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Mostrando postagens com o rótulo Nikolai Gógol

As almas mortas de Machado de Assis

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Por Rafael Bonavina  Machado de Assis e Nikolai Gógol (montagem) Circulou recentemente uma informação que me pareceu bastante curiosa: Machado de Assis escreveu um texto a partir de um mote tomado do romance Almas mortas , de Nikolai Gógol. Assim que vi isso, parei imediatamente o meu dia e comecei a pesquisar o assunto e não sosseguei até conseguir o acesso a essa crônica de Machado. A crônica faz parte daquelas publicadas anonimamente na Gazeta de Notícias , mas emolduradas pelos dizeres “Bons dias!” e “Boas noites.”; e no caso, é a de 26 de junho de 1888. Com o texto em mãos, não se pode duvidar da intertextualidade, embora seja bem específica, pois o romance gogoliano não é só mencionado no corpo do texto, como lhe é creditada uma importância fundamental: “Conhece o leitor um livro do celebre Gógol, romancista russo, intitulado Almas mortas? Suponhamos que não conhece, que é para eu poder expor a semente da minha ideia.”¹  Como se vê, o livro russo é “a semente” da ideia q...

As últimas palavras de Nikolai Gógol

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Por Rebeca García Nieto  Retrato de Gógol (gravura, 1902) Mikhail Rundaltsov A morte de alguns escritores é muitas vezes mais romanesca do que seus próprios romances. Robert Walser passou as duas últimas décadas de sua vida em um sanatório, onde não escreveu uma palavra — afinal, como disse a Carl Seelig, estava lá para enlouquecer, não para escrever. Antes disso, sua escrita havia reduzido até praticamente desaparecer. Nikolai Gógol não demorou tanto para extinguir sua escrita. Na noite de 24 de fevereiro de 1852, atirou o que viria a ser a segunda parte de Almas mortas ao fogo. Com esse gesto, renegava sua obra literária... Ou talvez tenha sido simplesmente um acidente. Segundo o biógrafo Vasili Vasilievich Gippius, o escritor pode ter queimado por engano o manuscrito pelo qual queria ser lembrado. Ao perceber isso, tentou contornar o mal, mas só conseguiu salvar uma pequena parte, presumivelmente os capítulos que chegaram até nós. Seja como for, ele se trancou em seu quarto, de...

O colecionador de almas

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Por Marta Rebón Retrato de Nikolai Gógol por Otto Friedrich Theodor von Möller.   Em torno da literatura gravitam artistas da artimanha, sedutores de colarinho branco ou pequenos malandros dispostos a oferecer gato por lebre sem contemplações ou dissimulações, com a face descoberta. A essência da narração é construir castelos no ar com a matéria-prima das palavras. Existe um ilusionismo mais eficiente? Desde a década de 1980, quando os estudos cognitivos e literários começaram a convergir, se vem desvendando o que acontece no cérebro quando lemos uma obra de ficção. Por que precisamos abrir um livro para suspender nossa atenção do que está ao nosso redor e direcioná-la para um mundo intangível? Para a selva neural, a leitura é tão válida para desencadear uma tempestade eletroquímica quanto a experiência real. Ou seja, a mente não se preocupa em comprovar a autenticidade das informações que recebe, o que ela quer é que a tempestade desabe, como uma fé na vida. Nada que um virtuoso ...

Avenida Niévski, de Nikolai Gógol

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Por Pedro Fernandes Apesar de só recentemente os estudos literários dedicarem alguma atenção sobre  o espaço enquanto categoria multiforme e portanto plurissignificativa no e para a narrativa literária, esta parece haver galgado a obsessão desde sempre. O conto de Nikolai Gógol é um exemplo disso: data de entre 1832 e 1842. Detalhe: trata-se de uma peça que integra um conjunto textos nos quais o escritor russo escolheu como mote criativo Petersburgo. A cidade era, então, capital do Império Russo, papel que exerceu até 1918, quando as instituições administrativas do governo mudaram para Moscou. Já a avenida que dá título ao texto é a via principal de Petersburgo. Logo, a escolha de Gógol em situá-la como protagonista da narrativa não é gratuita.  À maneira de um cronista seduzido pela importância, magnitude e imponência da avenida Niévski, o narrador, contrariando a crítica que faz à pintura russa, acusando-a de ser destituída de cores vivas e movimento, ...