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Mostrando postagens com o rótulo Carlos de Oliveira

O aprendiz de feiticeiro, de Carlos de Oliveira

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Por Pedro Belo Clara A sugestão que hoje propomos, estimado leitor, é essencialmente dirigida a todo aquele que nutrir um interesse profundo não só na obra deste autor em particular como também no homem que foi Carlos de Oliveira, nas suas vivências mais pertinentes e nas opiniões sob temas diversos que considerou por bem partilhar quando a oportunidade se lhe deparou. Pois o livro em causa compila textos, compostos em estilo de crónica, publicados em jornais e revistas durante as décadas de 40 e 70, sendo o mais antigo datado de 1945 e o mais recente de 1970 (datas de redação, diga-se, não de publicação), textos esses onde Oliveira abre um caminho até aos seus âmagos mais íntimos, expondo assim opiniões, visões, celebrações. Com o correr das páginas, uma determinada figura começará a delinear a nitidez dos seus contornos, revelando assim a sua centralidade na obra. Mas já lá iremos. Por ora, importa referir que, pelas razões antes expostas, o nosso texto de hoje funcionará ce...

Casa na duna, de Carlos de Oliveira

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Por Pedro Belo Clara Eis um nome de excelência do neo-realismo português. Dadas as anteriores discussões que neste espaço tivemos, sobre o autor e alguns dos seus trabalhos ( ver o final desta post ), a adjectivação não poderá constituir uma assombrosa surpresa. Apesar da obra publicada em prosa ser escassa, facto também agravado pelo precoce desaparecimento do autor, o seu nome será certamente um desses que adquirem uma dimensão somente justificada pelo génio que lhes assiste, sublinhado posteriormente no simples exercício material do mesmo.   Editado pela primeira vez em 1943, Casa na duna , um romance, poderemos dizê-lo, de “tenra idade”, apresenta-se como uma agradável surpresa aos olhos do leitor. Ainda que a versão tida por “definitiva” tenha surgido só em 1980, um ano antes da morte do autor, na sétima edição da publicação orientada pela Livraria Sá da Costa Editores, a narrativa encerra já linhas de notável maturidade. Carlos de Oliveira tinha apenas, ...

Uma abelha na chuva, de Carlos de Oliveira

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Por Pedro Belo Clara Considerada pela crítica competente, sem desaguisados de maior, um dos trabalhos mais emblemáticos de Carlos de Oliveira, a presente obra foi dado aos prelos no já distante ano de 1953 e comprovou, com a devida propriedade, a extrema aptidão do autor para o estilo novelístico. Se é verdade que Oliveira iniciou a sua carreira literária através da poesia, género de que nunca abdicaria, para o leitor mais comum a faceta de romancista é a que mais sobressai em termos de divulgação ou de conhecimento geral. Contudo, afirmar que foi nela que o dito autor demonstrou todo o seu supremo talento é, efectivamente, redutor.  Convém aqui recordar que Oliveira foi um dos destacados vultos do neo-realismo português, levando-o até, segundo a opinião de muitos estudiosos, a terrenos que nenhum outro jamais ousara pisar, o que sublinha a extrema originalidade da sua voz. A tal aspecto acresce, quase subsequentemente, o cariz regionalista que viria a imprimir na ...

Mãe Pobre (Trabalho Poético), de Carlos de Oliveira

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Por Pedro Belo Clara Cumprindo a promessa que no anterior artigo efectuei junto de si, estimado leitor, venho na presente publicação apresentar o segundo livro de poesia editado por Carlos de Oliveira: Mãe Pobre . Lançado em 1945, num ano de significativo frémito mundial, o trabalho remete-nos aos duros tempos vividos num Portugal sufocado pelos negrumes do regime fascista então vigente, de certa forma isolado dos grandes palcos de acção que no resto da Europa tinham o seu lugar. Ainda que os ecos do conflito mundial, sua resolução e consequentes alterações nas economias e nas geografias à época habituais não cessassem de vibrar junto da lusa nação, o poeta optou por olhar para dentro e realizar um trabalho impregnado de revolta, denúncia e desejo de amanhecer. Longe de ser um livro meramente interventivo, é, em acréscimo, um livro de sensibilização, cujas linhas se tecem no intuito de sublinhar veemente a necessidade de iluminar uma nação e um povo amordaçado e cad...

Turismo (Trabalho Poético), de Carlos de Oliveira

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Por Pedro Belo Clara Não seria caso singular, no que a esta rubrica diz respeito, o facto de se apresentarem, num só artigo, duas obras de um mesmo autor. Recordo que, meses atrás, um igual método foi utilizado na apresentação de dois trabalhos poéticos de Eugénio de Andrade. Acontece que, apesar da sua aparente brevidade, acrescida da condensação temática e do estilo maioritariamente concreto, todo o sentido dessa hipotética “anexação devidamente individualizada” dilui-se quando se empreendem os primeiros passos do processo analítico. Assim sendo, apresentar-se-ão aqui, neste espaço, e com a merecida propriedade, os dois primeiros livros de poesia editados por Carlos de Oliveira, embora separados pela habitual semana de intervalo entre publicações. A razão que sustentou a escolha das primeiras (e não das derradeiras) obras verificar-se-á, estou certo, no desenrolar do artigo, mas poderei desde já adiantar a intenção de muito em breve dar destaque aos seus trabalhos mais tar...