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Mo Yan, o obrigado a calar

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Mo Yan. Autor de vasta obra e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura 2012. Mo Yan era, até a chegada da publicação de Mudança (Cosac Naify, 2013), um total desconhecido dos leitores brasileiros; e, sua repercussão ainda tímida por aqui tem respaldo em diversos fatores: um, a incipiente quantidade de tradutores do chinês para o português no Brasil; outro, da própria conjuntura histórico-social do mundo, a relação Ocidente-Oriente tem um início tardio. Além disso, o escritor chinês ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 2012 vive desde cedo da literatura, mas não é alguém que esteja nos grandes centros do universo editorial; prefere estar reservado ao silêncio e ao trabalho literário. Nasceu no dia 17 de fevereiro de 1955 na aldeia de Ping’an quando este lugar era um pequeno vilarejo chamado Gaomi e pertencia à província de Shandong, a 620Km de Pequim. Quando os moradores do lugar souberam que havia sido galardoado com o prêmio máximo da literatura, logo foram a sua antiga ca...

José J Veiga

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Puro encantamento. Assim poderíamos designar a literatura de José J. Veiga. Uma vez enredado pela correnteza simples da sua escrita, é difícil largá-la. Mas, não é uma mera literatura de entretenimento. Encontra-se entranhada de uma reflexão crítica sobre o contexto histórico, político e social de seu país. De modo que, o exercício escritural zela pelo efeito formal da alegoria, isto é, dedica-se a contar uma situação com o intuito de denunciar outra. Essa combinação não é coisa fácil, daí que nesse procedimento, é a própria escrita que se afasta do tipo trivial da literatura de entretenimento. Isto é, a simplicidade não deve ser confundida facilidade; e talvez, encontremos nesse confusão aquilo que fez com que a obra de Veiga não esteja ao alcance do leitor mais refinado. Processo que culmina desmerecidamente com o esquecimento do grande público. Saibam desde já, entretanto, que esse escritor é autor de alguns dos títulos indispensáveis para o conhecimento sobre a diversidade d...

Boletim Letras 360º #122

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Fechamos mais uma semana de blogagem . Por aqui, textos indispensáveis; em nossas redes sociais novidades e postagens incríveis e igualmente indispensáveis. Parte das postagens que circulam em nosso Facebook estão neste boletim: é uma cópia das informações que fizeram o blog na rede mais badalada da web . Perdeu alguma coisa? Chegue para cá, então! Agora, antes de lembrar o que foi notícia, vamos lembrar outro evento virtual: a campanha #LembrarSaramago. Nos 5 anos da morte do escritor português, o blog mais saramaguiano da web  brasileiro copiou todas as entradas sobre a obra ou sobre José Saramago já feitas aqui - isso no Twitter. Pode rever tudo através dessa hastag sugestiva e você também pode partilhar outros conteúdos, frases, qualquer coisa relacionada a obra desse incrível escritor. Tá certo? #LembrarSaramago Não esqueçam! Ah,e só uma curiosidade: ao copiar as postagens daqui para o nosso Twitter @Letrasinverso <<< sigam! descobrimos, veja, um manancial! Mai...

Camila e o sagrado profano da literatura

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Por Rafael Kafka Assim como os romances de Clarice Lispector, Nome Próprio , filme de Murilo Salles, debruça-se em uma narrativa que discorre sobre a linguagem literária e suas implicâncias ontológicas. O próprio modo como a história é narrada, começando em uma cena de briga repentinamente mostrada, remete à autora de Paixão Segundo GH . Assim como as heroínas lispectorianas, Camila, a protagonista desse belo filme nacional, debruça-se sobre o escrever de corpo e alma, entregando-se à escrita enquanto reflete sobre o seu fazer poético e na busca por si mesma que se mostra em cada ato de escrita. Blogueira e aspirante à escritora de um livro, Camila escreve sobre suas experiências, em especial as amorosas e sexuais, procurando a cada momento entender-se enquanto ser. Nada se sabe sobre seu passado histórico, mas podemos perceber que a personagem é cheia de conflitos amorosos causados por uma impetuosa e imprudente, o que a leva a transar na praia após um quase afogamento ...

José Saramago e a necessidade de termos olhos quando outros já os perderam

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Por Pedro Fernandes Toda a obra de José Saramago é um apelo à visão. Somos um sistema construído pela combinação de cinco sentidos, mas desses que nos definem, ver talvez seja o mais importante de todos. Da leitura que fiz de um texto de Alfredo Bosi, espicaçada no meio de Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago (Appris, 2012), disse enquanto comentava sob o enigma do olhar numa das personagens mais enigmáticas, certamente, da literatura saramaguiana, Blimunda (de Memorial do convento ), que o olhar tem a vantagem da mobilidade. É fronteira aberta entre o sujeito e o mundo, pode perscrutar todos os ambientes e movimentações que estiver ao seu alcance. Pelo olhar é que se distingue, conhece, reconhece, é que se estabelece a explicação do mundo objetivamente. Enquanto expressão cognitiva é definidor dos tons da subjetividade: ri ou chora, cala ou denuncia, admira ou reprova, ama ou detesta. Base de uma plenitude da existência, sem a visão, d...

Esopo e La Fontaine na atemporalidade que aniquila a obviedade da aparência

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  Por Maria Vaz Esopo - Fábulas completas  (Cosac Naify). A obra reúne 383 fábulas, das quais, 26 inéditas em língua portuguesa. Na história da literatura – que mais não é do que um passado concreto dado à estampa –, encontramos escritores capazes de tocar significâncias complexas com os textos mais simples: uma simplicidade capaz de passar de boca e boca e atingir um público-alvo alargadíssimo. Pois é, existem autores que, sem adornos, nos conquistam pela simplicidade com que nos transmitem uma mensagem profunda. Este texto versa sobre o poder das fábulas que, tristemente, caíram em desuso. Afinal de contas, longe vão os tempos em que os pais tinham tempo de ler pequenas histórias às crianças, que esperavam por aquele momento como apogeu dos seus dias. A verdade é que a pós-modernidade encontra-se submergida numa dilacerada aceleração do tempo: em que tudo é para ontem; em que há sempre mais a fazer; em que se nos pede para ser mais e melhor, numa espécie de...