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O que chamo hotblog

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Por Pedro Fernandes Pintura: David Van Der Linden A partir do Letras in.verso e re.verso , eu criei outros dois projetos que seguem firmes na web : um periódico para publicação de poesia que batizei com o sugestivo título em homenagem ao poeta de minha estima Carlos Drummond de Andrade, o Caderno-revista 7faces ; e um espaço para guardar meus materiais de pesquisa (e de outros pesquisadores, assim desejem) sobre a obra de outro escritor, agora mais um romancista embora tenha produzido poesia, José Saramago. O nascimento desses projetos gerou uma série de notas publicadas neste blog sobre sua construção, andamento e outros assuntos relacionados de maneira enviesada  ao tema principal do Letras . Por isso, criei duas seções que chamo de hotblog  - elas deverão existir sempre ou até eu enxergue a necessidade de construir outros rumos para este blog e estes projetos. Trabalho com a possibilidade, por exemplo, de que estas seções sejam desmembradas em outros blogs, o que seria m...

Um caderno para Saramago

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Por Pedro Fernandes página de abertura para Um caderno para Saramago O meu arquivo online de pesquisas sobre o escritor português José Saramago tem uma leva de novidades. Com um design definitivo, assim eu espero, que trabalha os tons mais sérios, aos poucos esse trabalho vai sendo posto de pé. Recentemente todas as sessões passaram por atualizações e ajustes necessários. A descrição e os objetivos do espaço que pode ser lido no menu Sobre o espaço  foram refeitos e creio ter encontrado o caminho ideal da proposta: a de ser um espaço para postagem de meus materiais de pesquisa que coletei ao longo dos seis anos de pesquisa na obra do escritor e, logo, outros materiais que eu vá encontrando na rede. Todo o material fotográfico, a título de acompanhar as reformulações do design também tem sido refeito. No menu Obras foram acrescentados novos livros do escritor, como o caso da edição de crônicas Moby Dick em Lisboa e As palavras de Saramago...

As cidades invisíveis

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Por Pedro Fernandes “Sem pedras o arco não existe” Ítalo Calvino, As cidades invisíveis Escritores como Jorge Luis Borges e Italo Calvino elegeram como “ideal” o romance complexo, labiríntico, capaz de enredar-se por vias múltiplas, capaz de dar conta da diversidade de sujeitos, suas vozes e posições. Um romance como uma extensa rede aberta e infinita, capaz de abarcar na sua estrutura uma diversidade de saberes e códigos. O que ambos escritores perceberam é que todos somos sujeitos situados numa extensa rede e o romance, enquanto “materialização” do real sensível, haveria de se comportar, nesse meio, como um inventário enciclopédico. Isto é, haveria o romance de abarcar em suas fronteiras a complexidade dessa extensa rede que estamos inseridos; o romance como um suporte para a atuação de diversos universos. Essa idéia de um hiper-romance, bem como a idéia de rede parece ser incorporada por Calvino, só para citar um exemplo, em “As cidades invisíveis”. A obra é ...

Cafés, bondes e carnavais

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Por Pedro Fernandes Antes do bonde elétrico, eram os burros que faziam os transportes urbanos. Numa crônica de março de 1877, Machado de Assis com seu olhar flâneur põe os animais em diálogo a refletirem sobre a substituição de sua força de trabalho pelo bonde elétrico. Na foto bonde de burros na Av. Rio Branco, em Curitiba, em 1901. No Rio de Janeiro, por essa época já circulavam os elétricos. O título é da professora Elisa Amorim Vieira, texto que faz um registro marcante da cidade literária construída por Machado de Assis. Não só sobre a cidade machadiana, mas sobre o olhar do escritor acerca da efervescência urbana em seu tempo. Retomando a ideia do flâneur Vieira lê Machado de Assis, por através de suas crônicas, como legítima figura do tipo, interligando o dia-a-dia do Rio de Janeiro do século XIX ao espaço mais amplo da tradição literárias ocidental. Nas crônicas, Machado comenta das inovações tecnológicas, das mudanças de costumes, das transformações da cida...

As ficções da representação factual

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Por Pedro Fernandes O título da post é o título de um texto de Hayden White que, em duas palavras, reflete acerca das relações entre o discurso ficcional e o discurso histórico. Tomo emprestado do título, mas não entro no mérito da questão porque meu interesse aqui é outro: pensar o discurso acadêmico, sobretudo no âmbito das ciências humanas e, reduzindo ainda mais o meu campo de visão, no âmbito das ciências da linguagem. São notas. Nada sério, logo. *** O aparelho textual que dispomos a elaborar e por em funcionamento, isto é, o plano de um trabalho acadêmico, é o de colocar em operação um sistema composto basicamente de sistemas menores num fio de sentido que ofereça algo perceptível, de modo que determinada questão a que chamamos de problema, apresente-se em parte solucionada. Para isso desenvolve-se um conjunto de meios abstratos de reflexão sobre um objeto também aparentemente abstrato. A ilusão é crer, e isso eu pensei que já tivéssemos...

Ambientalismos: notas

Por Pedro Fernandes Essa ideia de sustentabilidade é toda ela falsa. Os seres humanos tem se tornado cada vez mais individualistas e não creio de modo nenhum que venhamos a salvar o planeta. Que pretexto temos para salvá-lo? Quem disse que as crianças do futuro querem ver os animais que vemos hoje? *** Houve um tempo que me preocupei e muito com as questões ambientais. Tanto que pela época dei início a um curso técnico em Controle Ambiental e ficava indignado com a situação na Amazônia, com a situação aqui no Nordeste. Quando via uma queimada queria mesmo sair de lata d'água na mão para apagar o fogo. Agora não mais. Tenho a certeza de que no ponto em que chegamos nada mais é possível fazer, afinal, esse modo de vida que escolhemos não deixa escolhas para nos refazer das perdas que já tivemos e que estamos tendo nesse momento. *** Quando vou a um restaurante e dou de contas de um palito de dente embrulhado numa embalagem única, um canudo par...