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Encontros como Mia Couto

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Por Pedro Fernandes Mia Couto. Foto: Bel Pedrosa. Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada. Ninguém no plural. Ninguéns. Mia Couto, O fio das missangas É assim que uma das personagens narradoras finda "A despedideira", de O fio das missangas .  Conheci Mia Couto sendo poeta com o livro  Raiz de orvalho e outros poemas . E devo essa descoberta a uma amiga que, num desses congressos, tinha consigo uma leitura da poesia do escritor moçambicano. Li, daí alguns poemas; reencontrei outros depois, numa aula de literatura no mestrado e muito tempo depois encontrei com Terra sonâmbula , ainda o único e melhor romance do escritor. Tenho impressão de que, depois desse título dificilmente ele conseguirá escrever outro romance a altura; apesar de ser muito cedo para fazer essa afirmativa. Mas, o contato com outros romances seus permite-me essa previsão: Mia, dif...

Chico Buarque para TV

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Por Pedro Fernandes Chico Buarque. Divulgação. A idéia é brilhante. Se as histórias sairão do mesmo porte que ela, só saberemos logo mais. Hoje estréia uma microssérie intitulada  Amor em 4 atos que dramatiza quatro grandes músicas do compositor e escritor Chico Buarque. Os episódios serão exibidos até o dia 14, na TV Globo. O primeiro deles foi batizado de "Meu único defeito foi não saber te amar" e tem como inspiração a canção "Mil perdões" . A direção é de Roberto Talma e Tande Bressane . Com direção de Tadeu Jungle, "Ela faz cinema" tem como fonte a canção homônima de Chico lançada pelo compositor em 2006. Os dois últimos episódios são ligados entre si e levam os nomes das canções "Folhetim" e "As vitrines". Esses últimos capítulos têm a direção do cineasta Bruno Barreto. Abaixo selecionei quatro vídeos com as canções que darão tom à microssérie. No primeiro vídeo Gal Costa canta "Mil perdões"; no segun...

O ano da morte de Ricardo Reis, de José Saramago

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Por Pedro Fernandes O ano de 1936 parece ter sido um daqueles anos em que a humanidade experimenta quase que todas as dimensões de suas extremidades históricas - instaura-se e expande-se na Europa e ao redor do mundo um modelo de governo opressor baseado no levante dos nacionalismos, em Portugal traduzido com a ascensão de Salazar ao poder; gesta-se, mal saídos de um grande conflito, a Segunda Guerra Mundial, a Frente Popular francesa e a Guerra Civil em Espanha... Já para o fim do ano anterior morre Fernando Pessoa. É com esse painel histórico de turbulências, onde tudo parece está por vir a tona a um só tempo e com esse desfecho trágico da morte do poeta-maior, que volta a Portugal, depois de uma longa estadia pelo Brasil, um auto-exílio, na verdade, o heterônimo Ricardo Reis. O romance toma proveito de ser Ricardo Reis um dos heterônimos daquela tríade mais bem planejada por Fernando Pessoa que ainda não morrera e escala seus últimos dias como um ret...

Kafka ilustrado

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capa da edição de Oportunidade para um pequeno desespero Um novo Kafka? Desde quando se anunciou, em julho de 2010 uma caixa com manuscritos do autor theco que fãs, estudiosos e/ou curiosos da literatura voltaram sua atenção para Franz Kafka. O legado kafkiano foi entregue pelo escritor ao seu melhor amigo, Max Brod, com o pedido de que, assim que morresse, tudo fosse queimado. Brod, no entanto, não cumpriu o desejo do escritor e o resto da história todos sabemos onde está. E desde dezembro de 2010, a Martins Fontes colocou no mercado Oportunidade para um pequeno desespero .   Esse título, Nikolaus Heidelbach, organizador da edição, retirou das páginas de O castelo quando K. encontra-se sozinho na rua com os pés afundados na neve, entre um castelo e uma aldeia desconhecidos, e pensa: “Oportunidade para um pequeno desespero”. As histórias que dão forma ao livro foram recolhidas entre os diários e textos do escritor. E não revelam um novo Kafka, mas o me...

O amante de Lady Chatterley, de D.H. Lawrence

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Por Pedro Fernandes Em 2006, O amante de Lady Chatterley foi adaptado para o cinema. Agora, o romance de D. H. Lawrence é reeditado pela Companhia das Letras com tradução de Sergio Flaksman. Esse romance fez parte de minhas primeiras incursões pelo mundo da leitura e da literatura. Pela época em que o li já tinha andado pelos territórios da Clarice Lispector, do Machado de Assis, do Aluísio Azevedo e estava ainda perdido quanto ao que ler e ainda encantado com romances mas apimentados. O amante de Lady Chatterley me atendeu ao duplo interesse. Vendo que, recentemente, a Companhia das Letras reedita essa obra de D. H. Lawrence achei por bem comentar sobre. Trata-se de um romance de enredo simples. Ainda bem não havia se casado, Constance Chatterly, espécie de Bovary inglesa dada a sua criação burguesa, tem seu marido envolvido com a guerra. Depois de sua volta para casa, Clifford está paralisado da cintura para baixo. Colocando toda sua dedicação numa carr...

As ilustrações muito contemporâneas para um país de maravilhas

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Por Pedro Fernandes Uma das ilustrações de Luiz Zerbini para Alice no país das maravilhas , edição da Cosac Naify, 2010. As imagens revigoram a poeira do clássico e põe novas rodagens de sentido em ação no texto de Carroll. Depois de já ter sido ilustrado por nomes como John Tenniel, Salvador Dalí, Peter Newell, o clássico de Lewis Carroll ganha, passados 144 anos de sua publicação, mais 31 ilustrações singulares criadas a partir de cartas de baralho, recortadas e remontadas compondo vários cenários da obra. A façanha é do artista plástico Luiz Zerbini. A edição veio a lume em 2010 pela Cosac Naify, mas só agora pude pegar o livro e acompanhar de perto o trabalho do artista; e vejo que Zerbini consegue captar sentidos totalmente novos do clássico de Carroll, além do que, as ilustrações são de encher a vista de qualquer leitor. Não é a nova edição uma nova tradução. A Cosac Naify tomou o cuidado de selecionar entre as versões já publicadas no Brasil aquela que até hoje tem ...