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Orhan Pamuk, “o difamador”

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Por Javier González-Cotta Orhan Pamuk. Foto: Ozan Kose.   Não é a primeira vez — nem provavelmente será a última, para seu pesar — que o vencedor do Prêmio Nobel turco em 2006, Orhan Pamuk, é visto nos agitados tribunais de seu país. Em 2021, depois de publicar seu último romance na Turquia, intitulado Veba geceleri ( Noites de peste em tradução livre a partir do inglês), um advogado da cidade de Esmirna, Tarcan Tülük, apresentou uma queixa-crime alegando que o escritor havia insultado Kemal Atatürk, bardo da Turquia secular nascida em 1923 e, desde então, considerado o suposto pai de todos os turcos (é isso que Atatürk realmente significa).   O advogado de Esmirna entende que no romance a figura do oficial Kolagasi Kamil é uma cópia do próprio Atatürk, que seria retratado, sempre de acordo com sua opinião, de forma muito desrespeitosa. Pamuk ambienta seu novo romance em 1901, numa ilha fictícia do Mar Egeu, chamada Minger (o vigésimo nono estado do Império Otomano), localiz...

Seis poemas de “American Primitive” (1983), de Mary Oliver

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Por Pedro Belo Clara (Seleção e versões) Mary Oliver. Foto: Mariana Cook   JOHN CHAPMAN   Usava uma panela de chumbo como chapéu, a mesma em que cozinhava a ceia, ao anoitecer, nas florestas do Ohio. Vestia uma serapilheira e caminhava descalço, os seus pés tortos como raízes. E para onde quer que fosse as macieiras floriam na sua peugada, tão encantadoras quanto jovens raparigas.   Nenhum índio, colono ou animal selvagem alguma vez o maltratou, e ele, por sua vez, tudo honrou, toda a criatura de Deus! nem hesitava, numa noite chuvosa, em partilhar o abrigo dum tronco oco, bem junto a qualquer criatura que lá estivesse: cobras, talvez um guaxinim ou um urso parecendo uma enorme laje.   Lembrava a Sra. Price, de Richland County, já falecida, cuja casa de seus pais por vezes o recebia em visita: apenas por uma vez falou sobre mulheres, e aqueles olhos cinzentos   tornaram-se gelo. “Algumas são falsas”, sussurrara — e ela sentira a dor de tais palavras, re...

Boletim Letras 360º #475

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    DO EDITOR   1. Caro leitor, eis o Boletim n.472. Aproveite nossas boas informações e boas leituras. E, cabe não esquecer que na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você tem desconto e ajuda a manter o Letras .     2. Em nome do Letras , obrigado pelo convívio e pelo apoio! James Joyce. Foto: Berenice Abbott   LANÇAMENTOS   Nova tradução integral do Finnegans Wake , de James Joyce .   Sylvia Beach dizia que Joyce comparava a história à brincadeira do telefone sem fio, na qual alguém sussurra alguma coisa no ouvido da pessoa ao lado, que a repete não muito perfeitamente para a próxima pessoa, e assim por diante; quando a última pessoa escuta, a frase surge completamente transformada. Parece-me que Joyce levou essa brincadeira para a sua ficção. Em Finnegans Wake , ele diz, na página 5, em tradução de Afonso Teixeira, que “Deve perfazer agora mil e uma estórias conhecidas e parecidas”. Além disso, destaca-se ...