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Mostrando postagens com o rótulo John Steinbeck

Sobre celulares, ratos e homens

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Por Gabriel Stroka Ceballos Esses dias terminei de ler Ratos e homens . O clássico de Steinbeck fala sobre a amizade de dois tipos muito diferentes entre si: Lennie, um grandalhão bruto e ingênuo como uma criança e George, um homem pequeno, inquieto e sagaz. Mas, como todo clássico, o livro também fala (ou ao menos abre margem) para muito mais. Um destes pontos é a solidão quase onipresente entre os demais personagens. Publicado em 1937, à época da Grande Depressão, Steinbeck conta sobre a busca destes dois parceiros por trabalho nas fazendas da Califórnia. A diferença entre eles e os demais personagens é que aqueles têm um vínculo profundo, enquanto todos os outros são como ilhas.  Inicialmente, essa repetida independência de relações poderia ser explicada pela situação social e histórica das figuras retratadas. São trabalhadores pobres tentando sobreviver na longa ressaca de uma crise econômica. A justificativa então seria que eles não se envolviam entre si...

John Steinbeck muito além da ira e do Éden

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Por Roberto Breña Para Ale, razão porque Steinbeck é significativo; A René, por sua amizade “Sempre me pareceu muito estranho. As coisas que admiramos nos homens, bondade e generosidade, franqueza, honestidade, compreensão e sentimento são os elementos do fracasso em nosso sistema. E as características que detestamos, astúcia, ganância, cobiça, mesquinharia e egoísmo, são os fatores do sucesso. Enquanto os homens admiram as qualidades que citei, adoram o resultado das outras características.” John Steinbeck, A rua das ilusões perdidas Exceto As vinhas da ira   e Ao leste do Éden , os dois grandes romances de John Steinbeck (1902-1968), e duas de suas narrativas mais longas, Ratos e homens e A pérola , praticamente todo o resto da extensa obra desse autor é pouco conhecida e diria pouco lida. “Pouco lida” é uma expressão necessariamente subjetiva, inverificável e que, além disso, é quase anódina num mundo em que os “grandes escritores” são cada vez menos ...

Pastagens do Céu, de John Steinbeck

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Por Pedro Belo Clara Apesar de se inserir no grupo das primeiras obras do escritor norte-americano, em Pastagens do Céu (1932) já é possível identificar alguns dos traços e temas que, um pouco mais tarde, consolidariam os contornos da identidade literária do autor. Afinal, o seu primeiro sucesso, O Milagre de São Francisco , estaria apenas a três anos de distância e a sua magnum opus , As Vinhas da Ira , não tardaria mais de sete a ser publicada. O presente trabalho convida-nos a visitar um fértil vale, o Corral de Tierra, em Monterrey, Califórnia, o estado natal de Steinbeck e o principal motivo das suas inspirações, especialmente durante a primavera da sua carreira. A obra aglutina doze curtas narrativas, onde se relata, de forma genuína e globalmente poética, a vida de diversas famílias que aí habitam. É certo que falar de Steinbeck é lembrar alguém fortemente ligado à terra e ao homem de condição mais simples, é evocar as fortes preocupações sociais que se...

A América e os americanos, de John Steinbeck

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Por Pedro Belo Clara A América e os americanos foi lançado em 1966; reúne mais de cinquenta ensaios e peças jornalísticas produzidas ao longo de 30 anos (1936-1966), assume-se claramente como uma indispensável referência na obra de John Steinbeck, o amado autor norte-americano, prémio Nobel da literatura em 1962, funcionando com igual eficácia no papel de introdução à mesma. Ao longo desta antologia, transmitida pela peculiar sensibilidade e acurada visão do autor de A leste do paraíso , cada leitor tomará um contacto directo com a essência de diversos períodos conturbados do século vinte, desde a Segunda Guerra Mundial à fatídica Guerra do Vietname, isto sem esquecer os indispensáveis discorreres sobre a sociedade da época e as suas maiorais vicissitudes. Sendo um escritor «do povo e pelo povo», como em tempos alguém o nomeou, Steinbeck cedo granjeou a simpatia dos mais desfavorecidos através da defesa explícita dos seus convictos ideais de igualdade de oportunida...

Steinbeck e a rua das ilusões perdidas

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Por Maria Vaz   Confesso que me encontro deslumbrada pela miscigenação cultural e pela divulgação de ‘cultura’ em pequenos nadas escondidos no quotidiano de uma cidade que não dorme: São Paulo estranha-se mas não tarda a entranhar-se pela diversidade, pela novidade eterna, pela oferta e pelas surpresas culturais, acessíveis a todos que por aqui passam.  Foi assim – num misto de surpresa com felicidade literária –, que sorri, por exemplo, enquanto comprava um livro novinho, por dois reais, na Estação de metrô da Sé; foi assim que me perdi na variedade de livros de histórias que fizeram parte de outras histórias, desta vez, reais; foi assim que fui introduzida no mundo fascinante dos “sebos” desta cidade. Destarte, perdida num dos muitos sebos daquela cidade, polvilhados por poeiras de outros tempos, cruzei-me com Steinbeck, enquanto fui deambulando mentalmente pela sua “rua das ilusões perdidas”. A verdade é que nunca antes lera Steinbeck: como pode ...

Sobre “As vinhas da ira”, de John Steinbeck

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Os tempos da ira Por Luisgé Martín Uma família se vê obrigada a abandonar sua casa, despejada pelo banco, e viaja para outro lugar em busca de uma via melhor. Ao final da travessia, essa família descobre que onde chegaram não é um paraíso; seus habitantes lhe insultam e lhe rejeitam como intrusos, não encontram uma casa onde morar, não há muito trabalho e os salários são tão miseráveis que não permitem que vivam com dignidade:  “Imagine que você precisa de gente para um serviço qualquer e que só aparece um homem a querer pegar nesse serviço. Então você tem de lhe pagar o que ele exigir. Mas se, em vez de um, aparecerem cem homens... (...). Suponha que há cem homens a querer esse emprego. Esses cem homens têm filhos e os filhos têm fome. Suponha que uma moeda de dez centavos chega para comprar qualquer coisa aos pequenos. E são cem homens. Você oferece-lhes uma tuta e meia e vai ver: matam-se uns aos outros para ganhar essa ninharia. Sabe quanto me pagaram no último tra...

John Steinbeck no cinema

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cena de As vinhas da ira , um dos filmes a partir de uma obra de John Steinbeck mais conhecidos. O cinema foi generoso como Steinbeck e ele com o cinema. Foram feitas, desde que alcançou a notoriedade ainda jovem (publicou em plena efervescência liberal rooseveltiana As vinhas da ira em 1937 e havia nascido em 1902, tinha, portanto, 35 anos) 17 filmes sobre obras suas e não seria estranho ver outras nos próximos anos. O sucesso cedo levou também a ser quisto para a escrita de alguns roteiros – tarefa que levou ser indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original pelo filme Um barco e nove destinos , de Alfred Hitchcock. Da extensa leva de títulos há quatro filmes mais famosos cuja narrativa é produto de uma adaptação da obra de Steinbeck. Além de As vinhas da ira , adaptada por John Ford em 1940, houve Boêmios errantes , dirigido pela solvência e sutileza com que Victor Fleming representava as ambiguidades sexuais nas relações entre amigos – Spencer Tracy e John Garfield exec...