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O paraíso são os outros, de Valter Hugo Mãe

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Por Pedro Belo Clara Muito provavelmente, a escolha do presente título como mote da discussão promovida mensalmente neste espaço de literatura causará alguma estranheza entre os leitores mais versados no trabalho de Valter Hugo Mãe. Afinal, a nossa opção não recaiu sobre A Desumanização , a máquina de fazer espanhóis ou o remorso de baltazar serapião , que ao dito autor rendeu, em 2007, o Prémio José Saramago. Esperamos, no entanto, que ao longo desta “conversa” consigamos elucidar melhor os nossos estimados leitores no que à opção tomada diz respeito, consolidada sobre os parâmetros de um nítido critério de diferenciação. Na verdade, O paraíso são os outros é uma obra que, em primeira impressão, não escapará ao rótulo de “livro infantil”, já que se trata de um trabalho ilustrado em aparência dirigido aos leitores mais jovens. A percepção adquirida não se poderá afirmar totalmente errada, é um facto, mas tornar-se-ia redutor restringi-la a um público reduzido. Veja...

Boletim Letras 360º #128

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Quando ainda jovem, o escritor Varlam Chalámov; o russo terá obra publicada no Brasil a partir de agosto. 1.  Os leitores assíduos sabem que estamos próximos de chegar aos 9 anos on-line e por esta razão temos trabalhado numa extensa revisão das postagens publicadas no blog; sequer sabemos se findaremos isso a tempo do aniversário em novembro próximo; e também não é nada sistemático, mas apenas uma forma de tentar adequar o conteúdo do blog com os rumos tomados pelo espaço criado para ser um mero lugar pessoal. Nesse processo ficou decidido que todos os textos de Pedro Fernandes enquadrados no rol de “notas de leitura” serão publicados num outro espaço já disponível para os leitores interessados - chama-se Bodega de livros . A mudança se deu pelo fato das restrições do Letras em não publicar textos do gênero sobre livros de outra natureza que não a literária. E, claro, há livros de ensaios ou de viés mais acadêmico, p.ex., que merecem um tanto da atenção do nosso e...

Praticidade, foco e ignorância

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Por Rafael Kafka Tenho sido constantemente criticado pela minha prática de escrever “textões” na internet. Outro dia, eu estava em uma discussão em um grupo de Whatsapp quando chamei uma pessoa de homofóbica por conta das piadas feitas por tal ser humano. Em uma de suas respostas, todas cheias de ad hominem, o indivíduo disse que eu iria para o Facebook fazer algum texto imenso cheio de teoria para rebatê-lo. Achei curioso isso, pois no contexto em questão ficou bastante claro que eu estava sendo criticado por gostar de ler e usar a escrita pada discutir minhas ideias. O mais curioso é que essa crítica, se é que posso chamar disso, é um eco: eu já a ouvi diversas, inclusive em ambientes ligado à educação. Escrevi em meados de dezembro do ano passado para o Letras in.verso e re.verso um texto no qual eu relatava uma situação em que eu estava decidindo se participaria da confraternização de um grupo de colegas de trabalho. Disse a um eles que se eu o tirasse novamente na b...

Negras flores da mesma haste - três mulheres suicidas na literatura: Virgínia, Florbela, Ana C.

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Por Márcio de Lima Dantas Alma sonhadora  irmã gêmea da minha Fernando pessoa Florbela Espanca escolheu o mesmo dia em que nasceu para suicidar-se. Alguns parecem nascer assinalados para cumprir o papel do sacrificado, em nome da harmonia genérica de um padrão convencionado como “normal”. São os profetas, os mártires, os loucos, os santos e os poetas. Os referidos por Marcel Proust como nervosos. Uma grande parte dos poetas trilhou veredas secundárias, diferentes ou diretamente antípodas à ao que se diz de normal. É claro que a grande máquina do mundo cobra seus altos tributos. Esses seres de exceção, desafinadores da longa sinfonia geral do existir sobre a terra, imprimem com suor, sangue, arte e ciência seus nomes nas margens das tipográficas manchas negras da vida. Alguns deles, consciente ou inconscientemente, optaram pelo suicídio, num processo de autodestrutividade, muitas vezes, impetrado de maneira que atinge requintes de esquisita violência narcísica ...

António Vieira e os mistérios que palpitam na noite

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Por Alfredo Monte António Vieira. Foto:Ricardo Gil «É às noites que minha alma se confia» (Rainer Maria Rilke) 1 Os 12 contos reunidos por António Vieira em Olhares de Orfeu têm como mote as considerações de Maurice Blanchot sobre Orfeu no clássico  O espaço literário  (1955) 1 . Se no  Segundo Fausto goethiano, Mefistófeles diz: «compreender à luz do dia é ninharia, mas na escuridão todos os mistérios palpitam», o grande pensador francês radicaliza essa potência da noite, sua “dissimulação”, ao ponto de tornar a exploração dos seus mistérios sempre uma tarefa oblíqua, um “risco do olhar”: «Orfeu pode tudo, exceto olhar esse  ponto  de frente, salvo olhar o centro da noite na noite. Pode descer para ele; pode, poder ainda mais forte, atraí-lo a si e, consigo, atraí-lo para o alto, mas desviando-se dele: tal é o sentido da dissimulação que se revela na noite (…) A profundidade não se entrega frontalmente, só se revela dissimulando...