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Duas revistas que são marcos do modernismo no Brasil

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1. Uma delas é a  Revista de Antropofagia ; seu marco é de registrar os sismos de um dos períodos de maior efervescência artístico-literária do Brasil. Nela gestou-se e circulou as linhas de pensamento mais ousadas e as ideias mais polêmicas desse período. Lançada em São Paulo, em 1928, por Oswald de Andrade e um grupo de amigos, como Raul Bopp e António de Alcântara Machado, com proposta gráfica ousada, o periódico teve duas fases bem diferenciadas, divulgando editoriais questionadores, textos ficcionais, artigos provocadores, comentários breves, notas de efeito cômico. Embora animada pelo espírito inovador, há escolhas bastante contraditórias. Foi nas páginas da revista que circulou o famoso Manifesto Antropófago, escrito por Oswald de Andrade e que ditava  ao modo de outros manifestos de vanguarda o espírito da nova literatura brasileira a partir de então. Por ela passaram nomes como Mário de Andrade, Jorge de Lima, Manuel Bandeira, Murilo Mendes, Pedro Nav...

Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto, de Mário de Carvalho

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Se pararmos para pensar a nossa vida e o cotidiano dela, sobretudo os modos de vidas e as ações triviais; se pararmos para pensar o modo como nos tornamos sujeitos... Eis a tentativa bem alcançada de Mário de Carvalho, escritor português que descubro agora nessa seara pós-José Saramago. A edição sobre a qual faço essas breves notas foi publicada no Brasil há cinco anos pela Companhia das Letras. Se formos atribuir um perfil temático a este romance –  Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto (frase-clichê de uma secretária personagem do livro) é nisso em que se resume: a vida e o cotidiano. Pode ser que, à primeira vista não tenham a universalização construída pelo romance contemporâneo, porque estamos numa Lisboa pós-ditadura que se metamorfoseia no corpo de uma personagem, o Joel Strosse. Mas, é só questão de avançarmos com a leitura para vermos que a trivialidade dessa capital portuguesa diz um tanto da minha trivialidade de leitor afasto alguns mil qu...

Sobre os novos centros de lavagem cerebral

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Por Pedro Fernandes Volto novamente a tocar no assunto porque ele me incomoda e os incomodados não devem se retirar, mas falar, o quanto puderem. O que me faz escrever mais uma vez sobre é que um amigo outro dia escreveu na sua página pessoal do Orkut: "Nossa como é bom ser católico, ter a certeza do céu, a certeza da verdade...". Logo o assunto aqui tem a ver com a nova estripulia religiosa que tem tomado conta da sociedade contemporânea. E nesse intercurso há uma que está para além de tudo aquilo que já pude escrever aqui acerca da religião. Trata-se das diversas correntes dentro do catolicismo que têm como missão congregar jovens. Não há nada, de minha parte, ser contra às tais correntes, mas quando elas se transformam em redutos para aperfeiçoamento das desgraças humanas, aí sim tenho muita coisa contra. O que está embutido na frase desse meu amigo reitera o papel que tais comunidades ditas de evangelização tem propiciado aos jovens que dela se aproximam: a refun...

Vinicius de Moraes

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Por Marcelo Sandmann Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro, 1913-1980) é nome dos mais significativos na vida cultural brasileira do século XX. Além de poeta, bem acolhido pela crítica do tempo e festejado como poucos pelo público leitor, foi autor de teatro, com destaque para Orfeu da conceição (1956), e crítico de cinema e cronista de colaboração regular na grande imprensa do país. Com o advento da Bossa Nova, na segunda metade da década de 1950, intensificou sua atuação como compositor e letrista, tornando-se uma das figuras centrais da música popular brasileira. Manuel Bandeira, apreciando Cinco elegias (1943), foi lapidar a respeito do autor: “Porque ele tem o fôlego dos românticos, a espiritualidade dos simbolistas, a perícia dos parnasianos (sem refugar, como estes, as sutilezas barrocas), e finalmente, homem bem do seu tempo, a liberdade, a licença, o esplêndido cinismo dos modernos.” Já na “Advertência” que abre sua Antologia poética (1954), Vinicius propunha a...

Pixote - a lei do mais fraco, de Hector Babenco

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Duas décadas antes de Cidade de Deus , o cinema brasileiro ganhava uma radiografia impiedosa da violência nas ruas e de como ela condenou a juventude das classes miseráveis a buscar o crime como caminho para sobrevivência. Pixote - a lei do mais fraco  conta a história de um garoto de dez anos que é recolhido das ruas de São Paulo para ser internado em um reformatório. Dois de seus amigos são assassinados e, com mais três colegas, ele foge para o Rio de Janeiro, onde entra para o mundo do tráfico de drogas, dos assaltos, assassinatos e da prostituição. Marília Pêra interpreta Sueli, prostituta que acolhe os jovens e os ajuda a cometer os crimes. Em uma cena de forte carga simbólica, Sueli amamenta Pixote, órfão não só dos pais, mas do país que os abandonou. Dirigido pelo argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco (de Carandiru , de 2003 e O Beijo da Mulher Aranha , de 1985), Pixote é baseado no livro-reportagem de Jozé Louzeiro, A Infância dos Mortos . Segundo Babe...

Cal, de José Luís Peixoto

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Por José Luís Foureaux Cal , de acordo com o Dicionário Houaiss, é um substantivo feminino: pó branco constituído principalmente de óxido ou hidróxido de cálcio, usado na construção civil, em fluidos de perfuração, em cerâmicas, na clarificação de óleos, em tintas, revestimento contra fogo, tratamento de água, na manufatura de papel, como adstringente, etc. Qualquer produto (pulverulento, pastoso etc.) resultante da hidratação da cal virgem. Etimologicamente, a palavra vem do latim vulgar –  cals  (derivado do acusativo) que, por sua vez, vem do latim  calx , calcis  – cal, pedra de cal, com origem no grego  kháliks ; provindo pelo espanhol cal. A viagem é longa. De tudo fica um pouco: logo, pode-se acreditar quando dizem que “cal queima”! A ideia de fim, de morte, de consumição, não passa ao largo quando se pensa nessa palavra. Pensar na palavra, pensar com a palavra. Isso é poesia! É isso o que faz José Luis Peixoto em seu livro...