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Do silêncio

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Anatoly Kryvolap Tá vendo o silêncio entre nós? São crateras assassinas que se abrem se dilatam para nós... Ouve o silêncio, o que ele quer dizer? Traduz num olhar o silêncio desse nosso olhar! Vês! São como fossos se descortinam à nossa frente, o que dele faremos? Joguemos palavras para aterrá-lo mesmo que monossílabos mesmo que a batida e velha frase "quebremos o silêncio"... Façamos algo! Esse silêncio... Ah! Não tenha dúvidas é o que há de mais cruel entre nós. Tenho medo em teu silêncio desse nosso silêncio. * Publicado inicialmente no Portal Overmundo.  Acesse  o e-book  Palavras de pedra e cal  e leia outros poemas de Pedro Fernandes.

Dois poemas de Pedro Fernandes

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Johann Henrich Füssli Vulgada romântica Ao martirológio dos suicidas me junto eu Por drama por tolice estou O infortúnio, a fatalidade dos desgraçados Arraigam a pele, come a carne humana Bate o coração morto-vivo num peito inerte Dum homem abatido pelos seus ideais Três ou quatro razões Capazes de levar-me desse chão Ao abandono voluntário da existência Que resta de mim em essência Tão poucas razões travadas num colóquio constante Entre felicidade e infelicidade dum pobre diabo Que raro adega a ter de voltar a cabeça Ao estrondo seco dum tiro Esmigalhando um crânio com prazo de validade corrido A vida acabou-se num fialho de sangue Desfez-se o homem audacioso e o homem paciente Eles eram prova de qualquer coisa Nomeadamente de um sentido: A ausência dele Poema em processo como gotas d’água que caem do teto de uma caverna meio que, por acaso, no papel na figura do poeta prefiro fecundar-me e parir em palavras, poemas afinal poema é se...

O vício do assistencialismo

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Por Pedro Fernandes Depoimentos alheios (desculpem por andar ouvindo conversas alheias, mas nossos ouvidos também servem para isto) dão conta de que um novo tipo de dependência começa a demarcar espaço no sambódromo social brasileiro. A apologia carnavalesca, apesar de ainda não estarmos nesse período, é de propósito; não dizem que tudo por aqui é festa... Então, é só uma maneira hilária de ver a coisa. Identifiquei a causa, sem muitos estudos. Quisera eu ser um mestre na questão social brasileira! Mas impregnei nela certo faro crítico (coisa que anda faltando à escola de samba Brasil) e cheguei a uma conclusão nem tão surpreendente, uma vez que esse tipo finque ou quem sabe não já fincou raízes neste solo mãe-gentil. De imediato caracterizei-o como um novo vício que se alastra nas camadas ditas populares e é composto de um emaranhado exuberante, de causa-efeito incontáveis, mas ainda assim tentei enumerá-los: 1. Os programas de assistencialismo social surgem no governo FHC co...

Livro de poemas e outras poesias de Jorge Fernandes

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Por Veríssimo de Melo Jorge Fernandes. Foto: Arquivo do jornal  Tribuna do norte . Os homens só serão julgados verdadeiramente dentro da época e do meio em que viveram. O que hoje não tem mais sentido – com as mudanças que ocorreram nestes últimos quarenta anos – já foi no passado, a marca do espírito mais refinado e progressista, a elegância por excelência, o supra-sumo da inteligência e graças literárias. Certo que alguns valores são imutáveis, atravessando os anos e os séculos. Muitos outros, porém, se desgastam, empalidecem e morrem. Os espíritos privilegiados são aqueles que, embora tendo sofrido as influências do tempo em que viveram, se sobrepuseram aos seus conterrâneos e avançaram pelos anos seguintes, conservando permanente atualidade em sua mensagem. Jorge Fernandes – um dos precursores do movimento modernista no Brasil – há de ser julgado, também para ser compreendido e valorizado, dentro dos mesmos critérios. Na sua época – décadas de vinte e trinta, principalmen...

Notas sobre a IV Feira do livro de Mossoró

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Por Pedro Fernandes Pedro Fernandes, Lindelíllyan Fernandes e Monick Munay. A programação da IV Feira do Livro de Mossoró foi do dia 05  ao dia 10  de agosto e, dentre tantas alternativas no evento, uma programação foi desenvolvida no estande do Jornal De Fato . Neste estande foram desenvolvidas palestras, oficinas, debates etc. com o intuito de despertar o interesse entre os jovens pela leitura. Entre as palestras, o  estande abrigou o Ciclo de Palestras Escritores e Escrituras Potiguares  entre os dias 07 e 08 de Agosto . Este ciclo teve por objetivo apresentar aos visitantes e convidados a literatura potiguar, usando como recurso a vida e a obra de três autores: Jaime Hipólito, Auta de Souza e Jorge Fernandes. Coordenados pelos professores da Faculdade de Letras e Artes (FALA), o prof. Dr. Raimundo Leontino Leite Gondim Filho e o prof. Esp. Aluísio Barros de Oliveira, os acadêmicos Pedro Fernandes de Oliveira Neto e Monick Munay e a graduada em Letras pela Uni...

O cinema de Samuel Beckett

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O e E são duas personagens de Film, o filme que Samuel Beckett rodou num velho edifício de Nova York no verão de 1964 a convite do avant-gard Barney Rosset; a princípio esta produção é a primeira de outras duas peças – uma encomendada a Harold Pinter e outra a Eugène Ionesco.  Foi a primeira e única vez que o dramaturgo irlandês viajou à Big Apple. Permaneceu aí só por três semanas, o período de duração das filmagens, sempre com um breve roteiro debaixo do braço e um único ator para interpretá-lo.  Film  estreou em 4 de setembro do ano seguinte na terceira e última noite do Festival de Veneza.  Buster Keaton, então um ator em decadência, vítima da ruína e dos estragos do álcool, foi o único que rodou com Beckett; aceitou sem muito entusiasmo o projeto. Segundo Beckett, provavelmente Keaton nem sequer se deu ao trabalho em ler a história de O, uma personagem em constante ruína e E, o olho que o persegue. “Buster não o entendia. Quem entendia? Nem eu ent...