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Myriam Coeli

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Entre sombra e pedra desfolhada rosa solitário espinho que, alado e mudo, perpassa o tempo. (O tempo do tempo que tempo já era). Myriam Coeli É uma escritora potiguar de fundamental importância ao cenário da literatura do Rio Grande do Norte. Nascida em Manaus, em 19 de novembro de 1926, foi trazida ainda criança para São José do Mipibu, cidade interiorana do estado.  Estudou em Natal e no Recife; e fez os estudos finais em Espanha onde diplomou-se pela Escola Oficial de Jornalismo de Madrid. Com isso foi a primeira profissional mulher no jornalismo a ocupar o devido lugar trabalhando em jornais como Diário de Natal , Tribuna do Norte e A República . Publicou sua primeira obra em 1961:  Imagem virtual , escrito em parceria com o seu marido Celso da Silveira; em 1980, saía do prelo o segundo título, Vivência sobre vivência e Cantigas de Amigo (1981), este último o mais conhecido e o terceiro, Inventário . Morreu em 1982, vítima de um cânc...

O “show” de Truman

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Por Maruja Torres Truman Capote na varanda da casa de tijolos amarelos na Rua Willow, Brooklyn Heights, 1958. Truman Capote foi um dos melhores escritores de sua geração; alguém dotado de ouvido infalível para captar a musicalidade da língua inglesa e para reproduzir a fala do seu povo. Soma-se a isso a magistral habilidade com que mistura o obscuro e o poético, a angústia que serpenteia sob as águas mansas e ainda a grandiosidade descritiva da sua prosa. Era um gênio, como ele mesmo próprio se classificou (a modéstia não foi seu forte), depois de alardear que também era alcoólatra e drogado. Mas estas duas características nem sempre estiveram nele, embora sim a pulsão com que acabaria por se entregar a tais vícios a fim de suprir o medo de ser abandonado, que começou em sua terrível infância e não o deixou até o fim da vida. Na verdade, Capote, que nasceu em Nova Orleans em 1924 e morreu em agosto de 1984 de lenta e repentina overdose de licores e fármacos, ve...

Rememorando Auta de Souza

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Por Pedro Fernandes Que tempo estive não sei! Do mundo inteiro distante, O jardim naquele instante, Foi a terra que eu amei. (fragmento do poema Goivos, Auta de Souza) Há 106 anos, no dia 7 de fevereiro, falecia, vítima da dama branca – assim era como chamavam a tuberculose – a poetisa potiguar Auta de Souza. Filha de Eloy Castriciano de Souza e Henriqueta Leopoldina de Souza e irmã de dois políticos intelectuais, Henrique Castriciano e Eloy de Souza, Auta nasceu em Macaíba em 12 de setembro de 1876; tinha então exatos 24 anos quando da sua morte. Falando em morte, essa foi fiel em torno de sua existência, uma vez que sua mãe morre quando ainda só tinha três anos e seu pai quando tinha cinco anos de idade, levando-a de Macaíba, sua terra natal, para morar com seus avós maternos, em Recife, sendo que, seu avô havia falecido também no mesmo ano em que o pai morrera, 1882. Ainda mais tarde outra vez ela, a morte, vem marcar-lhe sua vida e talvez essa marca ela tenha carregad...

Rádio-documentário sobre Auta de Souza

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Rara edição da única obra publicada por Auta de Souza, Horto  (detalhe) Na próxima segunda-feira, dia 10 de dezembro, será apresentado o rádio-documentário À Sombra do Horto  aos ouvintes da Rádio Universitária da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O trabalho que cumpre o resgate da memória sobre a poeta potiguar trata-se do projeto de conclusão do curso de Lady Dayana Silva de Oliveira, do curso de Comunicação. A apresentação terá uma recepção a partir das 17h, no Auditório do Laboratório de Comunicação da UFRN-LABCOM, prédio por trás da Superintendência de Comunicação. O rádio-documentário À Sombra do Horto é o primeiro da série intitulada Filhos da Terra, com o objetivo de resgatar a história de personagens ilustres do Rio Grande do Norte e começa pela cidade de Macaíba com Auta de Souza, um dos nomes da poesia potiguar. Com duração média de 13 minutos, o programa conta com a participação de professores, pesquisadores, músicos e poetas, qu...

Manuel Bandeira

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Auto-retrato Provinciano que nunca soube Escolher bem uma gravata; Pernambucano a quem repugna A faca do pernambucano; Poeta ruim que na arte da prosa Envelheceu na infância da arte, E até mesmo escrevendo crônicas Ficou cronista de província; Arquiteto falhado, músico Falhado (engoliu um dia Um piano, mas o teclado Ficou de fora); sem família, Religião ou filosofia; Mal tendo a inquietação de espírito Que vem do sobrenatural, E em matéria de profissão Um tísico profissional. É quase impossível negar que não conheça a expressão Vou-me embora pra Pasárgada . Ela está entre outras do gênero, como E agora, José? Talvez isso fosse o suficiente para dizer da consagração de Manuel Bandeira. Mas não é. Assim como também não é apenas relembrá-lo como uma das figuras mais importantes no interior do Modernismo brasileiro. É  preciso dizer, entretanto, antecipadamente, que aquela expressão vale por toda obra do poeta porque foi esta, título de um poema, que lhe v...

Hilda Hilst, por Caio Fernando Abreu

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                            Aos 60 anos de idade, com mais de vinte livros publicados (o primeiro é de 1950) de poesia, ficção e teatro, formada em Direito sem nunca ter exercido a profissão, desde 1967 recolhida à Casa do Sol, um sítio próximo de Campinas, depois de 40 anos de literatura (e, segundo ela, silêncio sobre seu trabalho), há três meses Hilda Hilst caiu como uma bomba nos meios literários brasileiros. Com a publicação de O Caderno Rosa de Lori Lamby , Hilda renunciou publicamente à literatura dita "séria" - que lhe conferira, por parte do crítico Leo Gilson Ribeiro, o epíteto de "o maior escritor vivo em língua portuguesa" - e decidiu publicar, daqui para a frente, apenas histórias pornográficas. Bem-sucedidas, essas histórias, já em segunda edição por Massao Ohno Editor, serão seguidas por Contos de Escárnio e Maldizer , a ser lançado em setembro, pela Siciliano, e pelo Diário de um Sedut...