Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Rabindranath Tagore

Doze poemas aforísticos de “Pássaros vagabundos” (1916), de Rabindranath Tagore

Imagem
Por Pedro Belo Clara (Seleção e versões)* I.   Pássaros vagabundos do verão vêm à minha janela cantar e para longe voar. Folhas de outono amarelecidas, que não conhecem canção, agitam-se e tombam com um suspiro.        II.   Oh, trupe de pequenos vadios do mundo, deixai em minhas palavras as vossas pegadas.        III.   São as lágrimas da terra que mantêm em flor os sorrisos da terra.     IV.   Se derramares lágrimas por sentires falta do sol, perderás o brilho das estrelas.     V.   Aquilo que és não poderás ver, o que vês é a tua sombra.   VI.   Lançam as suas sombras adiante, aqueles que carregam a lamparina em suas costas.     VII.   O Homem é uma criança que nasceu, o seu poder é o poder do crescimento.     VIII.   A luz que brinca, como uma criança nua, no meio das folhas verdes, alegre desconhece que o homem pode mentir.        IX. ...

Seis poemas de Rabindranath Tagore em “O Jardineiro” (1913)

Imagem
Por Pedro Belo Clara (Seleção e versões)*  Rabindranath Tagore. Foto: Divisão de Impressões e Fotografias da Biblioteca do Congresso Washington. I.   Os teus olhos indagadores tristes estão. Pretendem decifrar-me,                 do mesmo modo que a lua perscruta o mar. Coloquei a minha vida, nua, diante dos teus olhos, de ponta a ponta,                 sem nada esconder ou reprimir. É por isso que não me conheces.   Se apenas fosse uma pedra preciosa, quebrá-la-ia em cem pedaços,                 unindo-os num fio que poria no teu pescoço; Se apenas fosse uma flor, redonda, pequena e doce, pegá-la-ia pelo caule,                 colocando-a em teus cabelos. Mas é um coração, ...

Seis poemas de Rabindranath Tagore

Imagem
Por Pedro Belo Clara Rabindranath Tagore. Foto: Curatorial Assistance Inc. / E.O. Hoppé Estate Collection   O PRIMEIRO BEIJO   O céu ficou silencioso e de olhos baixos, Os pássaros calaram todos os seus cantos; O vento emudeceu; a música das águas acabou De repente; o murmúrio da floresta Morreu lentamente no coração da floresta. Na margem deserta do rio tranquilo, Nas sombras do anoitecer desceu silenciosamente O horizonte sobre a terra muda. Nesse momento no silencioso e solitário alpendre Beijámo-nos pela primeira vez. Nesse momento exacto, ao longe e perto Repicaram os sinos e soaram os búzios Nos templos dos deuses apelando ao culto. Um estremecimento percorreu o infinito mundo das estrelas E os nossos olhos encheram-se de lágrimas.     INTERMINÁVEL AMOR   Parece-me que te amei de inúmeras maneiras, inúmeras vezes, Na vida após vida, em eras após eras eternamente. O meu coração enfeitiçado fez e voltou a fazer o colar das canções Que tomaste como uma pre...