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O Incêndio de This Is Us e Manchester à Beira-Mar na poesia brasileira

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Por Wagner Silva Gomes Emilio Tadini "Não, não perdi a mania, ainda durmo fumando Ainda queimo o colchão Claro que lembro do dia, em que quase morri E ninguém me acordava" Se esquecer de trocar as pilhas do aquecedor e ele não desligar sozinho causa o incêndio e a morte do pai dos três irmãos da família núcleo na série This Is Us , e esquecer de desligar a lareira em uma breve saída pra tomar "uma" causa a morte da família no filme Manchester à Beira-Mar ; em outra linha, a da música popular brasileira, "Perfume Siamês", de Altay Veloso, cantada por Emílio Santiago, trata as situações de descuido. Como algo  habitual, e por isso malandramente treinado para a possibilidade trágica (- cuidado, um dia você queima a cama!, imagino a esposa dizendo), tudo termina em um gracejo sobre o momento de amor do casal, cujo marido tinha a teimosa atitude falha, e a esposa por amar o chamava a atenção mas já sabendo que aquilo nunca ia mudar, ne...

O retorno, de Dulce Maria Cardoso

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Por Pedro Fernandes O retorno , de Dulce Maria Cardoso, chegou ao Brasil um ano depois da publicação em Portugal. Em 2012, o livro já estava marcado pela repercussão alcançada no país de origem – não só as várias resenhas elogiosas, os interesses acadêmicos, a obra havia sido premiada como o Livro do Ano / Prêmio Especial da Crítica. A história desse sucesso, apesar de o nosso país padecer de uma anomia quando o assunto é a recepção de uma obra literária (há casos escusos mas que não cabem na acepção do termo), se repetiu de alguma forma. Evidentemente, não com o mesmo vigor português, mas em nada podemos dizer que por aqui foi um acontecimento despercebido; basta citar o rápido tempo entre a primeira e a reedição da obra e então teremos um elemento corroborativo com o que vimos dizendo. No caso de Portugal, parte da maneira como livro chegou àqueles leitores se deveu ao fato de ser O retorno uma narrativa, apesar de integralmente ficcional , que toca pr...

Revolução invertebrada

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Por Carlos Pardo A Abbas / Magnum Photos. V. S. Naipaul em Grenada, 1983.  A morte de V. S. Naipaul (1932-2018) reaviva uma polêmica que acompanha o escritor desde quando recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, em 2001: o velho clichê de se os gênios são boas ou más pessoas. E se “quanto mais sutil e intensa se fazia sua prosa, maior era a impudência de seus comentários em público”, como escreve seu biógrafo Patrick French, de Naipaul chegavam a expor como contradições ideológicas ambíguos segredos de alcova. Também lhe chamaram de racista, preconceituoso e “lacaio depreciável do imperialismo”; opiniões gravadas inclusive nos obituários. Muitos dos exemplos contrários estão em O escritor e o mundo [tradução livre], contundente compilação de crônicas de viagens datadas entre 1962 e 1992. Lidas hoje, alguém pode recordar o desejo de Schiller: não dês ao teu tempo o que te pede, mas o que necessita. Nascido numa família indiana emigrada na ilha de Trinidad, es...

Amor, casais e casamentos em William Shakespeare (2)

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Por María Méndez Peña Frederic Leighto. The reconciliation of the Montagues and the Capulets over the Dead Bodies of Romeo and Juliet. Amor pode significar amante, amigo, ou um tipo de ação. Há uma aberta proximidade entre amor e amizade. Às vezes por amor significa de todas as formas . Os assuntos do amor luzem por trás das cortinas, de onde saem os cenários: ali se conjuga uma fina sensibilidade ao prazer e à dor com uma enorme capacidade de idealização estética. As alusões maravilhosas ao amor em Shakespeare provêm de uma personagem muito jovem e apaixonada, Romeu. Ele, no começo da tragédia, afirma: “O amor é dos suspiros a fumaça; puro, é fogo dos olhos que os olhos ameaça; um mar de lágrimas de amantes. Que mais será? Loucura temperada, fiel ingrato, doçura refinada”. Sobre o amor, um caso extremo mas retorcido, como corresponde ao personagem, aparece na corte do Duque de Gloucester a Lady Ana viúva, em frente ao caixão de seu esposo, num confuso jogo de p...

Advertência e ruminação: breves notas sobre Esaú e Jacó, de Machado de Assis

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Por Guilherme Mazzafera Cressida Campbell. Boa parte do que hoje se entende por teoria do romance decorre do posicionamento dos autores em prefácios que, muitas vezes, cumpriam a função de justificativa para o empenho da pena em uma forma nova, arredia a métricas e poéticas, dada a enchimentos e digressões e, acima de tudo, que carecia do caráter sério que os gêneros estabelecidos pelas preceptivas emanavam e exigiam. Embora se possa vislumbrar no século XIX – o “século sério” na poderosa definição de Franco Moretti – um momento de supremacia da forma em sua afirmação de pintura da vida, o recurso dos prefácios e advertências permanece como elemento poroso que reforça ou, nos casos mais interessantes, contesta seu próprio anseio mimético. Nos romances de Machado de Assis, o prefácio, prólogo ou advertência ao leitor tem certa composição proteica. Em Ressurreição (1872), seu primeiro romance, escutamos a voz do autor empírico que percebe a obra que oferece a...

Boletim Letras 360º #291

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Na sexta-feira, 14 set.'18, publi camos o resultado da promoção que sorteou O Dom da amizade , de Colin Duriez (HarperCollins Brasil). Isso em nossa página no Facebook , de onde copiamos as notícias apresentadas a seguir. António Lobo Antunes é o novo nome na prestigiosa coleção francesa Pleaide. Segunda-feira, 10/09 Brasil: Premiado e quisto por figuras como Margaret Atwood, chega às livrarias Fique comigo , da nigeriana Ayọ̀bámi Adébáyọ̀ Yejide e Akin se apaixonaram na faculdade e logo se casaram. Apesar de muitos terem esperado que Akin tivesse várias esposas, ele e Yejide sempre concordaram que o marido não seria poligâmico. Porém, após quatro anos de casamento — e de se consultar com médicos especialistas em fertilidade e curandeiros, tomar chás estranhos e buscar outras curas improváveis —, Yejide não consegue engravidar. Ela está certa de que ainda há tempo, mas então a família do marido aparece na sua casa com uma jovem moça que eles apr...