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O atual estágio que ainda estamos (II)

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Por Pedro Fernandes Prometi não fazer nenhum discurso acalorado pela data; entretanto, é mais que eu. Não resisti, e eis que me posto a dizer o que se segue: Outro dia comentei por aqui (veja no final do texto) acerca de uma pesquisa que apontava números de um país homofóbico chamado Brasil. Pois, os números dessa pesquisa só vem confirmar outra estatística: a do elevado número de mortes a homossexuais no país, que segundo pesquisa do Grupo Gay da Bahia foi de 198 em 2009, um número maior do que em 2008, confirmando um aumento da escalada do horror no país. Associado a esse número que poderia ser, muito bem, um número para medir a intolerância, em nota divulgada às vésperas do Dia Internacional da Mulher, outra estatística vem nos assustar: segundo a alta comissária das Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, é de  5 mil o número de mulheres, que a cada ano, em todo o mundo, são assassinadas tendo por justificativa a "defesa ...

Big Brother Brasil

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Por Pedro Fernandes Anda pelas caixas de e-mails, pelo menos na minha chegou, um cordel produzido (pelo menos assim está atribuída a autoria) por Antonio Barreto acerca do programa Big Brother Brasil. Bem, houve uma edição do programa, a primeira, que consegui acompanhar de cabo a rabo; da segunda em diante criei uma aversão ao programa; agora na décima edição, revejo alguns pontos dessa minha aversão que em muitos se assemelham ao grito de Antonio Barreto. Não quero defender o programa. Ele é nocivo, disso não tenho dúvidas. Mas também não tenho dúvidas de que o tal zoológico humano que o cordelista fala ("um zoológico humano / Onde impera a esperteza/ A malandragem, a baixeza:/ Um cenário sub-humano") é o retrato cada vez mais fiel a que estamos reduzidos: tirando toda mutreta que rola entre participantes e diretor do programa a fim de fabricar situações para audiência, o Big Brother é o que somos, a malandragem, a baixeza, a esperteza. Não que sejamos somente...

Brazil - O Filme, de Terry Gilliam

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Visual delirante acompanhado de "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso, faz desta ficção científica uma obra única Brazil - o filme  é fruto de seu tempo, os anos 1980, quando as produções já faziam reciclagens de outros filmes realizados anteriormente. O diretor norte-americano Terry Gilliam, integrante do extinto grupo Monthy Python (exímio nas paródias de temas consagrados, como a releitura nonsense que fizera sobre a vida de Cristo em A vida de Brian , de 1979, ou sobre os romances de cavalaria em Monty Python em Busca do Cálice Sagrado , de 1975), realiza aqui uma mistura de humor, ficção científica e filme político. As referências estéticas passam por Metrópolis  (1927), de Fritz Lang, e exibem também elementos vistos anteriormente em Blade Runner - O Caçador de Andróides  (1982), de Ridley Scott, tudo embalado numa fotografia estetizada, cheia de luzes brancas e sombras que criam geometrias na imagem. Mas o que caracteriza o trabalho de Gilliam é mesmo a m...

O itinerário pelas cinzas da memória

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Por Pedro Fernandes Não faz muito tempo que eu redigi um texto para o caderno Domingo , do jornal De Fato , por onde sempre tenho publicado material, que tratava, o referido texto, do descaso com a memória no Brasil, mais ainda no Rio Grande do Norte; o texto reflete sobre dois lugares que eu visitei há algum tempo: o Museu Municipal, antiga cadeia pública, em Mossoró e o Instituto Geográfico, em Natal. O fato é que nas avalanches tecnológicas - que de vez em quando nos deixa na mão, perdi este texto e por ter ido tardiamente ao jornal também não consegui, misteriosamente, localizá-lo. Acontece; e quando algumas contribuições para a imprensa são enviadas para veículos diversos e às vezes pela morosidade com que os textos são editados nem sempre o autor consegue acompanhá-las. E, pronto, perdem-se; cai no extenso buraco negro da inexistência. Antes de ir ao jornal, cavoucando na web através do Google, fui parar não num arquivo que desse com o meu texto perdido mas com ...

Os livros fundamentais segundo José Mindlin

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A primeira vez que li esse nome, foi quando da última edição de  Navegos , livro de Zila Mamede, cuja a orelha era assinada por ele; depois tive a oportunidade de assisti-lo em entrevista ao Programa da TV Cultura Roda Viva . Esse paulista com então 95 anos veio a falecer em 28 de fevereiro passado. O país perde, certamente um ícone, mas não deve perder o significado de quem foi José Mindlin: um apaixonado pelos livros, um leitor assíduo, um grande pensador. Sua paixão pelos livros só teve data de início -  treze anos de idade - e de lá para cá não parou. Lembro-me das peripécias que o bibliófilo contava no Roda Viva  a cata de seus livros raros. Seu primeiro livro foi Discours sur l'Histoire universelle , de Jacques-Bénigne Bossuet, edição de 1740. Deixou um acervo de mais 40 mil volumes, incluindo obras de literatura brasileira e portuguesa, relatos de viajantes, manuscritos históricos e literários (originais e provas tipográficas), periódicos, livro...

Aquela ida indevida ao cinema

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Por Pedro Fernandes Muita beleza para nada. Idas e vindas do amor , um símbolo de pura perda de tempo no cinema.  São muitos os filmes que assistimos; mas os que marcam de verdade são poucos. No meu estágio de leigo na sétima arte sempre digo que filme bom é o que de alguma forma incita-nos a pensar por outro ângulo o que é tido como supostamente corriqueiro. Isso é algo que tem sido pouco valorizado ultimamente na arte de contar histórias com imagens. As telas estão preocupadas, e mais agora com a ascensão do 3D, com filmes de muitos efeitos visuais e pouco ou quase nada de enredo. Apenas interessado no entretenimento para a vista. Além do rol desses filmes pobres de enredo e rico em efeitos visuais há ainda um outro: o dos filmes ricos em bestialidade mas que ainda assim por motivo desconhecido escapa com um bonzinho ; são divertimentos para dias quando estamos interessados pelo banal, afinal, qual mortal não já terá se dado ao desfrute de queimar algumas horas caras d...