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Mostrando postagens com o rótulo George Steiner

Steiner no castelo: perplexidades da pós-cultura

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Por Ronaldo González Barba Azul Judith, Judith, não era tudo mais alegre no castelo do teu pai com rosas nas janelas, com a luz do sol pelos salões?   Judith Nunca, jamais, amadíssimo Barba Azul! Nunca voltarei a desejar a luz do dia. As rosas, a claridade do sol, nada, nada… O crepúsculo oculta tudo. Apenas consigo ver em teu castelo. Tudo é escuridão. Oh, triste Barba Azul, triste e infeliz.   — Fragmento da ópera O castelo do Barba Azul , de Béla Bartók, libreto de Béla Balázs George Steiner. Foto: Leonardo Cendamo.     A mulher apenas entrou onde mora o duque seu amado. Pergunta pela escuridão, resigna-se a ela e decide abandonar seu mundo de luz e claridade. Ao final da ópera de Béla Bartók, Judith pede ao Barba Azul a chave da sétima porta do castelo apenas para ficar cativa do manto de estrelas e do diadema da noite. Judith, arquétipo da mulher, não pode redimir Barba Azul, arquétipo do homem. No fim não resta nada mais que desolação, trevas, noite para os doi...

Tolstói ou Dostoiévski, de George Steiner: a crítica literária como dívida de amor

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Por Pablo Sol Mora George Steiner. Foto: Contacto Photo   A vocação de crítico é misteriosa. Ninguém, como gracejava François Truffaut a respeito da crítica cinematográfica, declara aos nove anos: “Papai, quero ser crítico.” O que nos move a escrever sobre o que lemos? Ou melhor, por que não tentar ser um criador ou ser, simplesmente, um leitor? Qual o sentido? Para que serve a crítica? Serve a crítica? As perguntas são inescapáveis para quem faz dela parte fundamental de sua atividade literária, sobretudo para quem ela representa sua principal ou única atividade.   As confusões e mal-entendidos em torno da crítica são variados e persistentes. Talvez o maior seja o de que a crítica se ocupa, fundamentalmente, de censurar, no sentido de indicar defeitos e erros, de desaprovar; que ela é ou precisa ser negativa. O crítico como o ressentido estraga-prazeres da literatura. É claro que a crítica deve apontar os aspectos fracos de uma obra quando de fato os encontra e argumentar a r...

Em torno da “poesia do pensamento”, de George Steiner

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Por Maria Vaz   “O uníssono da poesia, da música e da metafísica continua a assombrar a filosofia como um espectro fraterno. Quando o fim se aproxima, Sócrates vira-se para Esopo e o canto. Hobbes traduz Homero em verso. O severo Hegel escreve um poema profundamente sentido a Hölderlin.”   George Steiner, A poesia do pensamento ¹. George Steiner. Foto: Greg Funnell.   Vivemos em sociedades complexas pertencentes a um macro espaço que é o mundo globalizado. Podemos dizer que apesar de o pensamento possuir uma história milenar, essas sociedades complexas ainda se deixam seduzir pela aparência além do conteúdo e pelos juízos formulados em menos de vinte segundos.   Na vida quotidiana deste tempo de velocidade e movimento que pede praticidade para o verdadeiro multitasking que é exigido aos millenials , eventualmente ficará mais fácil arrumar os conceitos em caixinhas.   Hoje escrevo-vos sobre uma dessas caixinhas para a desconstruir de modo construtivo. Falo...

George Steiner, um mestre da literatura comparada

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Por Jordi Llovet Antes de entrar em contato com as grandes correntes da crítica literária do século XX, George Steiner (1929-2020) havia sido criado e educado em meios onde se falava e escrevia em três idiomas: inglês, alemão e francês. Esse poliglotismo fundacional na vida de Steiner foi o que mais tarde, em um de seus livros mais minuciosos e bem urdidos, Depois de Babel , permitiu-lhe não apenas praticar uma defesa da linguagem de acordo com a tradição que parte de Wilhelm von Humboldt e dos escritores do período romântico, mas também considerar que não havia melhor definição de cultura humana, como diversidade harmoniosa, do que aquela gerada a partir da multiplicação e dispersão de línguas. A admiração pelo mito de Babel, presente em todo o seu trabalho, permitiu a Steiner observar com suspeita todos os discursos e culturas que poderiam ter sido gerados em um só idioma. Sua ideia sempre foi que toda obra de arte da linguagem, como tal, fosse incorporada a um legad...