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O fantasma do facilitismo

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Por Pedro Fernandes Num texto escrito pelo professor Marcos Bagno , o conhecido autor dos estudantes de Letras por obras como Preconceito linguístico  e a novela A língua de Eulália , sobre a atual situação dos cursos de Letras atualmente, ele denomina de catástrofe o nível dos alunos formandos e formados. Reitero. Não é de hoje que venho percebendo isso e nem sou o único que reconhece o problema. Apenas o fato de ter sido dito por que foi, alguém do porte do professor da UnB, é que reforça a visão que é já corriqueira entre os professores de graduação em Letras.  A primeira vez que assumi uma sala de aula no Ensino Superior foi no estágio para o Mestrado. Na época eu era bolsista CAPES e logo, quando do andamento das aulas notei a deficiência ou o esforço hercúleo que alguns alunos têm de fazer para conseguir imaginar aquilo que está sendo dito por quem está conduzindo a discussão, no caso aqui, o professor.  A fala de Bagno traduz ipsis literis  ...

Antonio Tabucchi

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Por Pedro Fernandes Esta entrada no Letras não existiria sem dois acontecimentos. Dois fatos distantes no espaço, mas em tempos relativamente muitos próximos. Uma vez aconteceu algo parecido quando redigia o texto para a seção Os escritores dedicado ao escritor brasileiro Moacyr Scliar. Agora, era tarde de um domingo, 25 de março, quando eu lia — “experimentei então um sentimento de estranheza muito forte em relação a tudo: a tal ponto que já não sabia porque estava ali, qual o sentido da minha viagem, e que sentido tinha o que andava a fazer e o que eu próprio era. Daí, provavelmente, o meu livro. Em suma, um equívoco. Sou, evidentemente, dado ao equívoco.” — um fragmento de Os voláteis do Beato Angélico do escritor italiano Antonio Tabucchi. No mesmo instante em que fechei o livro e fui espiar o Facebook, está postado um link dando contas da sua morte. *** Antonio Tabucchi foi autor de uma vasta e premiada obra que chega aos leitores brasileiros ainda nos anos 1900,...

Pedro Nava

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Pedro Nava e a mulher, Antonieta Penido, Rio, 1980. Fonte: Revista Carta Capital Desde 2012, a obra de Pedro Nava ganha reedição pela Companhia das Letras. A renovação da obra só reitera uma coisa: a importância da sua literatura para o panorama da produção literária no Brasil. Nava figura, nos dizeres da crítica especializada, como o mais importante dos nossos memorialistas ou como já o designaram um Marcel Proust dos Trópicos. Dentre suas obras mais famosas estão Baú dos ossos (1972), Balão cativo (1973), Chão de ferro (1976), Beira-mar (1978) e Galo das trevas (1981). Todos esses títulos estarão muito próximos do leitor brasileiro. Natural de Juiz de Fora, companheiro, entre outros, de Afonso Arinos e Prudente de Moraes Neto no internato do Colégio Pedro II, Nava seguiu a carreira da medicina depois de findar o curso em 1927. Seguiu a carreira do pai, José Pedro da Silva Nava. Especializou-se em Reumatologia, e sempre usou a profissão (de maneira brincalhona, é claro...

Saramago duas vezes mais para o cinema

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Parece que José Saramago está na moda para as telas da sétima arte. Parece. A primeira adaptação de uma obra do escritor foi em 2002. A jangada de pedra , à época, recebeu a montagem de um cineasta alemão. Saramago não teria gostado do resultado final desta leitura, desde então, os diretores tiveram que amargurar um longo período de intriga do escritor para com as adaptações de seus textos.  Passou o tempo até chegarmos em 2008 e Fernando Meirelles conseguir furar o cerco com adaptação do romance  Ensaio sobre a cegueira . E Saramago gostou do que viu. Até circulou por esta  web  um vídeo dando conta das lágrimas do Prêmio Nobel de Literatura diante do trabalho final do cineasta brasileiro (ver o final desta postagem).  A maior flor do mundo , Embargo e... agora se anuncia, depois de O evangelho segundo Jesus Cristo* , mais uma adaptação: a de  O homem duplicado . O romance com ares de ficção científica virá para as telas pelas mãos do cine...

Por que ler os clássicos?

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Não, não vou aqui recuperar Itálo Calvino e nem outra leva de escritores (clássicos) que se dispuseram a nos levar pela mão à leitura dos clássicos. Nem vou também aqui me deter tanto (quanto devia) na questão. Vou, antes, depositar algumas notas que podem ser tomadas como seminais a um texto mais acurado sobre a questão, tão logo o tempo me permita. Tudo quanto vamos aprendendo na nossa vida passa por uma disciplina. Ler deve ser também uma disciplina. A princípio, obrigatória, para depois, enfim, tornar-se em algo corriqueiro. Necessidade. Somente quando sentirmo-nos insatisfeitos por no decorrer de um dia não termos lido uma página é que atingiremos o limite ideal da leitura. Mais ainda, somente quando não ficarmos satisfeitos com qualquer tipo de leitura é que atingiremos esse tal limite. E uma das formas que nos faz entrar nessa segunda possibilidade é quando lemos um clássico. Depois dele, tudo o que lermos depois corre o risco de ser insipiente àquilo que já lemos. ...

Caio Fernando Abreu na web

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Um dos escritores da literatura brasileira contemporânea que mais parecem levar consigo uma legião de fãs - leitores e inventores de leitor - Caio Fernando Abreu, agora tem disponível, pela passagem de seus 16 anos de morte, uma página oficial na web . Caio Fernando Abreu se popularizou como um dos maiores fenômenos da literatura pop no Brasil com livros como Morangos mofados (contos, 1982) e o romance levado para as telas do cinema Onde andará Dulce Veiga (1990). Interessado no material urbano, no caos do mundo moderno, na solidão das metrópoles e uma aproximação daquilo que à época era um tabu, a realidade da Aids, e, claro, imerso em temas de uma humanidade que tateia seu fim, a desesperança, o dispersamento dos grupos e a formação de nichos sociais à margem da sociedade, deram o tom de sua obra.  Mais conhecido como contista, Caio também escreveu poemas, peças para o teatro, novelas, romances, livros infantis. Ainda em abril de 2008, o Letras in.verso e re.ver...