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Friedrich Dürrenmatt: a atualidade de um esquecido

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Por José Ramón Martín Largo Friedrich Dürrenmatt, 1980. Foto: Ullstein Bild “Não tem a nossa era de paz, que milhões de pessoas se esforçam por preservar fazendo manifestações, carregando faixas, cantando música pop e rezando, não há muito assumiu a forma do que, em outros tempos, chamávamos de guerra, toda vez que, para nos apaziguar, incorporamos as catástrofes à nossa paz?”   A pergunta é pertinente em nosso tempo, pois levanta outras duas questões que nos preocupam muito: a primeira, se o que chamamos de ordem mundial não é na verdade o caos; e a segunda, se os habitantes do mundo, especialmente o mundo rico e desenvolvido, apesar de nossa má consciência, não são cúmplices desta ordem, que em princípio gostaríamos de mudar enquanto hipocritamente nos beneficiamos dela. De maneira explícita, a indagação a que nos referimos refere-se à própria razão de ser do pensamento crítico, pensamento incômodo que para muitos é preferível evitar, pois nos apresenta como cúmplices, e cúmplice...

A promessa, de Friedrich Dürrenmatt

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Por Pedro Fernandes Algumas das expressões romanescas adquiriram um modelo repetido até a exaustão. É o caso do romance policial. Desde a publicação, em 1841, de The murders in the rue Morgue , de Edgar Allan Poe, que uma sorte de características tem servido à imaginação criativa de escritores de diferentes culturas: a cena casual de um crime, uma investigação em que todos são suspeitos e por vezes o criminoso é o menos provável, um detetive vestido dos princípios racionais capaz de desvendar o mistério com um simples ou um complexo exercício de estratagemas. A variedade de obras literárias ou de escritores que lidam com esses elementos levaram os estudiosos a compreenderem pelo menos duas categorias constitutivas do que podemos chamar por um modelo de romance: as histórias de detetives e as histórias policiais. As duas têm sua raiz na literatura criminal anglo-saxônica e se distinguem pela presença diferenciada do herói: numa, é um detetive particular e, noutra, um ou um g...