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Marguerite Yourcenar

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Por Juan Malpartida Marguerite Yourcenar. Foto: Gisèle Freund Em diversas ocasiões, Marguerite Yourcenar (Bruxelas, 1903-Bar Harbor, Maine, 1987) afirmou ter buscado mais a exatidão do que a verdade. Para a autora de  Memórias de Adriano , observar bem é tão importante quanto pensar, ou mais. Naturalmente, o que Yourcenar está dizendo, além de se colocar numa linha empirista que a aproximava tanto de certos filósofos ingleses quanto dos moralistas dos séculos XVII e XVIII de sua língua, é, por um lado, que observar bem é o começo de um raciocínio válido ou já é meditação em si, e, por outro, que pensar sem levar em conta os fatos, os dados da experiência, a história, o que está definitivamente fora, pode ser uma espécie de ginástica que beira o na frivolidade ou, às vezes, no delírio.   A correspondência de Yourcenar ( Lettres à ses amis et Quelques autres , 1995), do que conhecemos umas trezentas cartas das mil que deixou para sua futura publicação, se caracteriza por esta ca...

Marguerite Yourcenar e Grace Frick

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Por Telma Amaral Gonçalves  Marguerite e Grace conheceram-se em 1937 ocasião em que Grace, que era americana, estava em viagem pela França. Encantada por Marguerite, Grace se apaixona e passa com ela todo o restante de sua vida o que soma quarenta anos de relacionamento.  Marguerite era oriunda de uma família aristocrática e tendo perdido sua mãe onze dias após o parto, foi criada pelo pai de quem recebeu uma educação clássica, complementada por inúmeras viagens pelo mundo. Desde jovem passou a se dedicar à literatura, tornando-se uma escritora consagrada, a ponto de em 1981, ter sido a primeira mulher a ingressar na Academia Francesa.  Grace Frick também pertencia a uma família abastada do sul dos Estados Unidos e tendo ficado órfã cedo foi criada por um tio. Obteve seu diploma de Bacharel em Arte, em 1925 e seu Mestrado em literatura inglesa, em 1927, após o que tornou-se professora universitária.  Depois do contato inicial, Marguerite e Grace ...

Uma francesa trabalhadora

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Por Alberto Manguel Em 23 de fevereiro de 1937, Virginia Woolf anota em seu diário que, no dia anterior, a tradutora para o francês de seu romance As ondas havia vindo consultá-la: “Não tenho nem tempo nem espaço para descrever a tradutora, salvo para dizer que levava umas lindas folhas de ouro em seu vestido negro; é uma mulher que suponho ocultar algo em seu passado; dada ao amor, intelectual; vive a metade do ano em Atenas; é parte do grupo de Jaloux [o influente crítico francês]; de lábios vermelhos; tenaz; uma francesa trabalhadora; amiga dos Margerie; prosaica”. Trata-se, acrescenta Woolf apressadamente, de uma “senhora ou senhorita Youniac (?) Não é esse seu nome”. Seu nome (ou o nome que havia elegido) era Yourcenar. Por razões econômicas havia aceitado traduzir o romance de Woolf; o encargo lhe brindava com o privilégio de conhecê-la. Anos mais tarde, Yourcenar descreveria aquele encontro “na escuridão de um salão iluminado apenas pelo fulgor da casa”, onde as duas ...

Marguerite Yourcenar

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Durante toda sua vida, Marguerite Yourcenar se esquivou de qualquer tipo de confidência, inclusive quando escreveu sua autobiografia,  O labirinto do mundo . O primeiro volume,  Recordações de família  (1974) está dedicado à figura de sua mãe e à sua família, e o segundo,  Arquivos do norte  (1977) à família de seu pai, um homem aventureiro. Segundo muitos críticos, a ideologia, as paixões e a concepção de mundo da escritora devem ser buscadas nos seus livros e não nos acontecimentos de sua biografia, que ela simplesmente cuidou de manter em silêncio por considerar, provavelmente, que não tinham o menor interesse para os seus leitores. Em meio século de literatura, Marguerite Yourcenar compôs uma obra breve e de alta qualidade: catorze livros em prosa, dois de poemas, seis peças de teatro e seis volumes de traduções. Nunca deu nenhum por terminado e toda sua obra foi reescrita uma e outra vez. A escritora deixava que as edições esgotassem e impe...