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“A denúncia de tudo quanto mutila a espécie humana e impede sua felicidade nasce da confiança no homem (...) Agora, quando se imagina que a ciência nos ajudou a vencer o terror do desconhecido na Natureza, somos escravos das pressões sociais que essa mesma ciência criou. Quando nos convidam a agir independentemente, pedimos modelos, sistemas, autoridades. Se quisermos verdadeiramente emancipar o homem do medo e da dor, então a denúncia do que hoje se chama razão e ciência é o melhor serviço que a razão pode prestar.” Max Horkheimer Ainda que tudo pareça um fim sem volta, há que se renovar sempre - é este o entendimento para o ano que se inicia. Feliz ano novo. Para baixar cartão, clica aqui

Os livros mais bacanas de 2009

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Por Pedro Fernandes No fim de ano são colocadas em pauta, de papel ou de mente, os feitos e os desfeitos do ano que termina e projetam-se novas possibilidades para o ano que se inicia. Tem sido sempre assim e escapar desse ciclo, me parece, é tarefa fadada ao fracasso. Em 2008, aderi à moda das listinhas e coloquei aquilo que a meu ver foram as grandes presenças que me marcaram. Como tudo é cíclico, cá estou de novo a apontar os feitos que me serviram para ser a pessoa que hoje sou. Limito-me aos livros. Li muito esse ano, creio que mais ainda que nos outros anos, e cito algumas obras geniais, por tudo que este termo abarque. Não é, portanto, esta lista, uma que vise destacar aqueles títulos publicados no ano, mas aqueles que li e deixo o registro em sintonia com a recomendação. 1.  Os sertões , de Euclides da Cunha: desde quando cursava o Ensino Médio que ouvia da professora de Língua Portuguesa que este, juntamente com a obra de Machado de Assis e de Guimarães Rosa (...

Tudo sobre minha Mãe, de Pedro Almodóvar

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Em homenagem ao universo feminino, consagrado diretor espanhol fala de perdão e da relação entre pais e filhos As mulheres sempre ofereceram um pilar de sustentação ao cinema de Pedro Almodóvar: fortes, passionais, vingativas, elas são o veículo pelo qual o espanhol expõe seu humor exótico, os fetiches e desejos, as lembranças de infância. Talvez em nenhum outro momento elas tiveram maior destaque do que em Tudo sobre minha Mãe , obra da fase madura e melancólica, marcada por melodramas. O período teve início com A Flor do meu Segredo  (1995) e Carne Trêmula  (1997) e prosseguiu com o dolorido Fale com Ela  (2002), o sombrio Má Educação  (2004) e o recente Volver  (2006). Na trama, Almodóvar reúne um pouco de almas (femininas) desorientadas e tece um drama delicado sobre o relacionamento entre pais e filhos, a autodestruição (e a subseqüente volta por cima) e o perdão. Manuela (Cecilia Roth) leva seu filho Esteban (Eloy Azorín) para comemorar seus...

Manuel Rui, o verde e a janela de Sónia

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Por Pedro Fernandes Com o escritor Manuel Rui, em setembro de 2009, Salvador. 1. Essas notas ainda vêm do Congresso Internacional da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa realizado em setembro deste ano em Salvador. Em ouras ocasiões falei sobre Maria Teresa Horta, sobre Cleonice Berardinelli e agora abro espaço para falar sobre a figura do angolano Manuel Rui, com quem tive o privilégio de conversar e ver o  lançamento de seu novo livro Janela de Sónia ,   o qual ainda infelizmente o tempo não me deixou ler, mesmo tendo já começado várias vezes, uma, quando ainda no avião de volta para casa. 2.  Manuel Rui é figura respeitadíssima na comunidade da literatura de língua de portuguesa. Foi o autor do Hino Nacional de Angola e como escritor autor de uma arrebatadora escrita que põe em questão a situação de África, de seu país de origem e de seu povo; pelo menos foi o que pude constatar nas sessenta primeiras páginas do Janela de Sóni...

Voltar a Caim

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Por Pedro Fernandes Na vitrine de uma livraria portuguesa, o novo romance de José Saramago. Foto: DN Artes. No Orkut há uma comunidade, das muitas dedicadas ao escritor português José Saramago, e da qual faço parte. Dificilmente apareço por lá em corpo de resposta ou de pergunta. Sempre passo de soslaio, leio superficialmente. Numa dessas minhas passagens, estava posto um questionamento acerca do recém lançado romance Caim. A pergunta era a clássica "o que você achou do livro". Das onze pessoas que já haviam respondido, havia alguns comentários consideráveis, bem pensados, outros somente a cumprir tabela. Fui tentado a ser o décimo segundo a entrar no diálogo, mais pelo fato de que um daqueles onze que haviam dado sua opinião - a grande maioria dizia ser este um livro ruim - ou, simplesmente consideravam o livro um lixo. Bem o que dizer de Caim ? Qualquer leitor saramaguiano que se preze verá que este não é um grande livro (se tomarmos textos como o próprio Ev...

Palavras sobre Palavras de pedra e cal

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Por Pedro Fernandes Esta postagem inteira o leitor do Letras in.verso e re.verso sobre a publicação de  Palavras de pedra e cal. Como explicado noutra ocasião por aqui, trata-se de uma breve antologia que reúne todos os meus poemas publicados em diversas vias online e muitos em circulação nesse blog, o primeiro motivo de vê-los juntos num mesmo arquivo. O livreto amplia essa necessidade. E tomara que venha ganhar forma num material impresso, claro, ainda o instrumento de melhor realização de qualquer obra. É uma publicação gratuita, preparada com muito carinho e puro experimentalismo do autor, o responsável por todas as peças que integram a apresentação da antologia. Desde a capa, a concepção gráfica, a elaboração do blog, dos papéis de parede, dos vídeos. Palavras de pedra cal   assim apresentado deixa a critério do leitor o zelo em baixar, imprimir, ler, partilhar com outros leitores, mas com a cautela de citar sempre a fonte. É o mínimo de a...