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A escrita em suspenso dos diários de Sartre

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Por Rafael Kafka             Li os diários de Sartre quando tinha 19 anos e iniciava o curso de Letras no antigo CEFET/Pa. Eu estava conhecendo a obra do filósofo existencialista, bem como de sua companheira, Simone de Beauvoir, e muito me interessou ler algo mais ligado a sua intimidade, até porque já na época eu demonstrava o interesse de manter um diário pessoal, mas sem as baboseiras típicas do gênero. Quando criança, tentei de todas as formas manter diários durante um certo período, porém tropecei diversas vezes no fato de ver na minha vida algo desinteressante demais, rotineiro demais. Adulto, percebo que na verdade quando crianças temos um olhar fantasioso demais que nos ajuda a lidar melhor com os demônios da realidade objetiva, algo bem retratado por Alê Abreu na animação brasileira O menino e o mundo , concorrente ao Oscar desse ano. Se tivesse colocado no papel as agruras de quando criança, provavelmente eu ...

Trumbo: a lista negra, de Jay Roach

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Por Pedro Fernandes É cada vez mais visível que os critérios comerciais têm se sobreposto aos de significação do filme para que este figure uma lista de melhores na premiação mais badalada do cinema, o Oscar. Isso tem variado de ano para ano, mas não deixa de ser um dos elementos que deixam em crise o prestígio da premiação. A observação é válida para se perguntar por que Trumbo não está, mesmo que não ganhasse ou fosse forte concorrente, na lista dos melhores filmes. Claro, isso desfaz ainda outra questão, a da crítica especializada que viu na produção de Jay Roach um título entre o mediano e o medíocre. Sim, mediano, é talvez uma caracterização plausível, medíocre não. O que não é o caso, por exemplo, de Mad Max ; e este, sim, está na lista entre os melhores do Oscar de 2016. Trumbo  não é medíocre porque é um texto muito bem construído, com figurino e fotografias excelentes e, claro, a irreparável atuação de Bryan Cranston, ainda que se note certos cacoetes d...

A vida e a poesia de Fernanda de Castro

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Por Maria Vaz Maria Fernanda Teles de Castro de Quadros Ferro, mais conhecida por Fernanda de Castro, foi uma poetisa, romancista portuguesa que se dedicou, igualmente, ao teatro, à ficção, à tradução e à literatura infantil. Dotada de uma personalidade ecléctica, o vasto leque de saberes fez com que publicasse, inclusive, um livro de introdução à botânica. Nasceu em Lisboa, corria o mês de Dezembro do ano de 1900, e faleceu em Dezembro de 1994. O seu pai era oficial da Marinha, motivo pelo qual teve uma infância e pré-adolescência povoada de mudanças de casa, onde constam cidades como Portimão, Figueira da Foz e Lisboa. Viveu ainda na Guiné, país que deixou aos doze anos, altura em que se tornou órfã de mãe. Aos 22 anos de idade, casou com António Ferro que, mais tarde, se viria a tornar um homem influente no departamento de informação e propaganda do regime salazarista. Talvez pelo facto de perdido a mãe tão jovem e por uma ligação muito forte com a religião cris...

Umberto Eco, o último dos grandes intelectuais

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A cultura italiana nunca se deixou oferecer ao mundo intelectuais de grande envergadura. Umberto Eco, entretanto, pode ter sido um dos últimos na extensa lista de nomes. Não significa dizer que o pensamento estará extinto; é possível mesmo que, numa era marcada pela crise do espírito reflexivo venha daí outro nome que alcance a importância que o autor de O nome da rosa alcançou. Isso só o tempo futuro dirá. O prolífico escritor, filósofo, semiólogo, professor universitário é um dos últimos nomes do enciclopedismo e para que não o acuse de criatura presa ao universo de tinta e papel ou que fosse um retrógrado, um dos poucos que conseguiu combinar o erudito e a cultura de massa sem toldar-lhe as fronteiras e oferecer uma reflexão precisa sobre uma diversidade de temas de natureza igualmente diversa sobre a comunidade humana. Nesse diálogo conseguiu a façanha de aproximar os dois extremos da cultura ocidental e essa talvez seja um dos elementos principais que o fizeram um do...

Harper Lee

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Por William Grimes Harper Lee, cujo único romance, O sol é para todos , sobre a injustiça racial numa pequena cidade do Alabama, vendeu mais de 40 milhões de exemplares e se tornou uma das obras de ficção mais amadas e mais estudas das escritas por um estadunidense, morreu na sexta-feira, 19 de fevereiro, em Monroeville, Alabama, onde morava. Tinha 89 anos. Hank Conner, um dos sobrinhos de Lee, disse que ela morreu enquanto dormia em Meadows, um asilo para idosos onde vivia há alguns anos. O sucesso instantâneo de O sol é para todos , que foi publicado em 1960 e ganhou o Prêmio Pulitzer de ficção no ano seguinte, tornou Lee uma celebridade das letras, um papel que para ela sempre foi opressivo e nunca aprendeu a conviver com ele. “Nunca esperei qualquer tipo de sucesso com O sol é para todos ”, disse numa entrevista de rádio em 1964. “Eu esperava por uma morte rápida vinda pelas mãos dos leitores, embora, ao mesmo tempo eu meio que esperava que alguém poderia go...

Boletim Letras 360º #157

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Dois importantes nomes da literatura contemporânea. Duas perdas irreparáveis. Harper Lee e Umberto Eco. Este boletim encerra duas notícias muito tristes para o universo da literatura: a morte de Harper Lee e Umberto Eco numa só data, 19 de fevereiro de 2016. E já nos faltam palavras para o que iríamos escrever na introdução dessas notas. Segunda-feira, 15/02 >>> Portugal: Livro com todos os contos de Clarice Lispector também será publicado em terras lusas O projeto de Benjamin Moser editado em 2015 pela New Directions tem galgado espaço fora dos Estados Unidos; depois da editora responsável pela obra da escritora no Brasil decidir publicar uma edição do mesmo trabalho por aqui (sai até abril), os portugueses também resolveram por apresentar Os contos completos  de Clarice. Os 85 textos saem pela Relógio D'água. >>> Brasil / Portugal: A obra integral de Herberto Helder começa a ser publicada a partir de 2016 e novos poemas do poeta vêm a lu...