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Carson McCullers

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Por Jen Díaz O terrível, no meu caso, é que durante muito tempo não fui mais que um Eu. Todo mundo faz parte de um Nós, exceto eu. Se alguém não faz parte de um Nós, se sente verdadeiramente muito só. (Carson McCullers) Se alguém pensa em Carson McCullers, e alguém não deveria comumente pensar em Carson McCullers, sempre a imagina uma adolescente, um menina adulta perfeita e fascinante. Eu algum momento foi, mas a Carson na qual se converteu tem muito e nada a ver com essa imagem: era uma mulher enferma, tão enferma que escrever era ao mesmo tempo um martírio e a única razão para viver cada dia, porque se havia algo que ela desejava de verdade era sobreviver, e a escrita estava fortemente ligada à sua própria sobrevivência: mas para escrever devia vencer algumas dores terríveis. Sim, é certo que a literatura de McCullers não necessita de justificativas para ser admirada porque se trata de uma das escritoras mais talentosas, mas não é possível esquecer sobre os esforços f...

Ricardo Piglia

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Ricardo Piglia. Fotograma do documentário 327 cuadernos Ricardo Pigilia foi aquele menino que nasceu e cresceu na ausência da literatura mas tão logo aprendeu a ler quis ser escritor para encontrar o mecanismo capaz de lhe revelar a magia daquelas combinações de palavras que o arrebatavam deste mundo. O leitor e mais tarde crítico, editor, roteirista, professor de literatura e, sobretudo, escritor, nasceu em Androgué, província de Buenos Aires, no dia 24 de novembro de 1940. Viveu entre seu país natal, os Estados Unidos e a literatura, mas passou seus últimos dias na capital argentina por causa de uma esclerose lateral amiotrófica (ELA) que afetou seus músculos mas não deu fim à lucidez intelectual e criativa e, por isso trabalhou até quase o último momento de vida – Piglia morreu no dia 7 de janeiro de 2017. Desde sua estreia como escritor, por sua vez, em 1967 com o volume de contos A invasão , começou a receber o reconhecimento de seus colegas. Um livro onde aparece E...

Boletim Letras 360º #208

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Na próxima semana despacharemos os brindes dos ganhadores da promoção os melhores de 2016. Os títulos são uma surpresa para os ganhadores e estes, por sua vez, ainda são segredo. Eles só saberão que ganharam e o que ganharam quando o brinde chegar às suas casas. E, um aviso: depois disso, publicaremos uma promoção nova que sorteará uma edição de A montanha mágica , de Thomas Mann. António Lobo Antunes. Mais um prêmio para a coleção, desta vez, o SPA Vida e Obra de 2017. Segunda-feira, 06/02 >>> Brasil: A poesia de Gabriela Mistral está entre os destaques nos títulos a serem publicados pela editora Olho de Vidro É mais uma editora que vem ampliar o mercado do livro no Brasil. Entre os vários lançamentos projetados pela casa, os mais aguardados são um volume com a poesia da ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura Gabriela Mistral. Além da antologia, a Olha publicará Se os tubarões fossem homens , de Bertolt Brecht, seg. informações da Folha de S...

Notas sobre A redoma de vidro

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Por Rafael Kafka Sylvia Plath. Ontario, 1959. Achei que aquele era o tipo de droga que só um homem podia ter inventado. Ali estava uma mulher passando por um grande tormento, que não gemeria daquele jeito se não tivesse obviamente sentindo cada espasmo de dor, e voltaria para casa e faria outro bebê porque a droga a faria esquecer de como a dor tinha sido terrível - tudo isso enquanto, numa parte secreta do seu corpo, aquele corredor de aflição continuaria à sua espera, longo, escuro, sem portas nem janelas, pronto para abrir-se e devorá-la mais uma vez. (Sylvia Plath, A redoma de vidro ) Percebe-se que no romance de 1961, Plath já tornaria presente alguns debates hoje muito fortes nos ciclos que defendem os direitos das mulheres, em especial os ligados à concepção. A sociedade se encontra em plena revolução sexual, mas o papel feminino ainda é bastante preso ao da concepção. O que fica evidenciado nesse trecho é o terror da personagem central, Esther, diante do absurdo...

La La Land: a melodia do amor

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Por Maria Vaz Amantes e expectadores circunstanciais da sétima arte trouxeram La La Land para o aplauso geral. Nomeado para 14 óscares da academia, a sua estreia fez furor em salas de cinema de todo o mundo. O filme ganha pelo glamour de um Hollywood de tempos idos, pelo charme e a química dos personagens principais, ou pelo toque de beleza imaterial que tem o jazz ao entrar no ouvido. Ganha pelo início colorido e divertido, no trânsito; pelos cenários bem conseguidos; pela diversão, leveza e, sobretudo, pelo carisma das personagens. Não obstante tudo isso, confesso que achei tudo muito normal e previsível até à segunda metade do filme. E digo isto porque não é novidade um romance desenvolver-se em um musical. Ainda que se trate de um romance engraçado e dinâmico, mais essencial do que formal, não estava a surpreender-me. Com 14 nomeações, esperava mais. Contudo, na segunda metade do filme deixei-me embeber na história e nos outros elementos que a constituem. Perdi-me e...

Natsume Soseki

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Por Laura Galarza Tsuda, o protagonista de Luz e escuridão está num leito de hospital. O médico acaba de limpá-lo por dentro com uma sonda. Terá que estabelecer uma data para operá-lo, diz, e costurar as duas partes soltas de seu intestino. Mais tarde, Tsuda volta no trem para casa, vê como o mundo segue andando, alheio ao seu sofrimento: “Não existe maneira de saber, de prever quando se operará uma súbita mudança no corpo de alguém. Pior ainda, talvez neste mesmo instante esteja acontecendo algo em meu interior e pode ser que não esteja me dando conta de nada”*. Curiosamente, quando Natsume Soseki, considerado o pai da literatura moderna japonesa, escrevia Luz e escuridão , tinha os dias de vida contados: antes de terminar o romance, morreria de uma úlcera no estômago e a obra ficaria incompleta. Talvez os desfechos não sejam o importante quando viagens são sonhadas. A leitura de Luz e escuridão é uma experiência completa. Uma imersão hipnótica em que a única coisa a ser f...