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Mostrando postagens com o rótulo Adriana Lisboa

Os grandes carnívoros, de Adriana Lisboa

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Por Gabriella Kelmer Adriana Lisboa. Arquivo TV Brasil.   Em outra oportunidade, observei como os romances recentes de Adriana Lisboa se articulam a partir da perpetuação de algumas temáticas que servem como princípios organizadores da experiência de mundo das suas personagens. A partir desses temas, fundamentam-se camadas de sentido às experiências, já então vinculadas pela ação analítica do ser ficcional. Gera-se, por esse mecanismo, um encadeamento entre tempos, temas e espaços que, antes de ser simbólico a priori , permite entrever o tatear exploratório de uma consciência que transforma a vida em enunciado.   Retornei a essas considerações após a leitura de Os grandes carnívoros , romance mais recente da autora, publicado pela Alfaguara em 2024, e elas ainda me pareceram válidas frente ao novo ato literário. A prosa analítica e sensível da autora — adjetivos cuja contradição exterior é facilmente desfeita pela leitura da obra, na qual se manifestam seres ficcionais articu...

Azul corvo, de Adriana Lisboa

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Por Pedro Fernandes Adriana Lisboa. Foto: O Globo  (Reprodução)   A obra romanesca de Adriana Lisboa transita numa escala que vai do registro subjetivo e intimista ao coletivo e exterior. Se desde Os fios da memória , passando Sinfonia em branco e Um beijo de colombina , a narrativa se tece a partir de circunstâncias muito particulares dos seus sujeitos e examina-as com o interesse de transpor suas inquietações, com Azul corvo , o interesse da escritora parece ser o de articular essa dimensão a outra mais ampla e fora do entorno individual. Claro, não é o caso de ignorar essas instâncias como alheias. Quando nos referimos o íntimo e o social, falamos especificamente do interesse focal da narrativa, mas sabemos que uma dimensão pode implicar a outra num contínuo jogo derivado do material simbólico e sua constância no objeto artístico.   No romance publicado em 2014, a articulação entre os pontos na escala criativa da escritora carioca aparece visível nos fios que formam ...

Todos os santos, de Adriana Lisboa

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Por Gabriella Kelmer Talvez seja lugar-comum introduzir um romance da escritora Adriana Lisboa pontuando sua prosa de alto teor lírico, em que encadeamentos simbólicos dão força motriz às narrativas, e ainda assim é preciso fazê-lo. Enquanto leitora, persiste, em mim, na leitura de suas obras, a impressão latente de uma compreensão a ser obtida na junção e repetição de imagens e afetos; de segredos que persistem nas dobras da linguagem, apenas ligeiramente fora de alcance. A borboleta sobre a pedreira de Sinfonia em branco , a sensação à beira-mar no Rio de Janeiro em Azul corvo , os corpos d’água de diferentes continentes de Todos os santos : de repente, uma coisa esbarra em outra, em um outro momento, e os espaços, perdas e traumas subitamente se interligam, indicando concatenações que sugerem menos a unicidade das diversas temáticas abordadas do que o árduo trabalho interpretativo de narradores sensíveis e ordenadores.   Todos os santos , lançado em 2019, é o romance mais recent...

Trazidos pelas águas da dor: o mar de sentimentos em “Todos os santos”, de Adriana Lisboa

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Por Flaviana Silva “A tragédia que vivemos naquele domingo de Todos os Santos, André: como sacudir dos nossos passos as sombras daquilo?”     (Adriana Lisboa, Todos os santos ) Alguém estava atento ao perigo naquele dia da festa de Todos os Santos e avisara para as crianças que elas não deveriam entrar na piscina depois do almoço. Entre os variados barulhos da festividade, Mauro deve ter ouvido o recado, mas nem só de alertas são regidos os dias, não é mesmo? As vezes a morte não deixa tempo para pensamentos complexos.   O menino foi direcionado para o fim de sua história em um tempo curto, sua morte foi seguida de pânico. O que fazer diante da partida de um garoto tão único? Sua irmã Vanessa assiste à cena sem conseguir se movimentar; ela não consegue entender por que a sua família está sendo atingida em pleno dia de comemorações, o fatídico dia que ficará registrado em suas memórias para sempre. Vanessa e André são amigos de infânc...

As sementes da infância e a colheita amarga da velhice: a “Sinfonia em branco”, de Adriana Lisboa

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Por Flaviana Silva O vazio é o irmão do silêncio. Ambos escondem as palavras não pronunciadas e abrigam em si, por mais estranho que pareça ser, um universo de lacunas. A ausência da cor registra a sua marca na existência, é semelhante aos traumas que não receberam a atenção da sociedade hipócrita ao longo dos anos. É preciso considerar que Sinfonia em branco da autora brasileira Adriana Lisboa é um romance de sentidos cortantes e poéticos.  A obra foi publicada em 2001 e foi reconhecida com o Prêmio José Saramago no mesmo ano; para os amantes da prosa poética, o romance é uma viagem singular e satisfatória. O enredo é construído por um narrador onisciente que em sua autoridade, expressa uma descrição minimalista, destacando alguns detalhes e ocultando outros.   A história das irmãs (Clarice e Maria Inês) é guiada por uma sequência de transgressões que marcam a vida das personagens, em um tempo narrativo psicológico que é composto por uma dança constant...

Um beijo de colombina, de Adriana Lisboa

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Por Pedro Fernandes Adriana Lisboa. Foto: Julie Harris Não faz muito tempo que, diante de algumas obras, sempre me pergunto o que faz escritor para agir como se pegasse o leitor pelo braço e o mergulhasse numa correnteza de sentidos para só devolvê-lo a superfície de vez em quando como se só quisesse permiti-lo respirar por um instante os ares que ainda correm ao seu redor e logo voltar a levá-lo ao mesmo ponto de imersão inicial. No princípio de tudo a resposta para isso vinha com um medo de, se deixar o texto ali em repouso era uma maneira de favorecê-lo a fugir dessa correnteza de sentidos; por isso, quase caí de fome quando li pela primeira vez, de uma sentada, como se diz, Filomena Borges , de Aluísio Azevedo. Temia não chorar tudo o que tinha para chorar enquanto sucumbia à forma de tratamento (a falta dele) de Filomena para com Borges. Nesse romance, o leitor encontra a desconstrução da legítima metáfora de que os opostos se atraem, afinal, Filomena é ambiciosa ...