Asmática e degredada: transgressões além-tempo em Asma, de Adelaide Ivánova
Por Luan Fontes Adelaide Ivánova. Foto: Acervo da escritora/ Reprodução da revista Claudia Em uma construção caleidoscópica de identidade, anunciada no próprio nome da protagonista, Vashti SeteBestas, voz condutora principal de Asma , obra poética da autora pernambucana Adelaide Ivánova, semifinalista do prêmio Oceanos e vencedora do prêmio APCA 2025 na categoria Poesia. A antiga rainha persa, primeira esposa de Xerxes, é centralizada nos versos de Ivánova e leva o leitor por sua jornada migratória pelo espaço-tempo, reconstruindo e/ou reinterpretando marcos insignes da historiografia ocidental, a partir de uma perspectiva feminina e disruptiva, em que não apenas escancara e denuncia, mas reconfigura as narrativas masculinas opressoras e excludentes, que, por muito tempo, sobrepuseram e silenciaram a voz e a vez das mulheres na memória historiográfica e na construção do mundo ocidental. Assim se apresenta quando diz seu nome pela primeira vez, já anunciando a natureza dissidente e...