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Poética, de Ana Cristina Cesar

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Por Pedro Fernandes Fala-se sobre uma Geração Marginal; depois, fala-se igualmente de uma geração que assumiu, quando de sua constante manifestação na web (desde sempre, o que também é um gesto de vanguarda), a posição central na poesia contemporânea. O que esta geração produziu e o que essas produções passaram a significar atestam para o constante movimento que é a literatura. Que ela não é uma instituição fossilizada, morta, ou posta como santa no altar. Mas é luta constante, via de ser . Movimento que poderíamos conceituar como infinito. Os daquela geração abriam a possibilidade para outras vias da literatura. Num processo que custou o esforço da negação de determinadas estéticas, a rebeldia da imposição de sua estética em muitos casos, mas a convicção, talvez até prepotente, de que neles estava a novidade. Fato é que não havia um movimento mais ou menos estruturado assim como foi, por exemplo, o modernismo. Sobravam certezas, mas rumos nenhum. Ou mesmo as certezas nã...

Obscuro Domínio, de Eugénio de Andrade

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Por  Pedro Belo Clara O retorno à análise, neste espaço de edição quinzenal, de um trabalho de Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, justifica-se pela significativa diferenciação de abordagem de conteúdos (uma espécie de isotopia mais vincada) que os anteriores títulos apresentados detêm em comparação directa com este último. Crê-se, por isso, que uma nova visita ao universo do autor é da maior relevância e interesse para todo o leitor que se dispõe a explorar outros trilhos que, no fundo, compõem a imensa e preciosíssima estrada poética por Eugénio desenhada - o seu grandioso legado literário. Este trabalho prima notoriamente pela diferença e talvez esse seja o prelúdio  da via de justificação do título que ostenta, uma vez que a obra se adorna de motivos, formas e imagens que, embora não sejam estranhas à temática de Eugénio, são aqui apresentadas de um modo distinto - quase como se o autor se decidisse a não restringir mais algo que até então havi...

Boletim Letras 360º #56

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Para relembrar Rimbaud. Rimbaud na África. Um dia depois da maratona poética pelo Dia Nacional da Poesia, ainda há muita poeira de palavras esperando a leitura de nossos leitores. Há uma série de 18 poemas que está em votação para dar um título à escolha dos participantes aos três primeiros lugares. No domingo divulgaremos os nomes dos ganhadores. Fiquemos com as notícias que circularam durante a semana em nossa página no Facebook e outros adendos. Votem aqui . Segunda-feira, 10/03 >>> Brasil: Novo romance de Milan Kundera chega em agosto Desde 2002 que não é publicado do escritor nenhum título do gênero. O longo jejum terá seu fim. A Companhia das Letras publica em agosto A festa da insignificância . No novo romance do autor de A insustentável leveza do ser , Alain vagueia por Paris num dia de verão, se depara com a última moda (calça de cintura baixa e barriga à mostra) e reflete sobre como a sociedade contemporânea colocou o umbigo no centro do ...

Arthur Rimbaud - o protótipo do poeta maldito

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Por Andrés Hax Se alguém quisesse fazer um filme sobre a vida de Arthur Rimbaud devia por bem começar com duas grandes tomadas que serviriam como elementos básicos da narração, mas também como chaves simbólicas para ilustrar a glória e a tragédia do poeta francês que morreu em 1891 aos 37 anos e que deixou de escrever aos 20. Uma das tomadas seria com o poeta caminhando. Poderia-se filmar com a perspectiva desde o chão, a uns quatro metros atrás do caminhante, mostrando sua andança pelos pastos altos dos campos da França, Itália e Bélgica. E também pelas ruas pavimentadas de Paris e Londres da segunda metade do século XIX, acompanhado por seu mentor, amante e companheiro maldito, Paul Verlaine. A segunda seria da ponta da caneta de Rimbaud trazendo palavras sobre folhas em branco. Ali veríamos fazendo seus deveres de latim da escola primária – foi aluno exemplar do seu colégio provincial – e da redação de seus primeiros poemas imortais (é um dos poucos casos em que s...

Doze anos de escravidão, de Steve McQueen

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Por Pedro Fernandes O tema não é novo no cinema. E talvez não haja em meio algum nada de novo mesmo. O que se renova é o modo como os temas são tratados. No caso do filme de Steve McQueen, é a tentativa de dá continuidade em colocar sob a malha da história um fio muito saliente e silenciado pelos da situação nos Estados Unidos. Lá, mesmo tendo passado pela libertação dos escravos antes de colônias como o Brasil, o negro terá padecido de outros gestos de varredura para a margem da história muito mais graves e o Estado, alimentando-se de um ódio formado pela transformação no negro em qualquer coisa, deu parcelas volumosas para contribuição desse terror racista. Antes disso, a aprovação da liberdade aos negros, veio como produto de um conflito que dividiu o país. Recentemente, mesmo, outras produções cinematográficas trouxeram o tema da escravidão e do horror ao negro, bem como esse processo de libertação: estão entre eles, Lincoln , de Steven Spielberg e Django livre , ...

Os mapas de Jack Kerouac em On the road

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Mapa concebido por Jack Kerouac na abertura de suas viagens pelos Estados Unidos. Em 1957, dois romances que foram publicados nos Estados Unidos estavam destinados a ter um efeito profundo sobre aquele país; e de fato, no mundo, os efeitos sobreviveriam muito tempo,  além da vida de seus criadores.  Atlas Shrugged , de Ayn Rand (no Brasil publicado como Quem é John Galt  em 1987 e depois relançado, em 2010, como A revolta Atlas ) e On the road , de Jack Kerouac ( Na estrada ). O primeiro se tornou crítica a uma era republicana, do capitalismo selvagem, do egocentrismo; o outro, abriu a possibilidade para sua decadência e o surgimento dos movimentos não conservadores, como os Hippies e os oposicionistas à conflitos como a Guerra do Vietnã. Sobre On the road , os leitores mais ardorosos do romance já terão tentado mapear a longa jornada de Dean Moriarty. Acima, ilustrando esta matéria e aliviando parcialmente a necessidade desses fãs mais afoitos, um ma...