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Onde iremos parar

Por Pedro Fernandes Finalmente chegamos a 2012. E o ano letivo nas escolas públicas do estado do Rio Grande do Norte está prestes a se iniciar com mais uma greve de professores. A de número não-sei-quanto. Que a educação nunca foi meta de nenhum governo neste país, sabemos. Mas, no Rio Grande do Norte, aquilo que marca o mínimo esforço do estado para com ela não é cumprido. E não é de hoje. A crise por aqui se instala ainda há doze ou dez anos e vem se arrastando desde então. Diria que o caos é mesmo insolúvel. O atual governo assumindo uma proposta mirabolante de reconstrução da máquina administrativa, o que tem feito, somente, é poupar dinheiro para empregar não sei onde. E as duas desculpas esfarrapadas que se espalha aos quatro ventos são de que: não tem dinheiro suficiente para n coisas ou que o estado ainda cambaleia para cumprir os rombos deixados pela antiga administração. Disparate! No plano do sistema educacional, o que se alardeia é informatizá-lo. É um passo ...

A invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese

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Por Pedro Fernandes Cena de  A invenção de Hugo Cabret . Hugo (Asa Butterfield) e seu pai (Jude Law, em ponta para o filme) Quando assisti ao trailer para  A invenção de Hugo Cabret  não capturei de imediato o fato de ser este um dos filmes mais cotados ao Oscar de 2012. Mas um nome na direção me intrigou: Martin Scorsese. Raros foram os filmes do cineasta que me decepcionaram; para falar verdade, até agora, nenhum. Alguns do início da carreira são um tanto monótonos, mas o enredo, por exemplo, é sempre muito bem arquitetado.   Bom, quando um criador se faz grande, mesmo sua menor obra ganha potência em relação ao conjunto das suas criações. Essa afirmativa para Scorsese poderia ser estendida como tema central do filme aqui em questão. E, logo, entenderemos o porquê. Por ora, voltemos ao trailer. Parece ser efeito do gênero: antes de guiar o espectador na escolha do filme, não dizer muito (na grande maioria dos casos) sobre o que será exibido. Tenho visto traile...

Jorge, amado Jorge

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Comissão de frente da Imperatriz Leopoldinense. Foto: G1.com Este foi o título dado ao enredo da escola de samba carioca Imperatriz Leopoldinense que viu no centenário de Jorge Amado, celebrado neste ano de 2012, e no colorido da obra do escritor baiano, a inspiração para montar um desfile.  Vendo um retrospecto dos desfiles e algumas imagens, me parece ter sido um das mais luxuosas das escolas postas no domingo na avenida do samba, muito embora tenha havido alguns problemas na evolução. Chamava atenção desde a comissão de frente inspirado num dos romances mais conhecidos do escritor baiano, Capitães da areia , composta por trapezistas coreografando formas de carrossel humano. Na obra de 1937, um grupo de meninos de rua sobrevive às custas de pequenos furtos na Salvador em constante evolução e o carrossel aí representa um instante de iluminação poética para a mudança de vida dos meninos, algo que a narrativa de Jorge Amado acompanha. Resta lembrar que este romance já me...

Van Gogh interativo

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Starry Night , de Vicent Van Gogh. O quadro hoje se encontra no Museu de Arte Moderna de Nova Yorque Entre 1889 e 1890, Van Gogh esteve internado num asilo em Saint Rémy Provance. Durante esse período dedicou-se a pintar todas as paisagens da região. O período é rico na sua carreira porque agora está desvinculado do impressionismo e se desenvolve um estilo muito próprio. Foi então que concebeu A noite estrelada , obra pintada de memória e não através de uma visualização da paisagem a ser retratada.   Agora, o artista grego Petros Vrellis criou uma visualização interativa através de um sintetizador que dá "vida" ao famoso quadro de Van Gogh . A simulação é simples, porém elegante, composta de fluidos que se formam suavemente quando o espectador to ca na tela. Se o sentido de movimento antes era deduzido pela forma de disposição das cores, agora o mover-se faz-se real pela capacidade de deformação da imagem que pode ser alterada na movimentação do flux...

James Joyce para crianças (sem traumas)

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Uma das versões para a capa de The cats of Copenhagen , o inédito de James Joyce editado na Irlanda pela ITHYS PRESS Se James Joyce é complexo para os adultos (convenção questionável), resta lê-lo na "versão infantil" para saber se essa característica se revigora ou muda. Vou confessar que sou admirador do escritor por causa desse mito da leitura complexa - devo ter algum tipo de masoquismo por leituras do tipo - mas desconheço sua obra, tanto a "adulta" quanto a "infantil". A ITHYS PRESS, uma pequena editora da Irlanda anunciou, recentemente, a primeira aparição de uma versão impressa de um conto do autor de Ulisses. The cats of Copenhagen (Os gatos de Copenhague - tradução literal) é o nome da obra em questão. A edição que agora sai publicada é uma tiragem rara e especial de somente 200 exemplares. A modo de O gato e o diabo  (já editado no Brasil pela Cosac Naify), outro exemplo e parece que único apenas conhecido do Joyce "infan...

90 anos de uma jovem rebelde

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Por Pedro Fernandes Por sequência: Capas do Programa e catálogo, por Di Cavalcanti; Capa do livro Paulicea desvairada , de Mario de Andrade, atribuída a Guilherme de Almeida; Capa da 1ª edição da revista Klaxon.  Fonte: Tumblr da Cosac Naify Ainda no ensino básico, nas afortunadas escolas que contam com lampejos de ensino de Literatura, há um período literário brasileiro que se demonstra como um divisor de águas no gosto dos adolescentes: o Modernismo. Digo divisor, porque existirão os que gostam da irreverência do movimento e o tratamento dado agora ao literário e os que terão mais um motivo para caracterizar a literatura como coisa-de-quem-não-tem-o-que-fazer ou coisa-chata.  O movimento - e aqui posso fechar o sentido do termo, porque a atitude dos que se envolveram direta ou indiretamente foi o de uma mobilização em torno de ressignificação de vários campos da arte - sempre é apresentado tendo a Semana de Arte Moderna como abre-alas definitivo para os rumos da ...