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Notas para uma História das Artes Plásticas em Mossoró

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Por Márcio de Lima Dantas (Agradeço a Vicente Vitoriano e a Cid Augusto o material gentilmente me fornecido) O universo da produção pictórica mossoroense é mais rico e complexo do que fomos acostumados a representar e a repetir, sobretudo nas mídias, que acabam por nos influenciar a imprimir os contornos da imagem que fazemos de nós e da cidade na qual vivemos. Enquistada nas terras quentes do oeste, equidistante de dois grandes centros, Natal e Fortaleza, permanece no imaginário como uma polis isolada e sem maior acesso a determinadas tradições da história da arte. Porém, a comarca da arte não se rege pela gramática da política ou da economia. A arte ocupa no humano um lugar mental, que se manifestará de maneira relativamente autônoma com relação ao entorno do grande teatro do mundo. Ou seja, a arte é uma espécie de imanência, uma necessidade humana, para servir de contraponto ao que convencionamos chamar de realidade. Não dizem que a poesia existe por que o real não...

Boletim Letras 360º #225

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Esta é mais uma edição do Boletim Letras 360º, uma publicação deste blog cujo interesse é reunir todas as notícias sobre o nosso universo de interesse divulgadas durante a semana em nossa página no Facebook . Domingo, 04/06 >>> Morreu o escritor Juan Goytisolo O escritor nasceu em Barcelona em janeiro de 1931. Formado em Direito, mudou-se para Paris ainda nos anos cinquenta onde começa a trabalhar com assessor literário da importante Gallimard. Na década seguinte trabalha como professor de literatura em universidades da Califórnia, Boston e de Nova York, atividade que continuou ao longo de sua vida. Autor de uma extensa e variada obra narrativa e ensaística, foi censurado na Espanha pela ditadura franquista. Escreveu reportagens, literatura de viagens e memórias. Foi crítico implacável do mundo contemporâneo. Vivia entre Marraquexe, Paris, Estados Unidos e Espanha. Seus primeiros romances se inscrevem nas tendências do realismo social. No Brasil, ...

Não confies no narrador

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Por Marta Fernández Sabes que está aqui. Deste lado do papel. E parece inofensivo e pacífico. Um ser integralmente feito de palavras. Um ser todo olhos e dicionário. Que olha e que fala. E que nele confias. Porque sempre foi assim. Porque o narrador é teu cicerone. Porque te conduz, te revela, te abre a mente, te empresta seu corpo inventado para que possas entrar nessa dimensão alheia chamada ficção. Tu és um aliado. Às vezes, tu eres dele. Só podes ficar ao seu lado. Mas, já deverias saber que nem sempre merece tua confiança. Deverias ter aprendido que a voz que te fala, às vezes, te engana. Que nem todo mundo veio aqui para dizer a verdade. Talvez devesses suspeitar daquele menino cheirando a leite. Mas tu eras um leitor de primeira viagem também. E te pareceu familiar os seus titubeios. Sua bendita inexperiência. “Nunca vi nada mais que mentirosos, sempre”. E embora no primeiro capítulo Huckleberry Finn já te avisasse de que todo mundo mente, incluindo ele, decidiste...

Pureza, de Jonathan Franzen

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Por Pedro Fernandes Este é um daqueles romances cujo título pouco convém ao substrato narrativo. É verdade que Purity [Pureza, nome que, curiosamente, apesar de ser traduzido no título não é traduzido na obra] é uma personagem de grande valia para a resolução da trama muito bem arquitetada, aliás, como é bem comum no acadêmico Jonathan Franzen. Mas, o leitor não encontra aquilo que costumeiramente encontraria nas obras assim nomeadas de Bildungsroman , isto é, o desenvolvimento de uma personagem, tal como ficou conhecido desde a consolidação do tipo narrativo com Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister , de Goethe; muito embora não se descarte seus traços. De uma maneira ou de outra Pip, como se chama a garota recém-formada, com uma grande dívida com o Governo porque pegou empréstimo para pagar a faculdade e não tem dinheiro para pagar e com a grande dúvida da sua vida, a de não saber o paradeiro de seu pai e se sua mãe é mesmo quem diz ser, passa por diversas apren...

Um romance com treze títulos

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Por Pedro Fernandes Clarice Lispector, graças ao trabalho ardiloso de pesquisadores, e antes disso, de leitores apaixonados por sua obra alcança os lugares mais interessantes da cena literária dentro e fora do Brasil. Sim, é graças ao trabalho dos pesquisadores porque o mercado editorial (para este salvam-se raras exceções) e o Estado brasileiro pouco ou quase nada têm contribuído nesse processo de reconhecimento. Tanto é verdade que, só agora, tanto tempo depois de sua obra ter sido publicada – seu último romance, A hora da estrela , faz 40 anos da primeira edição em 2017 – que esses lugares mais interessantes são ocupados pela escritora. Referente ao mercado editorial, é bem verdade que no passado sua obra ganhou edição bem trabalhada – vale recordar as edições em capa dura editadas pelo então Círculo do Livro – mas, desde quando passou a ser publicada pela Editora Rocco, é bom dizer, a qualidade editorial muito ficou a desejar. Tantos anos depois, finalmente esta casa editor...

As mulheres do boom

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Por Rafael Ruiz Pleguezuelos Clarice Lispector Sempre é um bom momento para recordar o boom . E para revisá-lo. É algo tão nosso que ainda há quem possa julgar o quanto quiser seu conceito. Os que viveram aqueles anos do boom ou do postboom foram presenteados com algo que não tinha preço: a possibilidade de sonhar que eram testemunhas de certa grandeza. De um dia para o outro, algo muito importante acontecia às letras em língua espanhola. Ia-se à livraria comprar o novo livro de Carlos Fuentes, García Márquez ou o que lhe tocasse e, quando, por fim, estava em casa e mergulhava na leitura, sentia-se que com aquele livro estava se abrindo para si a história da literatura, de modo que ninguém era como esses arqueólogos que entram pala primeira vez na tumba de um faraó que soube ser mais hábil que os saqueadores. O boom foi importante sobretudo porque nos transmitiu essa grandiosidade. Reconheçam ou não, não houve membro deste circo de pulgas que é a literatura que não tenha desf...