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Proust e os sentidos da arte

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Por Amanda Fievet Marques  Andy Warhol, Marcel Proust.  De tão incensado grande escritor, embalsamado monumento da literatura francesa, pouco se diz que Proust ouvia cores. Em A prisioneira , movimento do romance Em busca do tempo perdido , a concepção de arte como reveladora de sensações e essências se constitui pela qualidade da linguagem capaz de expressar sensações de ordens de sentidos distintos, conjugando, por exemplo, visão, tato e olfato. Numa conversa com Albertine após seu retorno do Trocadéro, tratando de uma confusão que julga ter acometido Elstir, ao deplorar uma igreja por ela ser nova, o narrador propõe que seja isso uma contradição, pois o que importa é a inserção dos elementos numa percepção global que colha a intensidade das impressões. Como argumento, considera as casas recém-construídas nos bairros dos burgueses ascendentes, num subúrbio dilatado por um tom de branco, que será expresso através de uma linguagem de qualidade particularmente sinestésica: “a p...