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William Faulkner

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William Faulkner nasceu no estado do Mississipi em 1897 e naquela região viveu quase toda sua vida; foi desde sempre um aficionado pela leitura, mas não chegou a concluir a formação básica. No início dos anos 1920 decidiu que seria escritor e começou a trabalhar em empregos diversos para garantir o sustento: ajudante de banco do avô, carteiro, contrabandista de rum, bombeiro, carpinteiro, pintor de paredes... funções que lhe permitiam ganhar o suficiente “para papel, cigarro, comida e algum uísque”. Nesse período, o escritor dedicou-se a expandir outros talentos, além da escrita, como o desenho e a pintura. Foi também a época em que se entregou à leitura e através do amigo Phil Stone, que mantinha relações com nomes como T. S. Eliot, Robert Frost e Ezra Pound, começou na medida que lia esses autores a se corresponder com eles. Talvez por isso, os primeiros exercícios de escrita seus tenha se dado pela poesia. Esse momento de uma vida de incerteza levou Faulkner a querer ...

Ana Cristina Cesar por Caio Fernando Abreu

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Foi Caio Fernando Abreu quem escreveu a quarta da primeira edição de A teus pés , primeiro título de Ana Cristina Cesar publicado em 1982 pela Editora Brasiliense. Sobre a obra em questão, seduz o leitor a ficar diante de um dos escritores "mais originais, talentosos, envolventes e inteligentes surgidos ultimamente na literatura brasileira." Os dois se conheceram pessoalmente naquele ano e mantiveram uma intensa relação de amizade, mantida através de troca de correspondências, confidências por telefone – estas que nunca chegarão até nós –, embora ele não gostasse da forma de comunicação e foi um dos que fizeram o possível para tentar livrar a poeta do destino desenhado por ela: o suicídio. Numa das cartas que escreveu à amiga Jacqueline Cantore, logo depois da morte de Ana, Caio se questiona: "Com que direito, Deus, com que direito ela fez isso? Logo ela, que tinha uma arma para sobreviver – a literatura – coisa que pouca gente tem." A partida repentina da po...

Viva a diferença!

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Por Pedro Fernandes Duramente justapostas e sobrepostas, todas as formas e modos de viver, todas as civilizações do passado desembocam em nós “almas modernas”, graças a esta mistura, os nossos instintos refluem em todas as direções, nós mesmos somos uma espécie de caos. Friedrich Nietzsche Arte: Bruno Munari (Reprodução). VIVA A DIFERENÇA! Estava escrito com letras garrafais num cartaz afixado na entrada, pela parte interna de uma agência bancária. Abaixo da faixa, numa cadeira de cor laranja, estilo jovial, uma senhora simples, por volta dos setenta anos, parcimoniosamente espera. No televisor, clipes com propagandas de alguns produtos oferecidos pelo banco do tipo empréstimos, financiamentos, poder de compra em geral. Esta é a descrição de uma cena que na ausência de uma câmera fotográfica resolvi registrar com  palavras. A fotografia três por quatro verbal é porque me interesso por um dos muitos aspectos possíveis de sua leitura que não o slogan do banco: o da ne...

O Nascimento de uma Nação, de D. W. Griffith

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O épico do cinema mudo pode ser considerado o blockbuster de sua época, tamanho seu custo e bilheteria Muitos títulos podem ser considerados grandes filmes ou clássicos; já os mais importantes e influentes são poucos. O Nascimento de uma Nação  é um deles. Provavelmente, entraria em poucas listas pessoais de favoritos: trata-se de um filme longo (mais de três horas), difícil, perturbador por seu tema polêmico, datado em vários aspectos. Ainda assim, é considerado o marco inicial do cinema clássico, por suas inovações técnicas e narrativas que se tornaram a gramática oficial do cinema americano e são usadas até hoje. E, mesmo que atualmente ele não pareça fluente como um blockbuster hollywoodiano, na época causou comoção. Mais de um milhão de pessoas viram o longa em seu ano de lançamento. Acusado de racista, O Nascimento de uma Nação   não pode, de maneira alguma ser reduzido a essa controvérsia. Tecnicamente é um trabalho exemplar. Nele aparecem pela primeira v...

Blindness

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Por Pedro Fernandes Era a tela nua. Branca. Esticada à minha frente. Um mar de leite espichado retangularmente que marcava seus contornos algumas filas depois de onde me sentara. No meio da platéia. Gosto do meio. Quando as imagens começarem a se deslocar elas melhor me envolvem. No meio. Confesso que, apesar de minha paixão pelo cinema andar ancorada a da pela literatura, nunca me senti ansioso para estréias em cinema. Até quando da primeira vez que tive oportunidade de ver um filme no cinema. Não muito distante – foi quando da estréia do  Titanic  – filme que não sei o porquê cheguei a assistir cinco vezes (talvez porque o primeiro que vi no cinema, talvez). Mas dessa vez tive, sim, ânsia. E das muitas. Cheguei a reler o romance do José Saramago para ir com a cabeça ainda inebriada pela sua narrativa densa. 14h55. A tela veste-se. Propagandas. Trailers. Até que um disco vermelho estampou-se tão próximo, que sequer daria para precisar ser o de um semáforo. A pri...

Zila Mamede — itinerário e exercício da poesia (5)

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Corpo a corpo  – paisagem dos cinqüent’anos ou uma volta em mágoa Por Paulo de Tarso Correia de Melo* Corpo a corpo Pasto branco potro bravo corpo a corpo corre o certo tempo incerto de um corisco Pasto e cobra rosto franco na empreitada: febre e fogo nesse jogo de encontrar-se Pasto e potro rasto e sono em breve trato: rosto acorda laço e corda desatados Pasto grave tenso rosto: cobra-cobra se consome na empreitada re-presada Pasto franco rosto breve fogo e risco fome e riso no improviso desse jogo Pasto bravo potro branco corpo a corpo: na campina o potro: a crina engalanada (Zila Mamede,  Corpo a corpo ) *** “[...] a beleza é tão grande mas ninguém a enxerga.” ( Marinha ou Paisagem dos cinqüent’anos ) Embora a autora defina Corpo a corpo como “uma volta sem mágoa” a cada um dos lugares que marcam o seu itinerário poético, a novidade desses poemas inéditos está, outra vez, muito mais na forma, se tomada em relaç...