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O Grafite e Édipo Rei

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Por Wagner Silva Gomes É próprio da literatura a resistência porque a literatura parte do litígio, ou seja, da contestação. Por surgir da tradição oral a literatura tem o caráter de ocupar os espaços em que as pessoas atuam, convivem, e criam histórias a partir da experiência sem necessariamente ter o aval de documentação legal. Isso é o que faz alguém contar a história de um filho abandonado pelos pais ao nascer e levado para fora da cidade onde esses moram. Quando chega na juventude esse filho volta, assassina seu pai sem o saber que era ele. E num momento que a cidade era ameaçada por um monstro (a esfinge) ele é o único a revelar o seu enigma, livrando a cidade da destruição. O jovem então namora com a coroa sem saber que é sua mãe. Até que um dia um velho cego e sábio, a quem desprezam suas palavras, que tinha encontrado o jovem em sua chegada, sabendo da identidade do jovem observa os acontecimentos na cidade, e por fim revela porque essa passa por maus momentos...

Dois, de Oscar Nakasato

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Por Pedro Fernandes Há uma longa tradição que atravessa desde os mitos fundadores, passa pela antiguidade, à contemporaneidade, sobre o duplo na literatura. O tema ou motivo assume várias feições e o romance de Oscar Nakasato a ele se filia através da representação dos irmãos de natureza distinta. Nesta linha está títulos como Esaú e Jacó , de Machado de Assis e Dois irmãos , de Milton Hatoum, para citar dois que logo podem vir à memória imediata do leitor. No caso de Dois , são os irmãos Zé Paulo e Zé Eduardo. Eles assumem as vozes do romance e recontam ora sua história pessoal, ora a história da família; nesta segunda variável, as narrativas oferecem muitas vezes pontos de vista distintos sobre uma mesma situação ou acontecimento. Propositalmente, Nakasato utiliza o lugar dos extremos desde a concepção original dessas duas personagens: o primeiro é o irmão mais velho e o segundo o mais novo de um grupo de quatro irmãos. Entre os dois estão o Zé Carlos e a M...

Lady Bird, de Greta Gerwig

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Por Maria Vaz Um filme de mulheres. Com problemas de mulheres. Um filme onde duas gerações do mesmo sexo se encontram nas suas diferenças, nos seus antagonismos, na diferença de sonhos, no choque de personalidades, na tentativa de domínio de uma sobre a outra. Um filme de rebeldia e ampliação da consciência. De transformação de conceitos, onde aprendemos que amor pode não ser nada daquilo que achávamos que era ou ‘deveria ser’; onde aprendemos que amor pode ser atenção ou preocupação, presença. E que, embora mais se assemelhe a carma do que a mar-de-rosas, pode ser incondicional. Um filme imperfeito, sobre mulheres imperfeitas que, pela simplicidade da imperfeição, transparece realidade, veracidade. Se estiverem à espera de normalidade cinematográfica com o glamour de Hollywood, em que tudo acaba no ‘foram felizes para sempre’, não vejam o filme, porque irão detestar. Se estiverem em busca de algo incrível, inusitado e fantástico arriscaria dizer que também não irão ac...

Por que o pensamento político de Simone de Beauvoir é importante hoje

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Por Skye C. Cleary Simone de Beauvoir em seu apartamento em Paris, 1985. Foto: Gérard Gastaud Simone de Beauvoir é conhecida pela frase “não se nasce mulher, torna-se mulher”. Uma face de seu pensamento menos conhecida, e particularmente relevante hoje, é seu ativismo político, um ponto de vista que nasce diretamente de sua atitude metafísica sobre o eu, segundo a qual não temos essência fixa. A máxima existencialista de que a “existência precede a essência” é sustentada pela filosofia de Beauvoir. Para ela, como para Jean-Paul Sartre, primeiro nos lançam ao mundo e então criamos nosso ser agindo. Embora existam acontecimentos de nossa existência que não podemos escolher, como nascer, quem são nossos pais, ou nossa herança genética, não deveríamos usar a biologia ou a história como desculpas para o comodismo. O objetivo existencial é ser agente, tomar controle sobre nossa vida, transcender ativamente os acontecimentos de nossa existência perseguindo ob...

Letras andróginas

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Por Silvia Alexandrowitch A poesia de Lord Byron e Arthur Rimbaud não coincide em nada, mas a vida e as características dos dois todavia permanecem como modelo estético de artistas do tipo boêmios e malditos. O primeiro foi um poeta romântico, o segundo, um simbolista. O primeiro morreu em 1824 e o segundo nasceu em 1854. Por nenhum deles passou pela cabeça criar um pseudônimo para se proteger numa sociedade embora disposta a aplaudir suas obras, moralmente rígida, e logo condenatória de suas vidas extravagantes. O dandismo, a androginia e a ambiguidade sexual foram motivos para escárnio, mas, no fim de tudo, eram homens com todos seus atributos. Isto somado ao imenso talento permitiram-lhes escrever intensa e prolificamente e viajar por países exóticos. Eram homens, tinham seus direitos. Byron acumulou dívidas e escândalos, excessos de todo tipo: amantes, amores homossexuais, filhos abandonados, travestismos. Buscou o autoexílio para se livrar da censura britânica q...

Boletim Letras 360º #265

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No domingo, 11, noticiamos em nossa página no Facebook algumas novidades por vir aos que acompanham o Letras. Uma delas já está em andamento neste momento: as inscrições para o sorteio de um exemplar de Uma forma de saudade , livro que reúne textos autobiográficos, alguns inéditos, do poeta Carlos Drummond de Andrade. Tudo acontece no nosso Instagram @Letrasinverso. A outra novidade é a chegada do terceiro novo colunista, para breve. A seguir as notícias da semana. Segunda-feira, 12/03 >>> Brasil: Novos autores portugueses do lado de cá A coleção Trás-os-mares, publicada pela editora Circuito com o apoio do Direção-Geral dos Livros, dos Arquivos e das Bibliotecas Públicas de Portugal (DGLAB) e com a coordenação editorial de Maria João Cantinho e Renato Rezende, apresenta ao público brasileiro prosadores portugueses contemporâneos da mais alta qualidade literária. A primeira leva, publicada em abril de 2018, compreende Até para o ano em Jerus...