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Boletim Letras 360º #512

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DO EDITOR   1. Caro leitor, alcançamos o último mês do ano. 2022 não foi menos fácil que os anos anteriores, mas sempre olhamos para horizonte enquanto trabalhamos.   2. Nossas atividades diárias neste blog continuam até o dia 16 de dezembro. A partir de então iniciamos nossa pausa anual costumeira. As redes permanecem ativas, por aqui cairá espaçadamente um e outra postagem, enquanto estes boletins deixam de apresentar as seções extras. É uma boa oportunidade ainda para revisitar nosso extenso arquivo, sempre aberto à leitura, à partilha e ao comentário.   3. Queremos entrar em modo marola chegando a quatros leitores no sorteio no dia 17. Se você ainda não se inscreveu para o clube de apoios ao Letras , eis a oportunidade. Quer saber como, quais os livros estão na vez e tirar outras dúvidas mais? Passa aqui .   4. Outra forma permanente de ajudar é na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste Boletim: e você ainda pode garantir bons descontos...

Mircea Cărtărescu: os sótãos de Bucareste

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Por Mercedes Monmany Mircea Cărtărescu. Foto: Mircea Struţeanu   Autor de uma extensa obra, o que o torna um credor a cada novo livro (seja no gênero narrativo, seja com sua deslumbrante produção poética) ao Prêmio Nobel de Literatura, hoje devemos acrescentar ao seu lado a presença de duas magníficas escritoras, de diferentes gerações: Tatiana Ţîbuleac (Chisinau, Moldávia, 1978), com dois excelentes e poderosos romances, e uma das mais populares e famosas escritoras, tanto no seu país como no estrangeiro, Gabriela Adameșteanu (Targu Ocna, 1942), magistral dissecadora dos anos do comunismo na Romênia.¹ Um tema, os anos cinzentos e sombrios do comunismo na Romênia até a libertação, que também se repete na nova obra agora publicada por Cărtărescu, o terceiro volume de seu prodigioso ciclo Orbitor (Cegador), que consiste em A ala esquerda , O corpo e o agora e deslumbrante A ala direita ², cujo pano de fundo, entre tantos outros fascinantes que sempre se sobrepõem na história deste ...

Um homem só, de Christopher Isherwood

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Por Pedro Fernandes Christopher Isherwood. Foto: Michael Childers   Depois das experiências romanescas de Virginia Woolf e de James Joyce, multiplicaram-se os romances que se utilizam de uma narração cujo tratamento de dilatamento do tempo se mostra propícia ao testemunho sobre as experiências comuns de uma circunstância ou um dia corriqueiro na vida de uma personagem trivial à maneira de evidenciar simbolicamente toda uma existência. De alguma maneira, Um homem só , de Christopher Isherwood dialoga, chamemos assim, com essa tradição, uma vez acompanharmos um dia na vida de George, tempos depois de quando recebe a notícia sobre a morte trágica de Jim, com quem estabeleceu longos anos de convívio.   Como nos outros casos reconhecidos na literatura, por entre o itinerário que se inicia com o despertar de George e finda com a hora de dormir, passa-se a rotina recorrente na vida dessa personagem, seu trabalho como professor, as trivialidades exercidas por qualquer pessoa e os enco...

A herança de Rilke

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Por José Filadelfo García Gutiérrez Rainer Maria Rilke, em seu escritório, por volta de 1905. Fine Art Images/ Heritage Images   Rainer Maria Rilke começou a escrever as Elegias de Duíno em 21 de janeiro de 1912 e as concluiu dez anos depois, às 18h de 11 de fevereiro de 1922. Imediatamente após terminar a décima elegia, ele escreveu uma carta à amiga e sua protetora, a princesa Maria von Thurn und Taxis: “minha mão ainda está tremendo”. Ao longo dessa década, houve um silêncio poético, que durou de 1916 a 1921, que nada mais foi do que um longo processo de reflexão entre a inquietação pela aridez criativa e a espera pela descoberta que unisse, poeticamente, o que já havia sido resolvido dentro do poeta. Para Eustaquio Barjau, Rilke “já sabia há muito tempo em que consistiria sua decalogia”. Para o futuro das Elegias , são utilizadas as notas e rascunhos de cartas que o poeta de Praga, peregrino de mansões e castelos, escreveu no início de 1921, e que intitulou de O testament...

Labirintos entre idiotas: Hans Magnus Enzensberger

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Por Hugo Alfredo Hinojosa Hans Magnus Enzensberger. Foto: Barbara Klemm   No início do século XXI, Hans Magnus Enzensberger, o poeta e filósofo alemão, galardoado com o Prêmio Príncipe das Astúrias em 2002, era uma figura ativa nos meios sociais do seu país e da Europa, uma celebridade pensante vilipendiada pelos intelectuais puritanos, para quem o reconhecimento público é degradante. Alguns de meus professores se referiam ao escritor com desdém: “um vendido ao capitalismo”, “traidor dos ideais socialistas aprendidos em Cuba”, “falhou no projeto de reunificação da Alemanha em 68”, declaravam, “sua teoria do novo homem (livre) foi um fiasco.” Nunca compreendi a falha moral do filósofo e reflito, sem medo de mal-entendidos, que o problema cardinal do ensino da filosofia (as humanidades e as ciências sociais) reside na transmissão dos ressentimentos de classe dos professores aos alunos; a filosofia é tomada como instrumento para toda doutrina grosseira, um grande equívoco devido às li...