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Boletim Letras 360º #107

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Durante a semana que antecede o Dia Nacional da Poesia – celebrado no próximo dia 14 de março – estivemos na lembrança de algumas ações já desenvolvidas no intuito de espalhar, para adiante, a poesia. Depois do Facebook, por exemplo, já realizamos um Sarau Virtual (2014) (você pode acessar a ideia aqui ); uma celebração à poesia escrita por mulheres num evento chamado "Porque a poesia é fêmea" (2013) (você pode acessar o álbum de poemas aqui ). E sempre publicamos poesia independente de qual seja o dia (tem um álbum lindo aqui ).   E antes, muito antes do Facebook se consolidar como rede social principal que utilizávamos para atividades dessa natureza: já cultivávamos esse bom hábito em terras já agora inexistentes do Orkut, por exemplo, e antes do Orkut, aqui mesmo no blog (não devemos esquecer que foi daqui que criamos um espaço chamado versos à boca da noite , numa menção a um poema de Carlos Drummond de Andrade, e que serviu depois para uma coluna atuante ainda no blog d...

Nelson Rodrigues e A vida como ela é

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Nelson Rodrigues pode ser designado como um famoso dramaturgo, cronista, jornalista, romancista – encoberto sob o pseudônimo feminino de Suzana Flag –, polígrafo, moderado pornógrafo e amante do futebol. Tantos depois, o mundo segue redescobrindo sua obra enquanto no seu país ainda segue como um desconhecido de leitura necessária; A vida como ela é , por exemplo, foi traduzida pela primeira vez para o espanhol agora em 2015. Obra significativa (para não dizer a mais significativa) de Nelson.  Retrata os hábitos amorosos da sociedade carioca dividida em duas classes sociais distintas: há peças que tomam como foco os mais abastados; outras, os marginais, aqueles sequer podem alimentar seus filhos. Mas, em grande parte, Nelson foi um observador contumaz da classe média; em A vida como ela é  mesmo, a maioria das vezes o centro de atenção se situa aí. E outro detalhes: há, sobretudo, um trânsito fluente entre classes – como foi representado pela literatura des...

Revisitando histórias bíblicas: Caim, de José Saramago

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Por Cláudio Capuano   "A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele". "Caim é o que odeia deus". Saramago, Caim Após dezessete anos da publicação de  O Evangelho segundo Jesus Cristo , o  escritor português José Saramago retomou um tema criado a partir do evangelho:  Caim . Publicado no segundo semestre de 2009, o livro é um romance, no qual, por meio da figura do primeiro filho do primeiro casal humano, somos confrontados não só com o tema, mas também com os posicionamentos em relação aos preceitos religiosos de base judaica do nosso prêmio Nobel de 1998. A leitura de  Caim  é fluida, agradável, instigante. Nela nos deparamos com uma história, cujo princípio coincide com início da Bíblia. Nos dois primeiros capítulos, ali estão Adão e Eva às voltas com a incipiência do existir. Ganham a fala, comem do fruto proibido, perdem o direito de es...

Roth libertado, de Claudia Roth Pierpont

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Por Anna Caballé Sempre foi dito que Jonathan Swift, talvez o mais importante escritor em língua inglesa de seu tempo (com a licença de James Boswell), foi um escritor que unia à sua grande inteligência uma absoluta incapacidade para a ilusão. Um oculto desespero o levava ser crítico de todos os valores dominantes a fim de ameaçar as próprias raízes da existência humana como faz em As viagens de Gulliver . E agradeço a autora de Roth libertado . O escritor e seus livros , Claudia Roth Pierpont, que sugere as relações apreciáveis quanto ao talento e a sensibilidade dos dois romancistas. Porque, de fato, mesmo com séculos de distância, os dois têm relações em comum: recorrem à sátira como principal instrumento de sua literatura, e há também neles o desejo de renovar a prosa de seu tempo, dotando-a de uma nova e pulsante vitalidade. E não só isso: os dois se caracterizam por um componente obsessivo e amargo de sua personalidade que ocasionalmente o conduzem ao lugar da depres...

Graça infinita, de David Foster Wallace

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Por Pablo Guzman Serei honesto por um momento e reconhecerei que não sou capaz de resenhar este livro. Inclusive irei mais além da honestidade e direi que, no mundo, há pouquíssima gente com a capacidade de fazê-lo. É uma obra monumental, estranha, densa e complicada; foi escrita por um autor monumental, estranho, denso e complicado. Por isso, me limitarei aqui a esvaziar de minha mente tudo o que possa recordar sobre esta experiência de leitura, com o objetivo de ordenar meus pensamentos e elucidar certas questões. “Yes, I’m paranoide – buit am I paranoid enough?” Recordo que, quando findei O leilão do lote 49 , fiquei quase fechado em meu quarto. Havia chegado do instituto e faltavam cinquenta páginas para terminar e queria acabá-las com tranquilidade. Na minha mente se guardavam teorias e conspirações. Pynchon é um autor único, compreendi imediatamente. Inclusive recordo haver estado numa aula, nesse mesmo dia, e haver feito um pequeno diagrama para ordenar o qu...

Alegorias dramáticas do herói romântico (Parte 3)

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Por Leonardo de Magalhaens © Eugènie Delacroix.  O prisioneiro de Chillon  O lado menos sombrio – ou o mais idealista ou satírico  –  do poeta romântico Com o amadurecimento do Poeta – de byroniano a anti-byroniano – enquanto arquiteto e demolidor da imagem romântica do herói, destaca-se as obras em que se evidenciam a pregação da Liberdade (como é o caso de Chillon ) ou a visão satírica das aventuras de um romantizado Don Juan, aquele mesmo das tantas narrativas ibéricas (vide o Don Juan , de Molière e o Don Juan Tenório , de José Zorrilla) Da mesma época de Manfred  temos o belo poema “O Prisioneiro de Chillon” (1816), a tratar da ânsia de liberdade e da necessária luta contra as tiranias. O poema abre com um belíssimo soneto, que traduzo, Eternal Spirit of the chainless Mind! Brightest in dungeons, Liberty! thou art, For there thy habitation is the heart - The heart which love of thee alone can bind; And when thy sons to f...