Boletim Letras 360º #716

DO EDITOR

Continuamos a querer alcançar mais leitores. Há muito recebíamos o pedido de divulgarmos as novas edições e reedições, como fazemos neste Boletim há alguns anos, mas na nossa página do Facebook desde 2012, também no Instagram. Algumas adequações nesse outro espaço agora permitiu-nos cumprir com esse desejo. Abrimos um braço com o nome de @roldoletras. Se quiser, já pode seguir. É muito bem-vindo. 

Na aquisição de qualquer um dos livros pelos links fornecidos neste boletim, você pode obter um bom desconto e ainda ajuda a manter este projeto a custear as despesas com domínio e hospedagem online. A sua ajuda continua essencial. Esses links e os que postamos em publicações de nossa página no Facebook ou em outras redes são seguros. Em hipótese alguma, use links apresentados por terceiros passando-se pelo Letras.

Leonard Michaels. Foto: Bruce Jackson


 
LANÇAMENTOS

“Um contágio visionário” varre Greenwich Village no início da década de 1960 — a terra de ninguém entre a Beat Generation e o movimento Hippie. E, bem no coração do Village, enquanto “um estranho delírio paira no ar”, um casal de estudantes, aprisionado em uma sombria obsessão amorosa, afunda dia após dia em um alucinante inferno conjugal.  Sob suas janelas, a Rua MacDougal é “um carnaval demente”, marcado por Elvis Presley e Allen Ginsberg; e, enquanto isso, sua folie à deux, “enredada ao som dos próprios gritos”, precipita-se inevitavelmente em direção a um desfecho devastador. Inspirado na história real da primeira esposa de Leonard Michaels, Sylvia é um daqueles romances que, terríveis em sua profunda verdade, insinuam-se quase inadvertidamente na mente do leitor — e lá permanecem para sempre. Escrito com extraordinária clareza e precisão, Sylvia é um romance autobiográfico sobre o poder destrutivo do amor, que retrata de maneira fascinante a intimidade de um casal. Leonard Michaels foi um dos autores norte-americanos mais admirados da segunda metade do século XX; Sylvia, obra na qual trabalhou incansavelmente durante anos, foi publicada em sua forma definitiva em 1992. Com tradução de Daniella Domingues, o livro sai pela editora Âyiné. Você pode comprar o livro aqui.

Antologia reúne os melhores trabalhos da popular poeta estadunidense Mary Oliver, abrangendo mais de cinco décadas de produção literária.

Combinando lirismo e precisão, Mary Oliver fez da observação atenta da natureza e do cotidiano a matéria de uma poesia que investiga nossa relação com o mundo natural e os limites da linguagem diante do que nos cerca. Em Devoções, a própria poeta reúne uma seleção representativa de sua produção, desenvolvida ao longo de mais de cinco décadas, entre 1963 e 2015. Vencedora do Pulitzer e do National Book Award, Oliver pode ser lida a partir de uma tradição de poesia estadunidense que tem em Walt Whitman, Henry David Thoreau e Ralph Waldo Emerson seus principais representantes. A escritora Susan Salter Reynolds captou essa dimensão em uma imagem de rara beleza, no “Los Angeles Times”: “Ela poderia se transformar silenciosamente em uma garça ou um urso e voar, ou partir caminhando para sempre. Seus poemas contêm janelas, portas, transformações, indícios de como escapar do corpo; há o ‘fascínio da morte’ e a ‘vida depois da vida terrena’.” A tradução é assinada pela poeta Stephanie Borges e sai pela José Olympio. Você pode comprar o livro aqui.

O terceiro volume com a poesia e as iluminogravuras de William Blake. 

“Ver um Mundo num Grão de Areia/ E um Céu numa Flor que aflora,/ Ter Infinidade a mão-cheia/ E Eternidade numa hora.” Nesses versos, a contemplação do amplo e do exíguo exprime uma correspondência entre o ser humano e o universo. Ou, como disse o admirador James Joyce, revela que para William Blake (1757-1827) “todo espaço menor que um glóbulo vermelho significava uma aproximação com a eternidade” e que, ao voar “do infinitamente pequeno ao infinitamente grande, da gota de sangue ao universo das estrelas, sua alma é consumida pelo voo veloz, e se renova, alada e imortal, à beira do negro oceano de Deus”. Vislumbra-se esse voo, sob outra forma, nos seis poemas-profecias aqui reunidos. Em três deles Blake aborda a história da humanidade e da alma humana através da narrativa de eventos históricos e mitopoéticos. Em América, uma profecia (1793), a guerra da independência das colônias britânicas na América do Norte; em Europa, uma profecia (1794), a Revolução Puritana na Inglaterra e a Revolução Francesa; em A canção de Los (1795), a repercussão dessas ebulições sociopolíticas na África e na Ásia. Uma intrigante exposição dos paradigmas de revolução e contrarrevolução em quatro continentes. Os demais poemas representam a Bíblia do inferno prometida em O matrimônio do céu e do inferno, em que o tema geral é a oposição entre caos e harmonia: O primeiro livro de Urizen (1794), O livro de Ahania e O livro de Los, ambos de 1795. Consistem numa reflexão paródica sobre a humanidade a partir do Gênesis e do Êxodo, tendo como centro um falso deus tirânico, Urizen, que Blake apelidou de “Pai-de-Ninguém”. Onipotente em sua fraqueza e divisão interiores, em sua pseudo-razão, ao criar o mundo em seis dias divide os elementos da mente humana, decreta mandamentos, instaura o caos e entra em conflito com Los — Imaginação, criador de formas e alter ego do poeta. Blake nos alerta e desafia a examinar as forças autoritárias em cada um de nós e que compõem Urizen. De maneira mais direta, escreveu num breve poema: “Alguns homens, criados para destroçar,/ Vêm ao mundo e do mundo fazem seu lar./ Por mais que sejam vis, além do mais infestos,/ Os julgarão ‘Do mundo homens honestos‘”. O terceiro volume dos Livros iluminados, com tradução de José Antonio Arantes, é publicado pela Iluminuras. Você pode comprar o livro aqui.

Com uma prosa que transita entre a alucinação e a consciência, Tove Ditlevsen conduz o leitor às profundezas de uma mente em crise, e examina a difícil tarefa de existir sendo mulher e artista.

Atormentada por rostos flutuantes e vozes desconhecidas, a escritora de livros infantis Lise Mundus está convencida de que o marido e a empregada estão armando algo contra ela. Depois de uma tentativa de suicídio, a protagonista acorda amarrada à cama num centro de desintoxicação e é transferida para um hospital psiquiátrico, onde fica por três semanas. Durante o período de internação, ela oscila entre a lucidez e o delírio, e continua a ser importunada por imagens de mulheres com cabeça de burro, uma trama conspiratória e um possível segredo que envolve sua filha. O que é real e o que é invenção? Qual limite, afinal, seu corpo é capaz de suportar? Um dos trabalhos mais perturbadores de Tove Ditlevsen, Os rostos foi profundamente inspirado nas experiências da autora no sistema de saúde psiquiátrico, e trata de temas que estão presentes em toda a sua produção: o sofrimento mental, as fronteiras entre sanidade e loucura, e o custo — sempre alto — de perseguir sua vocação literária. O livro é publicado pela Companhia das Letras com tradução de Kristin Lie Garrubo. Você pode comprar o livro aqui.

Baseado em fatos reais, mas prova viva da força única da ficção, este romance tornou-se um fenômeno de público e crítica, traduzido em mais de uma dezena de países.

Após o fim conturbado de um relacionamento, a jovem norueguesa Brynhild Størset decide mudar-se para os Estados Unidos. Estamos no fim do século XIX, e a garota de dezessete anos é apenas outra entre milhares que emigram atrás de uma nova vida e do sonho americano. Para reescrever sua história, Brynhild muda de nome para Bella, e depois Belle, e parte em busca de fé, fortuna e, sobretudo, de amor. No entanto, ao passo que se vê confrontada pelos próprios valores religiosos e consumida pelo desejo, Belle entrará numa espiral de loucura, violência e sangue. Deixando de lado a cartilha da literatura de true crime, Victoria Kielland traduz a vida de Belle de forma visceral. Não por acaso é a prosa feroz da autora que está no centro deste notável romance. Num retrato de empatia desconcertante, Kielland desce às profundezas da mente da protagonista e emerge com um retrato que, sem se preocupar com julgamentos, está interessado em capturar na própria forma os impulsos assassinos de Belle, suas contradições e a poesia selvagem de seus pensamentos. Deslumbrante na linguagem e implacável em sua crueza, Meus homens é um livro que transforma em beleza incomum nossos recônditos mais sombrios. O livro é publicado pela editora Todavia. A tradução é Guilherme da Silva Braga. Você pode comprar o livro aqui.

O livro de estreia de João Arthur Macieira.

Folha de ponto é uma reunião dos primeiros contos escritos pelo autor. Alguns deles partem de ideias e podem ser lidos como contos-ensaios, outros são figurações de vozes delirantes, experiências literárias próximas ao absurdismo do século XX, mas todos buscam compartilhar um sentimento de alienação: no trabalho, no amor, no pensamento histórico. Franz Kafka, Jorge Luis Borges e Sérgio Sant'Anna foram as principais referências durante a escrita do livro, mas quem lê encontrará ficções provindas da experiência comum aos cidadãos do século XXI.  Um funcionário que, diante da necessidade de justificar textualmente os atrasos na folha de ponto, começa escrever ficções a respeito da própria vida e as dos colegas de trabalho. Uma oficina literária em que os feedbacks levam a reações inesperadas. Um instituto de pesquisa que toma medidas drásticas para se tornar financeiramente atraente. Uma experiência kafkiana com um corretor de imóveis. Vivências surrealistas num sítio no interior do estado. As experiências literárias em Folha de ponto, não são um conjunto de relatos autoficcionais. Tratam-se de narrativas que circulam a alienação em tempos contemporâneos. Influenciados por Kafka e Borges, esses contos narram uma experiência comum do século XXI: o estranhamento. Não compreender: essa é a marca principal das narrativas aqui reunidas.  O livro é publicado pela editora Patuá. Você pode comprar o livro aqui.

José Donoso oferece um relato íntimo e ao mesmo tempo crítico de um dos períodos mais importantes da literatura latino-americana. 

Publicado originalmente em 1972, História pessoal do Boom parte de suas próprias experiências como escritor e testemunha para reconstruir a formação, a expansão internacional e as contradições do chamado Boom latino-americano, acompanhando de perto figuras como Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, Julio Cortázar e Carlos Fuentes. Entre encontros, viagens, amizades, disputas, sucessos editoriais e episódios de bastidores, Donoso desmonta a imagem idealizada de um movimento literário homogêneo e revela uma rede complexa de escritores, editores, agentes e relações pessoais que ajudou a transformar a literatura hispano-americana em um fenômeno internacional.  Mais do que uma história oficial do Boom, o livro é uma memória literária de dentro do movimento, marcada pelo humor, pela intimidade e também pelas ambiguidades de quem foi simultaneamente testemunha e protagonista daquele momento decisivo. Publicação da editora Pinard com tradução de Lucas Lazzaretti. Você pode comprar o livro aqui.

José Simão escreve suas memórias de quarenta anos de profunda amizade e colaboração criativa com o poeta, letrista, diretor de shows históricos e livre pensador cultural Waly Dias Salomão.

Nos anos 1970 — época da contracultura, da poesia marginal e das chamadas dunas da Gal na praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, e também de violenta repressão pela ditadura cívico-militar — o paulistano José Simão encontra o baiano Waly Salomão (que à época assinava Sailormoon) e passam a viver uma intensa atividade conjunta na vida e na criação artística. Simão está na antológica foto, feita por Ivan Cardoso, da capa do livro de estreia de Waly, Me segura qu'eu vou dar um troço, de 1972, marco da poesia independente brasileira. Simão colaborou ainda no Super 8 ALFA ALFAVELLA VILLE e no poema visual com o mesmo tema na praia de Copacabana, durante o lançamento da fundamental revista Navilouca. Simão recorda-se das apresentações de FA-TAL, o show de Gal Costa dirigido por Waly Salomão, marco da contracultura brasileira (nele a cantora interpretava uma das canções fundamentais do seu repertório, “Vapor Barato”, que tem letra de Waly e música de Jards Macalé), de Maria Bethânia, dos artistas Hélio Oiticica e Luciano Figueiredo, de Jorge Salomão (irmão de Waly), dos poetas Antônio Cícero e Torquato Neto, do compositor e cantor Luiz Melodia, de Antonio Salomão, sobrinho de Waly, com quem foi casado, entre outras e outros. Descendentes de árabes, eles viveram na Bahia durante parte dos 70 e dos 80, foram algumas vezes juntos a Jequié, cidade natal de Waly Salomão, passaram por momentos de muito de medo durante os momentos mais difíceis da ditadura. Quando saiu da prisão, em São Paulo, por porte de maconha, Waly foi diretamente se encontrar com Simon, como ele chamava o amigo. José Simão revela ainda que Waly tinha o projeto de escrever um poema longo, influenciado pelos Cantos, de Ezra Pound, e inspirado pelo rio da sua aldeia, como diria Fernando Pessoa, o Rio das Contas. Publicação da Casa Matinas. Você pode comprar o livro aqui.

Uma história de amor, legado e a força transformadora da literatura. 

María Kodama, a viúva e guardiã do legado de Jorge Luis Borges, está nos momentos finais de sua vida. Sua missão é clara: proteger a memória e a obra do homem que amou. Mas, em um encontro inesperado com Ceferino, um jovem de um bairro periférico de Buenos Aires, ela vislumbra uma nova forma de perpetuar o legado do mestre. Unidos pela crença no poder das palavras, María e Ceferino embarcam em uma jornada emocionante pela cidade, revisitando os lugares que marcaram a vida de Borges. Nessa viagem, Madame Borges tece uma trama de afeto, descoberta e reconciliação, explorando a complexidade do amor e a imortalidade que a literatura oferece. Com uma prosa envolvente e um olhar sensível, Florencia Etcheves presta uma homenagem comovente a uma das figuras mais emblemáticas da cultura argentina, revelando a força de uma mulher que dedicou sua vida a manter viva a chama de um gênio. Madame Borges sai pela editora Planeta com tradução de Mariana Di Marcantonio. Você pode comprar o livro aqui.

O primeiro livro de Rafael Niepce.

Há livros que nos impactam pela sua força de novidade, enquanto outros promovem uma forma de reencontro. Poucos, no entanto, nos interpelam com um misto de descoberta e reconhecimento, como foi o caso para mim deste O corpo sabe que é memória. A cada releitura o texto me comoveu: não apenas nos momentos em que sua carga afetiva se intensifica, mas também em passagens discretas, quase laterais, nas quais algo vibrava sem que eu soubesse nomear de imediato o que me tocava. Logo me dei conta de que essa comoção era resultado do manejo da linguagem de que esta novela profundamente musical presta testemunho. Trata-se de uma prosa segura, não raro atravessada por grande densidade vivencial e por momentos de notável força lírica. Impressiona ainda o domínio arquitetônico da forma novela que se vê aqui. Gênero exigente, que pede concentração e unidade, a novela encontra neste livro uma realização surpreendentemente madura para uma obra de estreia. Cada uma das finas linhas da narrativa é costurada em sua própria temporalidade. Assim, a teia de sentidos vai se construindo organicamente, sem se impor ao leitor, sem pavimentar uma única via de interpretação. Há uma confiança serena tanto na inteligência do leitor quanto na própria literatura como pátria da abertura de sentido ― e essa confiança costuma ser sinal, ou condição, de boa literatura. A escolha do enredo também é decisiva. Ao situar a narrativa no interior agrário e católico do país, a novela recupera algo de uma sociabilidade reconhecível na nossa vivência individual e explorada em nossa literatura. Difícil não lembrar de livros como Lavoura arcaica, de Raduan Nassar, ou Dois irmãos, de Milton Hatoum, que também investigam o núcleo familiar como espaço de tensão simbólica, afetiva e pulsional. Sem dúvida, este livro pode ser lido como um jovem descendente dessa importante tradição da prosa brasileira contemporânea. No entanto, é inegável que O corpo sabe que é memória já nos permite entreouvir uma voz narrativa própria. Que ela encontre os leitores que merece ― e que, como eu, se deixem tocar por sua delicada gravidade. (Daniel Arelli). O livro sai pela DBA Editora. Você pode comprar o livro aqui.
 
REEDIÇÕES

A Estação Liberdade devolve aos leitores Declínio de um homem. Em tradução de Jaqueline Nabeta, a obra traz também um projeto gráfico remanejado.

A breve trajetória do escritor japonês Osamu Dazai, que tirou a própria vida aos 38 anos, não o impediu de se tornar um autor célebre. Publicado originalmente em 1948, Declínio de um homem reúne cenas e episódios marcadamente autobiográficos que expressam muitas das angústias por trás da personalidade autodestrutiva do escritor: a dificuldade nos relacionamentos interpessoais (familiares e sociais), o niilismo, o alcoolismo — vício do qual jamais conseguiu se libertar —, a ausência de autoestima e, por fim, a profunda sensação de não pertencimento ao mundo, como se sua existência fosse resultado de um mero equívoco. O livro divide-se em três cadernos, nos quais o autor, por meio do protagonista alter ego Yozo, narra em primeira pessoa diferentes episódios das adversidades que enfrenta. Yozo é um jovem estudante do interior que tenta sobreviver em Tóquio. Depressivo crônico, ele experimenta uma tristeza que se espalha como uma metástase, consumindo suas energias e impedindo-o de reaver uma alegria que, na realidade, nunca viveu. Quando jovem, procura se esforçar para ser aceito pelos outros, mas essa tentativa esconde uma dificuldade dolorosa: por não possuir o carisma necessário para conquistar as pessoas espontaneamente, ele recorre a encenações e brincadeiras exageradas para parecer divertido. Essas palhaçadas, que por vezes envolvem até esforços físicos, fora do ordinário, frequentemente surtem efeito. Quando, porém, as encenações são descobertas, o personagem sofre novos traumas. Distante da família e com dificuldades financeiras, Yozo busca seu sustento produzindo histórias e desenhos de qualidade duvidosa para alguns periódicos populares, além de se aventurar na pornografia. Nem mesmo o amor das mulheres que se apaixonam por ele é capaz de lhe proporcionar alguma felicidade significativa. Com o tempo, suas manias tornam-se cada vez mais perturbadoras, reforçando a imagem de um “jovem Werther japonês”. O sucesso editorial de Declínio de um homem talvez se explique pela catarse na escrita de Dazai. Ao contrário de muitos de seus contemporâneos mais tradicionais da literatura japonesa, cuja produção costuma ser marcada pela sutileza e pelo etéreo, Dazai escreve de modo visceral, sem receio de expor os aspectos mais sombrios de sua vida interior, e assim alcança um lugar singular entre seus pares. Você pode comprar o livro aqui.

RAPIDINHAS 

Todo Eurípides que conhecemos. Concluída a publicação das dezenove peças do dramaturgo grego, a Editora 34 reúne os seis volumes numa caixa. Edições bilíngues com tradução de Jaa Torrano, estudos introdutórios para cada peça, bibliografia geral e índice remissivo completo. 

Ainda da 34. A editora prepara a publicação de Julio Cortázar e Cris, livro de Cristina Peri Rossi acerca do convívio que manteve com o cronópio.

Da Curtíssimas. A nova coleção da editora Pinard prepara para dezembro uma nova edição de Aura, do mexicano Carlos Fuentes. A novela de 1962 narra a estranha obsessão de um jovem historiador por uma misteriosa mulher. 

O surrealismo visto por um arquiteto e professor de História da Arte 1. Com tradução de Sergio Molina, a casa que tem se especializado em atualizar o leitor brasileiro da expressão surrealista, a 100/Cabeças, publica A imagem surrealista, de Juan Eduardo Cirlot.

O surrealismo visto por um arquiteto e professor de História da Arte 2. A questão central de Cirlot é o que acontece quando a imagem deixa de representar para revelar o não está no campo do visível.

DICAS DE LEITURA

1. Entre as raças, de Henrich Mann (Trads. Fernanda Boarin Boechat e Paulo Astor Soethe, Zain, 368p.) Nascida em clima tropica, depois levada para a Europa e estabelecida em fronteira a protagonista deste romance é uma figura com a qual o escritor investiga os mecanismos de controle que moldam a vida das mulheres no patriarcalismo. Você pode comprar o livro aqui. 

2. Zoo, ou cartas não de amor, de Viktor Chklóvski (Trad. Vadim Nikitin, Editora 34, 192p.) A correspondência de apaixonados entre o romancista e a jovem escritora Elsa Triolet, quando ele estava exilado em Berlim, é o ponto de um romance epistolar marcado por múltiplas modulações do texto literário. Você pode comprar o livro aqui. 

3. Certos garotos, de Alberto Fuguet (Trad. Sandra Marta Dolinsky, Tusquets, 432p.) Em meio a uma Santiago tomada pelo medo, sob o toque de recolher, dois jovens desafiam a própria existência com urgência disruptiva do amor proibido. Você pode comprar o livro aqui.

VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS

Marcamos em nossa página no Instagram duas efemérides deste 2026. O centenário de Augusto Abelaira, figura importante da literatura moderna e pós-moderna em Portugal, referido numa das edições deste Boletim aquando da data celebrada em março. E o centenário de John Berger. Você pode ler as duas notas por aqui — aproveita e, se ainda não nos segue por lá, para fazer isso. 

A revista Piauí publicou a tradução de um ensaio de Thomas Mann até agora inédito por aqui. “A propósito de uma revista” é de 1949 e nele o escritor apresenta uma reflexão sobre o papel de uma publicação suíça que, em pleno pós-guerra, se posicionava ativa, moral e independente. O texto póstumo de Mann ganha comentário de Pankaj Mishra. A tradução é de Samuel Titan Jr. 

BAÚ DE LETRAS

John Berger nasceu a 5 de novembro de 1926. O recente centenário é também motivo para lembrar, agora do nosso Baú, este texto em gesto de perfil do multiartista que traduzimos em janeiro de 2017.

DUAS PALAVRINHAS

Nunca olhamos para uma coisa apenas; estamos sempre olhando para a relação entre as coisas e nós mesmos.

— John Berger, em Modos de ver

...

Quer receber as nossas publicações diárias? Vem para o nosso grupo no Telegram ou WhatsApp

* Todas as informações sobre lançamentos de livros aqui divulgadas são as oferecidas pelas editoras na abertura das pré-vendas e o conteúdo, portanto, de responsabilidade das referidas casas.

Comentários

AS MAIS LIDAS DA SEMANA

11 Livros que são quase pornografia

John Steinbeck muito além da ira e do Éden

Dez filmes a partir da obra de Agatha Christie

A fascinante vida da família Mann: homossexualidade, drogas, exílio e gênio literário

Dez poemas e fragmentos de Safo

Klaus Mann

A vida e a arte de Sylvia Plath