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Mostrando postagens com o rótulo Lygia Fagundes Telles

Um chá bem forte e três xícaras, de Lygia Fagundes Telles

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Por André Cupone Gatti e Guilherme de Almeida Gesso Antes do baile verde é talvez o livro de contos mais conhecido e aplaudido de Lygia Fagundes Telles, e desde o seu surgimento em 1970 vem se firmando como um dos pontos altos da contística em língua portuguesa da segunda metade do século XX. Verdade seja dita, porém, há irregularidades, no livro, de um conto para outro, e apesar da escrita ser sempre limpa e bem urdida, nem sempre a narração, às vezes explícita demais, alcança a excelência literária; por outro lado, quando Lygia constrói tramas laterais, discretas e quase nulas, e impregna algumas poucas palavras aparentemente despretensiosas de significações decisivas, alcança-se a primazia no gênero. Exemplos de contos dessa espécie, e que são obras-primas não só do século XX, mas da literatura em língua portuguesa desde sempre: “O menino”, “Meia-noite em ponto em Xangai”, o machadiano “Antes do baile verde”, e o discretíssimo, enganador e de trama quase inexistente “Um chá bem fo...

Lygia Fagundes Telles, a arte de narrar

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Por Pedro Fernandes A obra de Lygia Fagundes Telles se soma a de outras mulheres que marcam a literatura brasileira do século XX e se constitui, como as demais, por uma dupla via: a da transgressão e da resistência. Transgressão porque trata-se de uma obra que estabelece renovações nos estatutos da narrativa, como o exímio trabalho de construção do narrador, ao limite de a narrativa correr como se sozinha; e resistência, porque mesmo desconsiderando um sexo dos textos, é pouco provável que ao invés da categoria narrador tenhamos sempre, mesmo nos casos sub-reptícios, uma narradora. Mas, sua prosa, distribuída entre o romance, o conto e alguma crônica se constitui de uma particularidade: trata-se de uma obra de representação simbólico-social forjada a partir de sua memória e da realidade a qual pertence acerca, mas sem nelas se perder, acerca das inquietudes dos indivíduos no mundo e degelo das linhas objetivas que determinam aos olhos mais ingênuos as fronteiras da realida...

O coração do cânone de Lygia Fagundes Telles: “Antes do baile verde” e “As meninas”

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Por Alfredo Monte 1 Antes do baile verde , em 1970, era uma espécie de antologia que Lygia Fagundes Telles fazia de seus livros anteriores 1 , a primeira de muitas vezes em que fez isso. Hoje a Companhia das Letras publica uma obra com dezoito contos (vários deles, dos melhores que ela escreveu). A princípio eram quinze: de 1949, de  O cacto vermelho , ela escolhera três (“O menino”, “Os mortos” e “Olho de vidro”); de 1958, de  Histórias do desencontro  foram cinco (“Natal na barca”, “A ceia”, “Venha ver o pôr do sol”, “Eu era mudo e só”, “As pérolas”); de 1965, de  O jardim selvagem , outros cinco (“Antes do baile verde”, “A caçada”, “A chave”, “Meia-noite em ponto em Xangai”, “A janela”); e havia contos “esparsos” (“Os objetos” e “O moço do saxofone”). Com a repercussão, numa segunda edição, ela incluiu mais cinco: “Verde lagarto amarelo”, “Apenas um saxofone”, “Helga”, “Um chá bem forte e três xícaras”, “O jardim selvagem”, excele...

Entendendo o universo feminino e a ditadura militar: resenha de “As meninas”, de Lygia Fagundes Telles

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  Por Rafael Kafka A ditadura militar brasileira é um período histórico ainda muito marcado pelo mistério acerca dos fatos ocorridos nos poucos mais de vinte de anos de vigência. Crimes de tortura, corrupção, censura, exílios e uma série de outras coisas foram marca registrada de uma época da vida social no Brasil marcada pela constante agressão aos direitos humanos e ao direito de expressão e liberdade de ir e vir. Ainda assim, vemos no ano de 2014 uma série de manifestações repletas de discursos de ódio pedindo a volta de um poder comandado pelos militares para restaurar a paz social de nossa nação, que segundo uma pequena parcela de maus perdedores das últimas eleições ainda se encontra ameaçada pelo terror comunista. O que soa mais perturbador nisso tudo é ver pessoas como Jair Bolsonaro alegarem em nossa conturbada contemporaneidade que nada disso que se fala por aí realmente ocorreu na ditadura militar e que tudo não passa de mentiras de uma oposição composta...

Lygia Fagundes Telles e a escrita do amor

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Por Maria Aparecida da Costa Na vocação para vida está incluído o amor, inútil disfarçar, amamos a vida. E lutamos por ela dentro e fora de nós mesmos. Principalmente fora, que é preciso um peito de ferro para enfrentar essa luta na qual entra não só o fervor mas uma certa dose de cólera, fervor e cólera  (TELLES, 1998, p. 42) Sempre quando temos acesso a alguma entrevista com Lygia Fagundes Telles ela fala da paixão, do amor e da foça destes sentimentos em favor de qualquer ofício. Para ela, sobre a arte da escrita, mesmo sendo uma profissão árdua, quando executada com paixão, torna-se mais leve. Lygia insiste que, sem paixão, sem amor, mesmo tendo muita competência, o homem não conclui de forma satisfatória sua tarefa. Desta feita, é comum encontrar na obra da escritora personagens que andam às voltas com os diversos sentimentos que guiam o sujeito em sua existência. Além do debate sobre as relações amorosas em si, Lygia salpica na esteira de seus personag...

Lygia Fagundes Telles na tela

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Aproveitando o aniversário de 88 anos de Lygia Fagundes Telles e a programação especial elaborada por ocasião da data pela Cinemateca Brasileira (Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana. São Paulo/SP) fica a seguir a dica (para nós que estamos tão longe de Sampa) de filmes baseados ou inspirados na obra da escritora. Alguns nunca entraram em cartaz, mas podem ser adquiridos (não sem muita birra certamente) junto à Cinemateca. Cena de Capitu , filme baseado no romance de Lygia Fagundes Telles. Em destaque Othon Bastos no papel de Bento.  Jogo da memória (1992) - curta inspirado no romance Verão no aquário , produzido sob direção de Denise Vieira Pinto. Trata-se de um filme cujo enredo é um jogo onde se misturam o passado e o presente: à medida que Tio Samuel toca nas fotos, elas tornam-se realidade para Raíza. Contos de Lygia e Morte (1999) - longa em episódios sob direção de Luciana Solim; é uma adaptação de três contos da escri...

Clarice Lispector: entrevistas ― Lygia Fagundes Telles

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Um dos livros de leitura despretensiosa, e por isso mesmo, delicioso de se ler, é Clarice Lispector: Entrevistas (Editora Rocco). A vivência da escritora com o jornalismo permitiu o contato com uma variedade de figuras, que vão de um Alceu Amoroso Lima a um Tarcísio Meira, de Antônio Callado a um Zagallo. O destaque a seguir é a cópia da conversa de Clarice com Lygia Fagundes Telles.   _______   Eu pretendia ir a São Paulo para entrevistar Lygia Fagundes Telles, pois valia a pena a viagem. Mas acontece que ela veio ao Rio para lançar seu novo livro, Seminário dos ratos . Entre parênteses, já comecei a ler e me parece de ótima qualidade. O fato dela vir ao Rio, o que me facilitaria as coisas, combina com Lygia: ela nunca dificulta nada. Conheço a Lygia desde o começo do sempre. Pois não me lembro de ter sido apresentada a ela. Nós nos adoramos. As nossas conversas são francas e as mais variadas. Ora se fala em livros, ora se fala sobre maquilagem e moda, não temos preconceitos...