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O jogo da imitação, de Morten Tyldum

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Fabuloso. Termo utilizado aqui não com o sentido de fantasioso, mas de grandioso e belo. Termo que abrevia uma opinião sobre um título que integra outras produções do gênero: seja A teoria de tudo , Uma mente brilhante , Capote , Milk, Piaf – um hino ao amor, O discurso do rei ... É evidente que, o grande pecado cometido na elaboração da narrativa é a obviedade com que é construída: um jogo previsível, como já admitiu outras figuras da crítica. Entretanto isso é fato muito aceite, se pensarmos quem são os produtores e para qual público o filme é destinado. A obviedade que rouba a cena é também a responsável pela construção bem acabada da obra. E, claro, fantasiar demais quando se lida com cinebiografias seria um problema um tanto grave. Mais ainda quando o filme aposta na ideia do fato real  como se dissesse com isso um maior realismo  da obra. A narrativa de O jogo da imitação  se beneficia de uma série de outros elementos que levam o telespectador ao gos...

A traição ao anonimato papeleiro: os cem anos da primeira edição de “Triste fim de Policarpo Quaresma”

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Por Alfredo Monte Cena da adaptação de  O triste fim de Policarpo Quaresma para o cinema "Meu senhor, exclamou ele no tom mais cortante, onde acredita estar? Desconhece a tal ponto os procedimentos adequados? O senhor deveria antes de mais nada apresentar sua demanda ao encarregado de serviço. Este deveria encaminhá-la na boa e devida forma ao chefe da repartição, o chefe da repartição ao chefe da divisão, o chefe da divisão ao meu secretário, o qual afinal a submeteria à minha apreciação" (trecho de O capote , de Nikolai Gógol) Um dos textos mais brilhantes e lúcidos da nossa ficção, Triste fim de Policarpo Quaresma teve sua primeira edição em livro há cem anos, embora escrito nos primeiros meses de 1911 (a partir de agosto até outubro, saiu em folhetins na edição da tarde do Jornal do Commercio ). Foi a segunda obra que Lima Barreto (1881-1922) conseguiu publicar em sua tumultuada carreira, seis anos após Recordações do escrivão Isaías Caminha . Mu...

“Renuncio à toda responsabilidade, exceto quando opino sobre Literatura” – Michel Houellebecq

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No centro dos atentados a Charlie Hebdo , o escritor Michel Houellebecq foi responsável por uma celeuma: seu novo romance Soumission ( Submissão ) volta a um tema caro para o seu país, tanto quanto o que ensaiou em Partículas elementares (obra que chegou a ser adaptada para o cinema). O livro de 2015, o sexto da sua carreira literária, aborda o futuro da França e o papel do islã. Ambientado em 2022, a narrativa traz um país agitado por problemas que correm misteriosamente: a mídia, por exemplo, é a grande responsável por espalhar o caos ao fazer-se de desentendida quanto a seu exercício de manipulação. Nesse cenário, em poucos meses, um líder de um partido muçulmano de criação recente é eleito presidente. Na noite de 5 de junho, na segunda rodada das eleições gerais – a primeira fora anulada por fraude eleitoral – Mohammed Ben Abbes vence oportunamente Marine Le Pen com o apoio tanto dos socialistas como da direita. Numa entrevista exclusiva para The Paris Review , o e...

O concerto interior – evocações de um poeta, de António Osório (Parte II)

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Por Pedro Belo Clara Muito naturalmente, a infância extrapola-se e a adolescência, primeiro, e a idade adulta, depois, aguardam a sua justa vez. Tais capítulos existenciais seriam para o nosso autor etapas que não se veriam desfloradas das maiores virtudes de carácter aprendidas junto de seus pais, dos quais a compaixão e a prestabilidade diante de terceiros se sobressaem como exemplo. Os tempos de liceu também merecem destaque, pois revelaram-se o berço do encontro com os (ainda) jovens Cristovam Pavia (celebrado em poema por Ruy Belo) e Pedro Tamen, dois nomes de vulto da poesia contemporânea portuguesa. Sobre a época, em prosa escreveu (“Vozes Íntimas”, 2008): «Na pequena roda de amigos, eu seria talvez um dos mais próximos (…). Estes encontros, que buscavam o prazer, o encanto da amizade e a beleza, (…) com a presença de Cristovam, discretamente irradiante, estes encontros constituem uma das mais gratas recordações da minha adolescência». De igual modo, s...

Boletim Letras 360º #103

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José Saramago: um escritor sempre no centro das atenções. Nas celebrações pelos 35 anos do romance Levantado do chão  a Fundação que leva seu nome relembra pontos importantes sobre esse que é um dos principais romances do escritor português; no Brasil, os leitores recebem a primeira edição eletrônica da Revista de estudos saramaguianos . 100 publicações dessas; 100 semanas desde que decidimos preencher a vasta rede social com informação sobre um trabalho que dignifica o homem por sua criatividade: a literatura e as demais expressões artísticas. Que esses 100 boletins sirvam de impulso para fazer ainda muito sobre os temas aos quais se dedica o Letras.   Segunda-feira, 02/02 >>> Brasil: A vida criativa de Philip Roth em português A Companhia das Letras apresenta em fevereiro Roth libertado . Escrito por Claudia Roth Pierpont, a obra é um relato envolvente, capaz de mergulhar na complexidade do trabalho de um dos maiores nomes da literat...