimensão única de compreensão do mundo e que se irradia desde a Europa a partir do século XVIII. Centrado na França, alguns dos novos ideais iluministas primavam pela liberdade individual, o progresso, o fim da monarquia e separação entre a Igreja e o Estado, contribuindo para a série de revoluções que varreram o Ocidente de lés a lés no curso de pelo menos dois séculos de história.   Alejo Carpentier recorre ao mesmo designativo do que bem poderíamos chamar de uma era para o seu livro de 1962 porque o seu interesse fundamental é compreender como o ideário da Ilustração alcança o Novo Mundo quando este em sua grande parte se encontrava integrado ao velho continente ora como um vasto campo de recursos para o seu progresso, ora como zonas de disputas territoriais, ora ainda um ter...

O método Alejo Carpentier

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Por Francisco Llorca Zabala A fotografia foi feita em finais dos anos setenta e tem uma cor sépia e lavagem própria das imagens anteriores ao Instagram. Alejo Carpentier está sentado num café: os cantos de uma boca grande apontando para baixo, um gesto sério, como se estivesse absorto numa pesada digestão. Ao lado do cubano, os dois Antonios, Saura e Pérez, Pérez e Saura, junto a um grupo de pessoas sem identificação. Personagens, então. Quem fez a fotografia? Outra personagem? A companhia de algum deles? (Não há nenhuma mulher no grupo, assim se pode suspeitar de uma do outro lado da câmera) O garçom do bar que amavelmente se prestou a imortalizar o momento? Viro a imagem e constato que no verso não figuram nomes e nem datas. Mas, várias coisas são certas: todos estão bem, como demonstram algumas garrafas de vinho (bem, todos, menos Carpentier, claro) e que esse café fica em Siguença, província de Guadalajara, para ser mais exato. Sei porque estive sentado nessa mesma mesa ...

Um diário inédito de Alejo Carpentier é publicado em Cuba

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Alejo Carpentier era um homem meticuloso e capaz de acumular uma prodigiosa informação enciclopédica que logo levava para sua obra. O romancista e musicólogo cubano anotava tudo o que via, ouvia e lhe chegava através de sua cosmopolita vida, estivesse em Paris, Caracas ou Havana. De fato, vários estudos sobre sua obra narrativa têm apontado esse rigor documental que logo se transformava em estilo artístico. Faltavam os diários publicados agora pela Fundação Alejo Carpentier que revelam suas angústias e preocupações durante o processo de criação literária. Um encontro que permite assistir a parte do traço criativo de obras como O século das luzes , Os passos perdidos , A perseguição e O caminho de Santiago ­ – este último ainda sem tradução no Brasil. Também se sabe que Carpentier estava organizando parte de sua correspondência cronologicamente com a ideia de publicá-la em forma de diário epistolar, empenho que deixou em suspenso devido sua morte. Esta edição agora publica...